Mães de arame e mães de pelúcia
Afeto e presença são essenciais para o desenvolvimento emocional das crianças, muitas vezes mais do que as próprias necessidades materiais
Cláudio Miranda, terapeuta de Família e Psicopedagogo Clínico
Claudio Miranda é psicopedagogo clínico, especialista em distúrbios de aprendizagem, com formação pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo e atuação no Ambulatório de Psicologia Infantil do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto. Especialista em TDAH, dislexia, autismo e outros transtornos do desenvolvimento, com publicação na Revista da FMRP-USP.
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Assim que nasce o bebê, os pais se desdobram em cuidados para que suas necessidades sejam supridas e não falte nada ao filho. É assim em tudo que diz respeito à alimentação, higiene, saúde e escola. É providenciado para o perfeito desenvolvimento daquela criança.
Vemos hoje, pais e mães demasiadamente envolvidos com o trabalho e pouco ou nenhum tempo disponível para o contato físico e emocional no convívio com seus filhos. Muitas famílias delegam esse trabalho para as escolas, babás, empregadas e outros profissionais.
Em 1958, o psicólogo Harry Harlow chamou muita atenção com sua pesquisa ao mostrar que o afeto é uma necessidade biológica mais importante até do que o alimento.
Ele separou filhotes de macacos rhesus e lhes deu a escolha entre duas mães substitutas: uma de arame com leite e outra de pelúcia, macia, mas sem comida.
O resultado demonstrou que os macacos só iam à mãe de arame para não morrer de fome, mas passavam a maior parte do tempo agarrados à mãe de pelúcia buscando conforto e segurança.
Ficou claro que o vínculo emocional é importante e que o toque é um regulador essencial para o desenvolvimento saudável de uma criança.
Se compararmos essa pesquisa com a realidade de muitas famílias nós encontraremos por aí mais mães de arame ou de pelúcia?
Não se trata de gerar nenhum sentimento de culpa para si como mãe e nem de um filho culpar os pais pela ausência que eles tenham vivido.
O vínculo entre mãe e filho e mesmo com o pai vai além do alimento. Seus filhos necessitam de segurança emocional e proteção.
O afeto desempenha um papel crucial em um desenvolvimento saudável. A ausência de alguém que proporcione esse cuidado e segurança poderá resultar em problemas emocionais e comportamentais na infância e até na vida adulta.
Tem muita gente adulta por aí que vive com essa fome de contato, de aconchego e de pele. Muitos têm comida na mesa, sucesso na carreira, conta bancária invejável, mas vive com sistema psicológico abalado porque nunca teve um lugar seguro em que pudesse se proteger.
Na nossa caminhada nos encontramos com outros “pais de arame” e tudo se confunde num padrão de normalidade doentia e desequilibrante.
O apego seguro, que se forma quando a criança se sente emocionalmente protegida e acolhida por uma figura materna ou paterna, promove o desenvolvimento de confiança e segurança.
Crianças com relação familiar acolhedora tendem a se socializar e a desenvolver relações emocionais estáveis e saudáveis.
Por outro lado, a privação de afeto e de segurança emocional pode resultar em problemas emocionais significativos, como ansiedade, insegurança, dificuldade em formar laços sociais e até mesmo depressão.
Pais que são excessivamente focados em trabalhar, fazer dinheiro e construir patrimônio, perdem uma valiosa oportunidade de estabelecer um vínculo emocional positivo com seu filho.
Se você tem filhos e não os prioriza, você pode estar criando um vazio emocional que eles levarão isso com eles para sempre. A terapia é um ótimo caminho de ajuda, superação e desconstrução de traumas e carências que te impedem de viver melhor.
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