O que está por trás da nova orientação alimentar dos EUA?
Tudo o que você precisa saber para uma alimentação saudável no dia a dia
Gabriela Rebello
Gabriela Rebello é nutricionista, especialista em saúde feminina, estética, nutrição esportiva e comportamento alimentar. Colunista de A Tribuna, professora e coordenadora do curso de Nutrição em instituição de ensino superior, integra o quadro de nutricionistas do Hospital Albert Einstein na Grande Vitória, unindo ciência, prática clínica e cuidado humano.
Quando a imagem fala mais alto que a ciência: o que está por trás da nova orientação alimentar dos Estados Unidos? Você já parou para pensar que uma simples imagem pode mudar a forma como milhões de pessoas comem todos os dias? Nos últimos dias, os Estados Unidos atualizaram suas orientações alimentares, trazendo uma reformulação visual que, à primeira vista, parece moderna, prática e fácil de entender. Mas será que toda simplificação é, de fato, benéfica?
Quando o assunto é alimentação e saúde pública, imagens nunca são neutras e essa discussão precisa ir além do design. Nos EUA, as diretrizes alimentares são revisadas periodicamente com o objetivo declarado de orientar a população a fazer escolhas mais saudáveis.
A nova atualização aposta novamente em um modelo visual forte, com destaque para grupos alimentares específicos, sobretudo proteínas de origem animal e fontes de gordura.
O problema é que, ao priorizar uma mensagem visual simplificada, perde-se o espaço para nuances técnicas fundamentais: qualidade dos alimentos, grau de processamento, contexto social e impacto ambiental.
Em um país onde a indústria de carnes, laticínios e produtos ultraprocessados possui enorme poder econômico e político, é impossível ignorar que essas escolhas comunicacionais dialogam diretamente com interesses de mercado.
A ciência da nutrição não se resume a macros e calorias. Sabemos hoje que padrões alimentares ricos em gorduras saturadas e carnes processadas estão associados a maior risco de doenças cardiovasculares, inflamação crônica e distúrbios metabólicos.
No entanto, quando essas informações ficam diluídas em documentos técnicos extensos, enquanto a imagem principal sugere equilíbrio e segurança, cria-se um ruído perigoso.
A população tende a confiar no que vê primeiro, e não no que está escrito em detalhes. O resultado é uma leitura superficial que favorece interpretações convenientes ao consumo, mas nem sempre alinhadas à melhor evidência científica.
É aqui que o contraste com o Guia Alimentar para a População Brasileira se torna evidente. Diferente do modelo norte-americano, o guia brasileiro propõe uma abordagem mais crítica, social e inclusiva.
Ele não fala apenas de nutrientes, mas de comida de verdade. Valoriza alimentos in natura e minimamente processados, respeita a cultura alimentar, o território, a convivência à mesa e reconhece os determinantes sociais da saúde.
Ao alertar sobre os ultraprocessados e o papel da indústria, o documento assume uma postura ética rara em políticas públicas globais de alimentação.
Essa diferença não é apenas técnica, é política e social. Enquanto um modelo tende a individualizar a responsabilidade alimentar, “coma melhor, escolha certo”, o outro reconhece que o ambiente, o marketing e o sistema alimentar influenciam profundamente as escolhas.
Isso faz do guia brasileiro uma ferramenta mais protetora, especialmente para populações vulneráveis, que nem sempre têm acesso à informação completa ou a alimentos de alta qualidade.
Diante desse cenário, o papel do profissional de saúde se torna ainda mais estratégico. Não podemos tomar imagens, pirâmides ou pratos ilustrativos como verdades absolutas.
É preciso ler o documento completo, compreender quem o produziu, quais interesses estão em jogo e como traduzir essas recomendações para a realidade de cada pessoa.
Nutrição não é copiar modelos internacionais, mas interpretar ciência com ética, senso crítico e responsabilidade social. No fim das contas, a pergunta que fica é: quem ganha quando a mensagem alimentar é simplificada demais?
Se queremos promover saúde de verdade, precisamos ir além do que é bonito de ver e buscar o que é consistente de sustentar.
Informação de qualidade, senso crítico e comida de verdade continuam sendo os pilares mais seguros para uma sociedade mais saudável, mesmo quando a imagem diz o contrário.
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