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PAPO DE FAMÍLIA

Mãe, me perdoe

A maternidade nem sempre vem embalada com laço de fita

Cláudio Miranda | 11/05/2026, 10:25 h | Atualizado em 11/05/2026, 10:28
Papo de Família, por Cláudio Miranda

Cláudio Miranda

Claudio Miranda é terapeuta individual e familiar, psicopedagogo clínico, pós-graduado pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto - USP

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A mãe é uma forte referência na educação e na estruturação da personalidade de uma criança. Não há um curso ou uma escola em que se ensina uma mulher a ser mãe. A maternidade acontece no dia a dia experimentando, fazendo, errando, acertando e errando de novo.

Não há um jeito certo, porque todo modo de ser mãe está certo, a manifestação desse amor não erra. É como trocar os pneus do carro com ele em movimento. No decorrer do tempo na relação mãe e filhos acontecem exigências, expectativas que nem sempre a mãe consegue suprir nas carências e necessidades do filho. Independentemente da idade é muito comum filhos adultos ainda terem expectativas em relação às mães.

Muitos às culpam pelos erros e fraquezas ao longo da vida com eles. Esse filho passa a ser um cobrador insistente por toda vida, esquecendo-se que sua mãe também tem anseios, desejos e sonhos. A maternidade nem sempre vem embalada com um lindo laço de fita.

Há filhos que esperam que a mãe seja perfeita. É aí que começam as cobranças de como elas deveriam ter agido e o que deveriam ter dado para eles.

O filho adulto, muitas vezes, transforma-se em um cobrador que percorre a vida com uma lista mental de tudo o que a mãe deixou de fazer, de tudo o que ela poderia ter dado e não deu, de todas as falhas que ela cometeu na difícil e solitária arte de educar.

Ele reclama da mãe ausente, mas raramente se pergunta: o que tirava a mãe de perto? Trabalho excessivo? Falta de rede de apoio? Um casamento desgastado? Depressão não tratada? Frustração na sua realização pessoal?

A mãe, antes de ser mãe, é uma mulher. E como toda mulher, ela tem anseios, desejos, medos e limites. Ela pode ter sido rígida demais porque foi criada assim.

Pode ter sido ausente porque precisava sustentar a casa sozinha. Os erros maternos, na maioria das vezes, não nascem da maldade ou da negligência deliberada. Nascem da precariedade da própria experiência humana.

Existem filhos adultos que continuam emocionalmente presos à mãe como se ainda tivessem 7 anos. Ele não percebe que o tempo passou e continua esperando que a mãe supra carências que, na verdade, só ele mesmo pode preencher. Há filhos que cobram uma infância perfeita que existiu apenas na sua imaginação.

Se você fosse pedir desculpas para a sua mãe, o que você diria para ela, mesmo que já tenha falecido? Mãe me perdoe: “por não ter te abraçado mais”, “por ter feito você chorar”, “por ter te julgado sem saber a sua história”, “por ter sido injusto”, “por ter te perdoado tarde demais”, “por ter sido ríspido com você”, “por não ter dito 'eu te amo' enquanto dava tempo”, “eu não sabia o peso que você carregava”.

Perdoar a sua mãe é permitir que ela também tenha tido um dia ruim. Que ela também tenha errado por cansaço, não por crueldade. Que ela também tenha desejado sumir por um instante, porque ser mãe é exaustivo.

Que ela também, lá no fundo, tenha feito o melhor que sabia com as ferramentas que tinha e que muitas vezes essas ferramentas eram poucas e cegas. Sua mãe não precisa ser perfeita para ser amada, e você não precisa ser uma vítima eterna para ser acolhido.

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