Sem inimigos, sem conquistas
Em uma sociedade marcada por diferenças, posicionar-se é inevitável para combater injustiças e promover mudanças
Cláudio Miranda, terapeuta de Família e Psicopedagogo Clínico
Claudio Miranda é psicopedagogo clínico, especialista em distúrbios de aprendizagem, com formação pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo e atuação no Ambulatório de Psicologia Infantil do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto. Especialista em TDAH, dislexia, autismo e outros transtornos do desenvolvimento, com publicação na Revista da FMRP-USP.
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Em geral, a educação que recebemos na infância é de que devemos viver pacificamente e sem causar transtornos à coletividade a nossa volta. Contudo, num mundo de interações, relacionamentos e de ideias, há momentos em que se posicionar é saudável e necessário.
Cada pessoa com quem você convive, na família, no trabalho, na escola e na sociedade tem em si as crenças e valores assimilados ao longo de sua vida.
Se alguém sustenta um pensamento discriminatório à determinadas pessoas, grupos e instituições, alguém terá que atuar contra essa ideia. Sendo assim, o enfrentamento de crenças e costumes equivocados serão necessários.
A transformação das sociedades se faz no atrito das ideias e nas divergências de pensamentos. O enfrentamento então, é inevitável. Às vezes, as guerras e as lutas, têm o seu sentido na superação do mal.
É comum dizer que quem vem de um lugar privilegiado tende a não perceber o ponto de vista e a dor do outro.
Há quem diga que não tem inimigos. Talvez, por que vivam uma vida de concessões e aceitação demasiadamente passiva. Quem se envolve na luta do dever, sofrerá a sua dor e certamente terá inimigos.
Quem não os tem, realizou pouco trabalho e vive uma vida de conformidades, aceitando demasiadamente as regras, leis e padrões pré-estabelecidos.
Muitas vezes alguém invadirá o seu espaço e tentará importunar a sua vida. Você precisará determinar um limite de ação do outro.
O enfrentamento se faz necessário, não exatamente com agressão física, mas com colocação de um limite e com posicionamento. Na vida social, cada um deve saber os próprios limites de ação com o outro.
Ouvir alguém falar de forma discriminatória e não retrucar a pessoa para não gerar atrito e constrangimento é o mesmo que aceitar a opinião dela em silêncio por medo e por covardia.
Vivemos em um mundo em que o mal é usado e o bem é tímido. Quando o bem não se posiciona ele se torna um mal silencioso e passivo.
Quem mais é criticado é quem mais faz e confronta quem quer lhe calar. Quem não faz os devidos enfrentamentos aos seus opositores, essa pessoa viverá sendo oprimida e impedida de atuar como agente de transformação na sociedade.
Quem não tem inimigos e não recebe críticas ao seu trabalho e à sua ação é alguém que aceitou viver à sombra aceitando toda forma de imposição.
Precisamos lutar a boa luta e estarmos prontos para a “guerra” contra a discriminação, o ódio e o egoísmo que surge a cada dia.
Uma pessoa não consegue se afirmar sem produzir conflitos. É um preço que se paga no embate, mas você se beneficia dele. É libertador e fortalecedor quando se supera um obstáculo.
Às vezes, na sua luta, você compromete alguns vínculos, escolhas e sofre em silêncio.
Mas toda ação que fizer produzirá efeitos. E nem todo efeito é confortável. Vem a frustração, as contrariedades e o medo. Você perde aquela fantasia de ser bonzinho e aceito por todos.
Sustentar um lugar de luta implica em aceitar as perdas que isso desencadeia. Não dá pra decidir um caminho sem decepcionar alguém.
Não existe posição sem custo e sem um preço, e isso nem todos estão prontos a pagar.
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