Banco Master: Fundo Garantidor de Crédito já recebeu 600 mil pedidos
Governo federal avalia dar ao BC autorização para fiscalizar fundos de investimentos, atribuição que hoje é da CVM
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que o governo avalia uma proposta apresentada por ele para ampliar o poder de atuação do Banco Central, incluindo a possibilidade de o BC passar a fiscalizar fundos de investimentos — atribuição que hoje cabe à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
A discussão vem no momento em que as investigações do caso Master apontam para o uso de fundos como parte da estrutura do fluxo de recursos. As apurações indicam que o Master concedia empréstimos a empresas que, logo depois, repassavam quase a totalidade dos recursos a fundos administrados pela Reag, compostos por papéis de baixo valor.
Segundo o ministro, a complexidade crescente do sistema financeiro exige uma revisão do modelo de supervisão: “O BC tem que ampliar o seu perímetro regulatório e passar a fiscalizar os fundos. Existe hoje uma intersecção muito grande entre fundos e finanças, e isso tem impacto até sobre a contabilidade pública, por exemplo”.
Dentro do BC, a regulação dos fundos também já estava no radar. Há uma preocupação com os riscos para economia popular, uma vez que os fundos são formados por vários cotistas, inclusive pessoas físicas, que poderiam ser prejudicadas em caso de algum evento inesperado.
Os fundos acabam sendo credores de empresas de algumas formas. Seja diretamente, por exemplo, via debêntures — que são títulos de dívida emitidos por companhias para captar recursos.
Outra forma de fundos absorverem dívida privada é via securitização de carteiras de crédito de bancos. Nesse caso, os fundos “compram” a dívida e a transformam em títulos negociáveis no mercado.
Outro ponto de atenção para o BC é a própria supervisão dos bancos, já que é prática comum embalar a carteira de crédito em títulos negociáveis no mercado (securitização) e transformá-la em cotas de fundos, retirando o passivo do balanço das instituições financeiras.
Ao comentar o caso Master, Haddad afirmou que não há risco sistêmico para o sistema financeiro, mas ressaltou a gravidade do prejuízo envolvido e a necessidade de responsabilização.
“Isso tem que ser apurado. Não existe nenhum risco sistêmico envolvendo o Banco Master. O que existe é a questão de cobrir o rombo pelo FGC, é um valor muito substancial. As pessoas precisam saber para onde foi esse dinheiro.”
Saiba mais
O que está acontecendo
O Fundo Garantidor de Créditos começou a pagar os credores do Banco Master, instituição liquidada pelo Banco Central em 2025.
Cerca de 150 mil pessoas físicas e jurídicas devem receber valores neste primeiro lote.
Quanto o fundo garante
O ressarcimento é de até R$ 250 mil por pessoa ou empresa, por instituição financeira.
Valores acima desse limite entram na massa a ser liquidada judicialmente.
Quais investimentos têm garantia
Conta-corrente
Poupança
Certificado de Depósito Bancário
Letra de Crédito Imobiliário
Letra de Crédito do Agronegócio
Como funciona o pagamento
O liquidante do Banco Master envia ao Fundo Garantidor de Créditos a lista de credores e valores.
Esse processo costuma levar cerca de 30 dias, em média. Após receber a base consolidada, o fundo libera o sistema para solicitação da garantia.
Como pedir o ressarcimento
Pessoas físicas devem usar o aplicativo do Fundo Garantidor de Créditos.
Pessoas jurídicas fazem o pedido pelo site oficial do fundo.
É necessário fazer cadastro, conferir o valor e assinar digitalmente o termo de solicitação.
Todo o processo é 100% digital, sem atendimento presencial.
Acompanhamento
Pessoas físicas acompanham o processo pelo aplicativo.
Empresas acompanham pelo site do fundo.
Alertas importantes
O Fundo Garantidor de Créditos não cobra taxas, não antecipa pagamentos e não usa intermediários.
Não há contato por WhatsApp ou SMS.
Qualquer comunicação ocorre apenas pelos canais oficiais.
Situação do Banco Master
Com a liquidação, o banco está impedido de operar.
Contas e aplicações ficam suspensas, mas os saldos são preservados.
O cliente deixa de ser correntista e passa a ser credor, aguardando pagamento conforme a apuração dos ativos.
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