Indústrias e bares mudam bebidas de olho nos jovens
Buscando conquistar um público que bebe cada vez menos, empresas apostam em redução no álcool e melhora na qualidade
Para conquistar os jovens, indústrias e bares estão mudando bebidas e a rotina. O consumo de bebidas alcoólicas no mercado brasileiro vem passando por uma transformação, impulsionado por mudanças no comportamento dos consumidores.
Jovens adultos bebem menos do que gerações anteriores, e esse comportamento força bares e restaurantes a rever cardápios, com novos drinques e cervejas premium, por exemplo, e também espaços e modelos de experiência.
Diante disso, a indústria também tem se ajustado. As mudanças nos padrões de consumo vão desde o aumento da demanda por bebidas com pouco ou nenhum álcool até a valorização de experiências personalizadas e a busca por conveniência no serviço.
Entre os jovens da geração Z, de 16 a 30 anos, apenas 45% afirmam beber — bem menos que nas gerações anteriores, aponta uma pesquisa da MindMiners, feita com 3 mil pessoas. Já entre os Millenials (que hoje têm entre 31 e 41 anos), 57% mantêm o hábito. Na geração X (entre 42 e 61 anos), o número sobe para 67%, e entre os Boomers (entre 62 e 78 anos), chega a 65%.
Para José Eduardo Camargo, líder de Conteúdo e Inteligência da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), as tendências abrem oportunidades. “Os consumidores estão cada vez mais atentos à qualidade do que consomem e buscam alternativas que proporcionem prazer sem abrir mão do bem-estar”, explicou.
As empresas do setor de bebidas, por sua vez, vêm se adaptando a esse mercado, onde o álcool perde espaço. “O segmento de bebidas sem álcool é o que mais cresce, especialmente no caso das cervejas”, disse Mariana Thibes, coordenadora do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (Cisa).
Segundo a pesquisadora, opções com menor teor alcoólico também ganham espaço como estratégia de redução de consumo e de eventuais danos à saúde, inclusive entre outras faixas etárias.
Os sindicatos da Indústria de Bebidas em Geral do Estado (Sindibebidas) e de Bares e Restaurantes do Estado (Sindbares) foram procurados, mas não responderam até o fechamento da edição.
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Mudanças
O consumo de bebidas alcoólicas no mercado brasileiro vem passando por uma transformação, impulsionado por mudanças no comportamento dos consumidores. E as empresas, por sua vez, adaptam os portfólios e as estratégias de marketing.
As mudanças nos padrões de consumo vão desde o aumento da demanda por bebidas com pouco ou nenhum álcool até a valorização de experiências personalizadas e a busca por conveniência no serviço.
Além do cardápio, o ambiente muda. Bares voltados ao público jovem investem em jogos, eventos temáticos, design marcante e espaços pensados para interação social. A proposta é reduzir o álcool como elemento central e ampliar atividades que permitam convivência sem pressão para beber.
Esse reposicionamento reflete uma tendência mais ampla: espaços de convivência passam a priorizar pertencimento, estética e experiências compartilhadas.
Consumo de cerveja sem álcool
O consumo de cervejas sem álcool no Brasil cresceu mais de 200% entre 2020 e 2023, passando de 197,8 milhões para 649,9 milhões de litros, segundo a Euromonitor. A expectativa é que o volume tenha se aproximado de 1 bilhão de litros em 2025.
O País já é o segundo maior mercado mundial de cerveja zero, apontam os dados da World Brewing Alliance (WBA), associação comercial internacional da indústria cervejeira.
O cenário revela um público mais aberto à moderação e à experimentação. Mesmo quem continua bebendo, faz isso com mais critério. Essa busca por qualidade impulsiona rótulos premium.
A indústria também tem se ajustado. A Ambev, maior cervejaria do País, afirma que rótulos como Bud Zero, Corona Cero e Stella Pure Gold têm ganhado força, e a companhia projeta que o segmento de cervejas sem álcool cresça até cinco vezes mais rápido que o das tradicionais até 2028.
Fonte: Abrasel, Valor Econômico e site G1.
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