Crise na Venezuela pode ameaçar projetos no Espírito Santo
A ação militar dos EUA contra Maduro pode reduzir investimentos e royalties no setor de petróleo do Espírito Santo a longo prazo
A mudança de regime na Venezuela, motivada pela retirada à força do ex-ditador preso Nicolás Maduro, em uma ação militar dos Estados Unidos, pode provocar redução de investimentos no setor de petróleo no Brasil no longo prazo — e, consequentemente, no Espírito Santo.
É o que avalia o diretor de Comunicação do Sindicato dos Petroleiros do Espírito Santo (Sindipetro-ES), Etory Esperandio.
A perspectiva de aumento da produção de petróleo na Venezuela acende um sinal de alerta para a Petrobras e petroleiras brasileiras de menor porte, caso de Prio e Brava, como afirma reportagem do jornal Valor Econômico. Todas as três possuem projetos no Sul do Espírito Santo, dentro da Bacia de Campos.
Caso as intenções do presidente do país norte-americano, Donald Trump, para a utilização do petróleo venezuelano se confirmem e a produção injete no mercado uma grande quantidade do produto, algumas mudanças podem ocorrer na cadeia global, diz Esperandio.
“Levando a uma queda nos preços, redução de lucratividade, impacto nas rotas da commodity e, com isso, redução de empregos e arrecadação de tributos”.
Mas esses efeitos, ressalta ele, só serão sentidos no longo prazo, com uma recuperação da infraestrutura de produção do petróleo na Venezuela.
O especialista aponta a necessidade de observar três pontos. O primeiro é se os EUA vão conseguir implementar a própria agenda na transição de poder no País.
O outro ponto, diz Esperandio, é se as empresas americanas vão conseguir entrar na Bacia do Orinoco, que é onde fica o reservatório com mais de 300 bilhões de barris de petróleo, o maior do mundo.
“Precisa ver também se as empresas vão conseguir investir no mercado venezuelano com o preço do petróleo mais baixo. A não ser que tenha um impulso do governo americano, como uma cláusula de estabilidade política de manutenção das empresas no País”, comenta.
No Espírito Santo, o impacto seria sobre decisões de investimento e sobre a arrecadação, avalia o presidente do Conselho Regional de Economia do Espírito Santo (Corecon-ES), Ricardo Paixão. Isso levaria à diminuição dos royalties.
Entenda
Preço baixo
O retorno esperado de petroleiras americanas à Venezuela, depois da retirada do ex-ditador preso Nicolás Maduro do poder, poderá contribuir para um aumento da oferta da commodity e pressionar ainda mais os preços, que situam-se na faixa de US$ 60 para o barril do tipo Brent.
A expectativa de que possa haver volumes adicionais de petróleo venezuelano disponíveis em horizonte de 12 ou 18 meses, em um mercado que já está sobreofertado, reforça a necessidade de as petroleiras priorizarem iniciativas de redução de custos para garantir a eficiência.
As possibilidades
Existem três cenários possíveis, segundo especialistas.
Cenário A
Maior presença de petróleos pesados venezuelanos, com melhora das margens das refinarias no Golfo dos Estados Unidos, pressionando diferenciais e resíduos. A cadeia produtiva da região seria impactada, mas com efeito moderado sobre o preço global.
Cenário B
Uma oferta mais relevante. Haveria maior volume de sedimentos no mercado, com ampliação ao longo de 2026. Com a continuidade da expansão da produção e alguma flexibilização operacional, o mercado voltaria a precificar risco e oferta no Atlântico, o que poderia afetar mais diretamente o petróleo tipo Brent, que é a referência predominante da produção brasileira.
Cenário C
Maior volatilidade geopolítica e operacional, com risco elevado. Um noticiário muito politizado pode gerar instabilidade associada a sanções e logística, ampliando a volatilidade dos preços.
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