O golpe da falsa central
Golpe se espalha e expõe falhas na segurança dos dados dos consumidores
Sergio Araújo Nielsen
Em que pesem os esforços das instituições financeiras nacionais na área de segurança, parecem ser cada vez mais frequentes as notícias sobre o vazamento e acesso ilegal a dados bancários dos consumidores brasileiros.
O chamado golpe da falsa central de atendimento bancário consiste em fraude na qual o estelionatário se passa por funcionário da instituição financeira e, por meio de ligação telefônica, induz o correntista a realizar movimentações financeiras em favor de grupo criminoso.
Nessa hipótese, em face do decréscimo de seu patrimônio decorrente de falha nos mecanismos de prevenção bancários, configura-se dano moral passível de indenização.
Além da ligação telefônica, esse golpe também pode ser aplicado por meio das redes sociais, e-mail e SMS, sempre com um tom alarmante.
A ideia é passar a impressão de que sua conta foi invadida e que o suposto atendente esteja ali para te ajudar a minimizar o possível dano. Esse tipo de comportamento pode deixar a vítima bastante preocupada, sem perceber que se trata de uma fraude.
No caso do SMS, a mensagem pode simular uma compra recusada, com um número de telefone para que a vítima entre em contato para resolver a situação. O telefone falso cai direto na chamada com os farsantes.
Geralmente, o primeiro contato propõe resolver algum problema, como uma transferência ou Pix. Em alguns casos, os criminosos pedem para que a vítima realize novamente a transação, mas direcionada para a conta dos golpistas. Em outros, solicitam uma série de dados pessoais, como CPF ou número do cartão de crédito.
Vale destacar que, para o contato parecer mais real, os criminosos podem até mesmo citar algumas informações verdadeiras, obtidas em vazamentos de dados ou por meio de pesquisas em redes sociais.
Para aqueles que foram vítimas do golpe da falsa central de atendimento, a recomendação inicial é contestar imediatamente todas as transações fraudulentas perante a instituição financeira responsável pela conta e, na sequência, registrar boletim de ocorrência, o qual será documento essencial em eventual litígio.
Se possível, o cliente deverá anotar todos os números de protocolo e guardar todos os documentos relativos à contestação e, se for o caso, procurar um advogado de sua confiança.
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