Índice Fipezap: aluguel de imóvel fica em um ano 15,46% mais caro
Média em Vitória é de R$ 52,10 o metro quadrado, a 7ª maior alta entre as cidades brasileiras, devido a escassez e valorização
O preço do aluguel subiu em Vitória em 2025, aponta o Índice FipeZap de Locação, elaborado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe).
O aumento no preço foi de 15,46% entre 2024 e 2025, chegando a R$ 52,10 o metro quadrado na capital capixaba.
O levantamento da fundação reflete os anúncios publicados em plataformas digitais, coletados e rankeados pelos pesquisadores.
A escassez de imóveis para alugar, devido à grande procura, é o principal motivo para o aumento no valor do aluguel, segundo o presidente do Sindicato dos Corretores de Imóveis no Espírito Santo (Sindimóveis-ES), Erivalton Moreira.
“Temos fila de pessoas procurando imóveis e aguardando na imobiliária. Para você ter uma ideia, quando veem caminhão em mudança, eles já tentam pegar o contato com o proprietário direto para não perderem o imóvel”, conta o corretor.
A tendência, segundo Moreira, é não abaixar os valores, mas se manter ou até mesmo aumentar ainda mais nos próximos anos.
Há uma tentativa de não aumentar o preço do aluguel, comenta o corretor. Mas a pressão do mercado pela alta procura tem forçado esse movimento.
“Com aumento da tabela nos valores para compras, isso piorou, porque as pessoas preferem, com isso, pagar aluguel”, aponta.
O preço de venda do imóvel residencial em Vitória teve uma variação positiva de 15,13% em 2025. Para o diretor da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi-ES), Fabiano Martins, esse aumento também explica essa alta no aluguel.
No entanto, ele alerta para os riscos de uma “falsa sensação” de que se pratica preços altos em todos os lugares da capital, tanto para aluguel quanto para venda.
“Em Vitória, os anúncios estão concentrados em bairros de metro quadrado mais elevado, como Praia do Canto, Barro Vermelho e Jardim Camburi, enquanto que em outras cidades, principalmente as grandes capitais, esses anúncios estão mais espalhados”, diz.
Para ele, muitas vezes não basta comparar apenas um número de uma cidade com a outra.
Cadastro pode mexer nos preços, afirma especialista
Historicamente, muitos contratos operavam com valores subdeclarados ou sem registro para evitar impostos. Com o risco de malha fina quase imediato trazido pelo Cadastro Imobiliário Brasileiro (CIB), o proprietário é forçado a formalizar a renda, o que elevará o valor do aluguel.
O CIB vai atuar como um “choque de formalização”. Ao criar um “CPF do Imóvel” e cruzar dados de cartórios, prefeituras e contas de consumo, como de energia e água, ele fecha o cerco contra a informalidade.
Além disso, quem tem quatro ou mais imóveis para alugar ou recebe mais de R$ 240 mil por ano com aluguel passa a pagar dois novos tributos: IBS ( estadual/municipal) e CBS (federal), além do IR.
Ao fazer o formalizar a renda, o proprietário passa a ter um custo tributário que pode chegar a 27,5% no Imposto de Renda, segundo o advogado especialista em Direito Imobiliário, Alencar Ferrugini.
“Sim, pode elevar o valor. A tendência natural do mercado é repassar esse 'custo de legalidade' para o preço final do aluguel. Além disso, existe uma precificação antecipada de risco referente à futura Reforma Tributária (IBS/CBS), fazendo com que locadores subam os preços hoje para se protegerem de incertezas fiscais futuras”, explicou.
Saiba mais
Levantamento
O Índice FipeZap de Locação encerrou o ano com valorização média de 9,44%, de acordo com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe).
o aumento voltou a superar com folga a inflação, reforçando a pressão sobre os inquilinos e a capacidade do segmento de manter preços altos, mesmo em um cenário de desaceleração econômica.
O preço médio do aluguel ficou bem acima do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) apurado pelo IBGE, que subiu 4,26%.
Há ainda contraste maior com o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), da Fundação Getúlio Vargas (FGV), que historicamente é o indicador usado como referência contratual – recuou 1,05% no ano passado.
O metro quadrado mais caro, segundo o levantamento, fica em Barueri (SP), a R$ 70,35. Já o mais barato fica em Pelotas (RS), estimado em R$ 22,42.
Ranking de valorização
Teresina (PI) — +21,81%
Campinas (SP) — +19,92%
Pelotas (RS) — +18,81%
Belém (PA) — +17,62%
Aracaju (SE) — +16,73%
Niterói (RJ) — +16,27%
Vitória (ES) — +15,46%
São José do Rio Preto (SP) — +15,41%
João Pessoa (PB) — +15,31%
Cuiabá (MT) — +14,61%
Preços por metro quadrado
Barueri (SP) — R$ 70,35
Belém (PA) — R$ 63,69
São Paulo (SP) — R$ 62,56
Recife (PE) — R$ 60,89
Florianópolis (SC) — R$ 59,77
Santos (SP) — R$ 57,95
São Luís (MA) — R$ 57,69
Rio de Janeiro (RJ) — R$ 54,96
Maceió (AL) — R$ 54,86
Vitória (ES) — R$ 52,10
Salvador (BA) — R$ 51,51
Brasília (DF) — R$ 50,77
Campinas (SP) — R$ 50,68
Fontes: InfoMoney e G1
MATÉRIAS RELACIONADAS:
Comentários