O novo golpe da “falsa audiência”
Golpe da falsa audiência usa dados reais da Justiça para enganar vítimas e extorquir valores via Pix
Sergio Araújo Nielsen
Com o avanço das tecnologias digitais e o acesso remoto aos sistemas judiciais, aumentaram também as tentativas de fraude envolvendo o nome da Justiça brasileira.
O golpe da falsa audiência, frequentemente associado ao “golpe do falso advogado”, utiliza dados reais de processos públicos para enganar vítimas via WhatsApp, solicitando pagamentos via Pix sob pretexto de custas ou liberação de valores.
Criminosos se passam por advogados, criando urgência e usando links falsos, pedindo depósitos em contas de terceiros.
Para enganar uma vítima de Osasco (SP), além de fingirem ser advogados, os estelionatários produziram uma audiência judicial e conseguiram tirar R$ 4,6 mil do homem.
Os criminosos utilizaram dados verídicos de um processo judicial no qual a esposa da vítima era parte, além de utilizar número de protocolo e também o nome da advogada que cuida do processo. Para tentar recuperar o prejuízo, o rapaz recorreu ao Judiciário e processou a instituição financeira.
A abordagem dos criminosos teve início pelo WhatsApp, com perfil clonado de um escritório de advocacia.
O atendimento inicial foi feito por uma mulher e ela comunicou uma decisão judicial favorável à vítima, com a liberação de R$ 91.936.
Em seguida, ela mandou um documento e fez uma chamada de vídeo. Tratava-se da falsa audiência judicial, onde, além dela, havia mais duas pessoas, uma delas se identificando como juiz.
Na reunião virtual, a vítima foi induzida a zerar sua conta bancária e transferiu o saldo que tinha via Pix. Essa era a condição para ela receber o montante mencionado anteriormente.
Após a transação, os criminosos continuaram a exigir comprovantes, e essa situação fez a vítima desconfiar. Depois, ligou para seu advogado e descobriu que tratava-se de uma falsa audiência judicial, ou seja, era golpe.
Ao acionar seu banco, foi informado da impossibilidade de recuperar o dinheiro. Ele, então, fez boletim de ocorrência e processou a instituição financeira que recebeu o valor. Além dos danos materiais, pediu indenização por danos morais.
Caso esteja passando por esse mesmo problema, procure o seu verdadeiro advogado, formalize um boletim de ocorrência, faça contato com a sua instituição financeira para contestar as transações e, caso não consiga solução administrativa, ingresse com uma ação judicial.
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