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João Devens: "Primeiros italianos no Brasil chegaram por Aracruz”

Empresário conta que imigrantes desembarcaram no Porto de Santa Cruz em 1874, para ir até a Fazenda das Palmas



Imagem ilustrativa da imagem João Devens: "Primeiros italianos no Brasil chegaram por Aracruz”
João Carlos Devens faz palestras e fala sobre a importância de valorizar a memória dos antepassados |  Foto: Fábio Nunes / AT

“A comemoração dos 150 anos da imigração italiana no Brasil é a oportunidade de refletir sobre a construção da nossa identidade. Todos os imigrantes que vieram construir o nosso País foram corajosos e pioneiros.

No caso dos nossos antepassados italianos, herdamos valores insubstituíveis, como a valorização da família e do trabalho.

Os italianos eram camponeses que fugiam das guerras e da situação de miséria que se encontrava a Itália na pós-unificação. Deixar a pátria-mãe e embarcar em um transatlântico para o Brasil era a única realidade possível para eles.

Inclusive, os primeiros italianos no Brasil chegaram por Aracruz, no Porto de Santa Cruz, em 3 de março de 1874, onde desembarcaram para seguir para a Fazenda das Palmas, preparada por Pietro Tabacchi para acomodá-los. No ano seguinte, eles seguiram para as regiões de montanha do Estado.

Família

Meus antepassados italianos são da província de Belluno, na região de Veneto. Eles chegaram ao Brasil em 1877, diretamente para o núcleo colonial de Santa Cruz, atual município de Ibiraçu. À época, meu bisavô, Angelo, tinha apenas 12 anos e veio com a mãe dele, Antônia Zabot, que era viúva e veio sozinha com os filhos.

Sem dúvidas, minha trisavó foi uma mulher de muita coragem e disposição. Ela veio esperançosa por uma vida melhor no Brasil. Quando chegou, ficou em um terreno próximo à estátua do Buda e, depois, foi para o distrito de Palmeiras, uma região montanhosa de Ibiraçu que fica para cima de Pendanga, no sentido de Santa Teresa. Por lá, meus antepassados ficam 70 anos.

Hoje, quando vamos ao local e vemos tudo o que os imigrantes fizeram, é de se emocionar. Tudo foi feito com tanto trabalho. Cresci ouvindo histórias de muito trabalho, de como meus antepassados enfrentaram desafios.

As tradições familiares também estavam presentes durante a minha infância: nas refeições, comíamos comida italiana, reuníamos toda a família em torno da mesa e compartilhávamos nossas histórias. Até hoje, costumo manter esses hábitos.

Trabalho

As gerações mais recentes, como meu pai e meus tios, desceram para construir a vida em Aracruz. Quando novo, eu acompanhava meu pai nos cuidados de uma propriedade dele. Lembro-me que meu ‘primeiro dinheiro’ foi com 13 anos. Eu tirei areia de um rio até completar cinco caminhões. O valor do trabalho honesto sempre foi reforçado no meu lar.

Aos 21 anos, me formei em Zootecnia pela Universidade Federal de Viçosa, em Minas Gerais. Quando terminei, trabalhava com meu pai durante o dia e, à noite, era professor.

Por acaso, entrei no ramo de comércio. Nós produzimos feijão e eu me lembro de um dia em que fui comprar uma peça de trator, em Linhares, mas havia acabado o meu feijão. Aproveitei, então, e levei feijão para Aracruz. Por acaso, fui entrando no comércio.

Depois, entrei no ramo de comprar e de vender porcos. A inflação era muito alta, eu comprava as mercadorias em Itaguaçu e vendia em Aracruz. Assim, conseguia ter preço competitivo. A população começou a me pedir mais produtos.

Aprendi a gostar muito do comércio. Tanto que cheguei à presidência da Central de Compras do Brasil (CCB), da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Aracruz e da Associação Capixaba de Supermercados (Acaps).

Hoje, estou no conselho consultivo da Associação Brasileira de Supermercados (Abras). O Supermercados Devens, nossa empresa, completou 35 anos em janeiro.

Ao olhar o que construí, me sinto emocionado. Com o nosso trabalho, consigo mudar a vida de milhares de funcionários. Isso não tem preço!

Conquista

Quando eu estava na casa dos 22 anos, eu estava na segunda faculdade, de Direito, em Colatina, ajudava o meu pai e era professor à noite. Minha mãe me dizia: ‘você estudou tanto e ganha tão pouco’. Eu respondia que era passageiro e que, no futuro, eu teria 300 funcionários. Em 2009, mostrei a ela que consegui. Sem dúvidas, não foi uma trajetória fácil.

Hoje, faço palestras e sempre falo sobre a importância de se dedicar ao trabalho, de valorizar a memória dos antepassados e de agradecer a todos que vieram antes de nós”.


Imagem ilustrativa da imagem João Devens: "Primeiros italianos no Brasil chegaram por Aracruz”
Hoje, estou no conselho consultivo da Associação Brasileira de Supermercados (Abras). Ao olhar o que construí, me sinto emocionado |  Foto: Arquivo Pessoal

QUEM É

- João Carlos Devens, 60 anos, é empresário, ex-presidente da Associação Capixaba de Supermercados (Acaps) e conselheiro da Associação Brasileira de Supermercados (Abras). Há 35 anos, fundou o Supermercados Devens, uma das maiores redes do segmento no Espírito Santo.

- Hoje, o empresário está à frente deste e de outros negócios, como a Fazenda das Palmas, a Construtora Aracruz Empreendimentos Imobiliários e o Grupo Primavera Brasil.

- Ao todo, possui mais de 600 funcionários no Espírito Santo e na Bahia.

Depoimento dado ao repórter Jonathas Gomes

Para ler esta reportagem em italiano, clique aqui


Imagem ilustrativa da imagem João Devens: "Primeiros italianos no Brasil chegaram por Aracruz”
O Supermercado Devens foi fundado há 35 anos e hoje conta com 96 lojas no Espírito Santo e na Bahia |  Foto: Arquivo Pessoal


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O empresário João Carlos Devens também é produtor de café |  Foto: Arquivo Pessoal


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Inauguração da segunda loja do Supermercados Devens |  Foto: Arquivo Pessoal


Imagem ilustrativa da imagem João Devens: "Primeiros italianos no Brasil chegaram por Aracruz”
O empresário João Carlos Devens, 60 anos, com os irmãos José Ângelo, Rosana, Rosicler e Ademar Coutinho Devens |  Foto: Arquivo Pessoal

História

- João Carlos Devens conta que primeiras operações do supermercado iniciaram em 1978, mas a formalização aconteceu em 1983. O empresário está à frente deste e de outros negócios, como a Central de Compras, a Fazenda das Palmas, a Construtora Aracruz Empreendimentos Imobiliários e o Grupo Primavera Brasil.

- A Central de Compras, com 96 lojas nos estados do Espírito Santo e da Bahia, é reconhecida como um grande grupo varejista, um dos maiores do Brasil.

- As primeiras operações iniciaram em 1978, mas a formalização aconteceu em 1983, a partir da Associação de Supermercadistas do Estado do Espírito Santo que possuíam uma visão mais apurada para o futuro.

- Enxergavam no associativismo a forma ideal para chegar às grandes indústrias e competir de igual para igual com outras redes supermercadistas existentes no Brasil. O grupo vem se renovando constantemente com a chegada de empresários inovadores.

- Já o Supermercados Devens com pleitou 35 anos de dedicação, qualidade e compromisso com os clientes. Em mais de três décadas, a empresa construiu uma história de confiança e de proximidade com os clientes de todas as cidades em que atua.

Fonte: João Carlos Devens


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João Carlos Devens conta que as primeiras operações do supermercado iniciaram em 1978, mas a formalização aconteceu em 1983 |  Foto: Arquivo Pessoal

Celebração!

Nos próximos dias, “O Que Eu Vi e Vivi” abre uma página na história dos 150 anos da imigração italiana no Espírito Santo e apresenta personalidades que viveram ou ouviram relatos de seus antepassados. São histórias de vidas, culturas, tradições e desenvolvimento.

A Rede Tribuna se sente honrada em fazer parte dessa trajetória, auxiliando na preservação e na propagação de nossa memória. O projeto 150 Anos da Imigração Italiana no Espírito Santo levará ao público um riquíssimo conteúdo, com informações sobre a chegada dos imigrantes italianos em solo capixaba.

Serão exibidos vídeos na TV Tribuna/SBT, matérias no jornal A Tribuna, webséries no portal Tribuna Online e nas rádios Tribuna FM e Legal FM. Acompanhe esta envolvente jornada pelas raízes italianas no Espírito Santo.

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