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Nilton Chieppe: “Eu vi italianos ajudarem a construir o Espírito Santo”

O empresário Nilton Chieppe, 79, conta que seus bisavós chegaram ao Espírito Santo entre o fim de 1888 e o início de 1889


“Uma história construída com base em valores sólidos é uma das maiores virtudes da vida. Quando chegaram ao Espírito Santo para construir a América, os imigrantes italianos, incluindo a minha família, transformaram a bagagem cultural que trouxeram em uma contribuição imensurável à cultura brasileira. Posso dizer que, ao longo dos anos, vi as famílias de italianos ajudarem a construir o Espírito Santo.


Imagem ilustrativa da imagem Nilton Chieppe: “Eu vi italianos ajudarem a construir o Espírito Santo”
Nilton Chieppe: “Construímos uma família em Colatina. Tenho boas lembranças da minha infância” |  Foto: Leone Iglesias/AT

Família

Meus bisavós chegaram ao Espírito Santo entre o fim de 1888 e o início de 1889. À época, a Itália sofria consequências socioeconômicas da descentralização do território e da falta de colônias em outros continentes, como a França, a Inglaterra e Portugal tinham, por exemplo.

Havia uma promessa de excelentes oportunidades ao chegar à nova terra, e isso não aconteceu. Meu bisavô, Domenico Chieppe, decidiu vir ao Brasil em razão das informações que foram propagadas na Itália. Dizia-se que a imigração era para a América, mas não se sabia se era no Norte ou no Sul. O documento de autorização de transferência dele, por exemplo, não tratava de qual era a América.

No Espírito Santo, construímos uma família em Colatina. Tenho boas lembranças da minha infância. Em certo momento, tínhamos atividades diárias, como criação de galinhas, de porcos, de gado, enfim.

Havia tempo para tudo: eu ia à escola, fazia os exercícios de casa, lidava com as atividades da propriedade e jogava bola. Foi uma vida muito saudável, alegre e divertida. Eu sou, portanto, a quarta geração de Chieppe. Minhas filhas fazem parte da quinta e meus nove netos, da sexta geração.

Águia Branca

Meu pai começou a trabalhar por conta própria aos 42 anos. À época, era comum ajudar toda a família antes de construir a própria vida. Por conta disso, ele precisava construir capital rápido. Ele olhou ao redor, viu que havia muitos produtores na região e que não havia ninguém para transportar os produtos.

Em vez de implantar uma nova propriedade, ele partiu para comprar tropas de animais e transportar produtos dos vizinhos. Da crise, ele criou uma solução. Foi um visionário, um verdadeiro empreendedor.

No início, morávamos em uma casa feita de tábuas simples. Depois, ele conseguiu construir uma casa mais confortável, que existe até hoje.

Em 1946, meu pai comprou o primeiro ônibus para transporte de passageiros. Por isso, consideramos este ano como a data de nossa fundação, mas, de fato, foram os meus três irmãos mais velhos - Vallecio, Aylmer e Wander – que depois empreenderam mais firmemente neste setor e compraram a já existente a Viação Águia Branca, o primeiro dos negócios do Grupo Águia Branca.

Eu me juntei aos irmãos mais velhos anos depois, juntamente com o Wagner, o caçula.

Muitos dos valores da família Chieppe se aprimoraram em valores empresariais, como o respeito ao próximo, a tradição, a liderança, a inovação, a ética e a integração com a comunidade.

E também a valorização da prata da casa, porque o Grupo Águia Branca se consolidou com o apoio de um grande time de profissionais.

Assim como a minha família, vários outros lares ítalo-capixabas contribuíram para a formação do Espírito Santo. Nem sempre essa conexão histórica entre o Espírito Santo e a Itália era valorizada, contudo.


Imagem ilustrativa da imagem Nilton Chieppe: “Eu vi italianos ajudarem a construir o Espírito Santo”
A Família Chieppe chegou ao Espírito Santo entre o fim de 1888 e o início de 1889 |  Foto: Acervo pessoal

Ítalo-capixabas

Havia um tempo em que a colônia italiana do Estado estava muito abandonada. No passado, surgiu um programa que levava os descendentes para visitar a terra de origem.

Acho que isso despertou em muitas pessoas a necessidade de aproximação entre o Espírito Santo e a Itália, e, assim, passou-se a reivindicar uma representação consular no Estado. Estive, por um mandato, no comitê dos italianos no Espírito Santo e Rio de Janeiro.

Outros estados com densidade de descendentes muito menor do que a nossa tinham essa representação consular. Por muito tempo, houve negação do pedido com alegações de falta de orçamento, por exemplo, principalmente com a criação da União Europeia, momento em que a Itália estava com um déficit público muito elevado.

Nossa reivindicação, apesar daquele contexto, ganhava força nas novas gerações. Reivindicamos o consulado diretamente a uma pessoa da embaixada italiana no Brasil, informando sobre o abandono que vivíamos e, por meio dessa pessoa, descobrimos os canais para tornar nosso desejo em uma realidade.

Somos uma descendência com mais de 100 anos de integração ao povo brasileiro. Há mais uma nostalgia do que uma relação muito próxima com a Itália hoje. Nenhum descendente irá torcer para a Itália em uma partida de futebol contra o Brasil, por exemplo.

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    "Minha família veio ao Espírito Santo em um navio chamado Adria, entre o fim de 1888 e o início de 1889, com o sonho de ter mais oportunidades de vida na América”
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    Carlos Chieppe e Dona Nilde, pais de Nilton Chieppe
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    Primeiro ônibus da viação Águia Branca, que levava o nome de “Auto Viação 13”
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    Construído para recepcionar imigrantes europeus no século 20, o Instituto de Reabilitação Social (IRS) se chamava “Emigrazione”
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Nilton Chieppe: “Eu vi italianos ajudarem a construir o Espírito Santo” Nilton Chieppe: “Eu vi italianos ajudarem a construir o Espírito Santo” Nilton Chieppe: “Eu vi italianos ajudarem a construir o Espírito Santo” Nilton Chieppe: “Eu vi italianos ajudarem a construir o Espírito Santo”

Valorização da memória

Ainda assim, nossas raízes existem e estão na alimentação, nos costumes, nas relações familiares e na história. Somos brasileiros, mas não podemos perder os valores dos nossos antepassados. A memória é um patrimônio importante de um povo.

A proximidade entre os ítalo-capixabas com a Itália é, também, um canal importante para que façamos parte da comunidade europeia, para que tenhamos a oportunidades em universidades de fora e para mantermos viva a memória de nossa história”.

Depoimento concedido ao repórter Jonathas Gomes

Para ler esta reportagem em Italiano, clique aqui

Imigração Chieppe

História


Imagem ilustrativa da imagem Nilton Chieppe: “Eu vi italianos ajudarem a construir o Espírito Santo”
Nilton Chieppe é empresário, arquiteto e membro do Conselho de Acionistas do Grupo Águia Branca. Dedica-se há 53 anos ao negócio iniciado pelo pai |  Foto: Divulgação

Domenico Chieppe, ao embarcar para a América em 1888, jamais poderia imaginar que seus descendentes iriam construir no Espírito Santo um dos maiores conglomerados econômicos do Brasil: o Grupo Águia Branca.

Fundado em 1946, no município de Colatina, o grupo atua em todo o Brasil nos serviços de transporte rodoviário de passageiros, logística e comércio de veículos e gera mais de 18 mil empregos.

A gestão é realizada por meio de três divisões de negócios, que atuam de forma especializada, conforme as características de cada segmento: Passageiros, Logística e Comércio.

Fazem parte do Grupo Águia Branca: Agaxtur, Águia Flex, Autoport, Azul Agro, EBEC, Go Drive, Go Green, Kyoto, Kurumá, Let´s, Osaka, Savana, Servicarga, Squad, Viação Águia Branca, Vitória Diesel, Vitória Motors Jeep, Vitória Motors BYD, Vitória Motors Mercedes-Benz, VIX Par, VIX Logística, V1 e We Safety.

Além dos negócios, o grupo também possui um importante programa de conservação ambiental por meio da Reserva Águia Branca, localizada entre os parques estaduais de Forno Grande e de Pedra Azul, no município de Vargem Alta, na região de montanhas do Espírito Santo.

Trata-se de uma área de mais de 2.200 hectares de um importante remanescente da Mata Atlântica, com vasta diversidade de fauna e flora, dezenas de nascentes e cursos hídricos e extensa cobertura vegetal.

Em 2021, o Grupo Águia Branca lançou o primeiro projeto voltado à geração de energia limpa, a AB Energias Renováveis, consórcio formado pelas empresas do grupo cuja finalidade é gerar energia solar para atender às necessidades do próprio grupo.

Celebração

Nos próximos dias, “O Que Eu Vi e Vivi” abre uma página na história dos 150 anos da imigração italiana no Espírito Santo e apresenta personalidades que viveram ou ouviram relatos de seus antepassados.

São histórias de vidas, culturas, tradições e desenvolvimento. A Rede Tribuna se sente honrada em fazer parte dessa trajetória, auxiliando na preservação e na propagação de nossa memória.

O projeto 150 Anos da Imigração Italiana no Espírito Santo levará ao público um riquíssimo conteúdo, com informações sobre a chegada dos imigrantes italianos em solo capixaba.

Serão exibidos vídeos na TV Tribuna/SBT, matérias no jornal A Tribuna, webséries no portal Tribuna Online e nas rádios Tribuna FM e Legal FM.

Acompanhe esta envolvente jornada pelas raízes italianas no Espírito Santo!

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