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TRIBUNA LIVRE

Juridiquês: quando a Justiça não fala a língua do povo

Linguagem jurídica complexa afasta o cidadão da Justiça e reforça a necessidade de comunicação clara

Maria Luiza Fontenelle | 12/01/2026, 13:03 h | Atualizado em 12/01/2026, 13:03
Tribuna Livre

Leitores do Jornal A Tribuna



          Imagem ilustrativa da imagem Juridiquês: quando a Justiça não fala a língua do povo
Maria Luiza Fontenelle é advogada, especialista em Direito Empresarial e Direito de Família e Sucessões. É idealizadora do sistema +Jus e coordenadora do MBA de Direito Corporativo da FDV |  Foto: Arquivo/AT

Durante muito tempo, o Judiciário brasileiro construiu sua autoridade a partir da forma como se expressa. Frases rebuscadas, expressões em latim e termos técnicos passaram a ser vistos como sinônimo de rigor e seriedade. O problema é que, ao longo desse caminho, o processo judicial deixou de “conversar” com quem mais precisa dele: o cidadão comum.

O chamado juridiquês, excessivamente técnico e pouco acessível, criou um distanciamento real entre as pessoas e o próprio processo. Para quem não é da área, decisões e andamentos processuais muitas vezes parecem escritos em outro idioma. O resultado é um sentimento frequente de confusão e insegurança: a parte não entende o que está acontecendo no seu processo, não sabe qual foi o último passo dado pelo Judiciário e tampouco consegue prever o que vem a seguir.

Esse distanciamento não é apenas um problema de comunicação. Ele gera impactos concretos. Pessoas deixam de acompanhar seus processos por não compreenderem as informações disponíveis. Outras recorrem repetidas vezes ao advogado, à Defensoria ou ao fórum para esclarecer dúvidas simples, o que sobrecarrega o sistema e consome tempo de profissionais. Em muitos casos, a falta de compreensão alimenta frustrações e conflitos desnecessários.

Os números ajudam a dimensionar esse problema. Segundo o Relatório Justiça em Números 2025, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o Brasil encerrou 2024 com cerca de 80,6 milhões de processos pendentes. Esses dados mostram que milhões de brasileiros convivem, em algum momento da vida, com decisões judiciais. Quando essas informações são apresentadas em linguagem difícil, o prejuízo atinge uma parcela expressiva da sociedade.

Quando o cidadão não entende o funcionamento da Justiça, passa a enxergá-la como distante, inacessível, e, por vezes, indiferente à sua realidade. Isso enfraquece a confiança nas instituições e dificulta o exercício da cidadania.

Nos últimos anos, esse debate ganhou força. Iniciativas institucionais voltadas à linguagem simples mostram que o excesso de juridiquês é um obstáculo a ser superado.

É nesse contexto que surgem soluções tecnológicas voltadas à tradução do vocabulário jurídico para uma linguagem acessível, como, por exemplo, o +Jus, um sistema em desenvolvimento no Espírito Santo para aproximar o cidadão da Justiça.

Mais do que estilo, adotar uma linguagem acessível é uma escolha democrática. Um Judiciário que se comunica de forma clara é um Judiciário mais próximo, mais transparente e mais justo. Reduzir o juridiquês não empobrece o Direito — amplia seu alcance e reforça sua razão de existir: servir às pessoas.

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