Qualificação e até linha de crédito para entrar no ramo de vendas
Guarapari, Vitória e Vila Velha ampliam apoio aos vendedores ambulantes
A preocupação com a qualidade do turismo tem feito prefeituras investirem em cursos de capacitação e até mesmo linhas de crédito para profissionais do comércio ambulante.
Em Guarapari, a prefeitura realizou um evento, no último dia 12, para entregar crachás oficiais aos mais de mil ambulantes que se credenciaram para atuar nas praias da cidade em 2026.
Durante o evento, a prefeitura apresentou uma série de ações, incluindo a divulgação de condições de financiamento do programa Nosso Crédito, fruto de parceria entre governo do Estado, Banestes e a prefeitura.
As linhas oferecem juros a partir de 1,39% para pessoa jurídica e crédito de até R$ 15 mil para pessoa física, com taxas a partir de 1,59%, além de financiamentos de até R$ 21 mil e carência de até seis meses para início do pagamento.
“As ações apresentadas são muito positivas. Elas contribuem para o nosso serviço, e a forma como estamos sendo acolhidos faz muita diferença”, afirmou o ambulante Eduardo Miranda, que trabalha há mais de 10 anos com aluguel de caiaques na Praia do Meio.
Outra iniciativa realizada pelas prefeituras no Estado é a criação de cursos voltados para qualificar o trabalhos dos ambulantes.
No início do ano, a Prefeitura de Vitória realizou um curso com 150 vagas, em parceria com o Sebrae-ES, com o objetivo de qualificar os profissionais para o Carnaval de 2025.
Já em julho, foi a vez de Vila Velha realizar curso semelhante, em parceria com o Senac-ES e o Sebrae-ES, visando o trabalho para o verão de 2026.
O curso no município canela-verde durou até setembro, e foi direcionado aos 420 vendedores ambulantes cadastrados em Vila Velha. Os encontros foram realizados no Sebrae, na Praia da Costa. Também houve etapas complementares em diferentes datas.
Já o Senac-ES contribuiu com conteúdos relacionados a controle financeiro, precificação, apresentação pessoal e qualidade no atendimento ao cliente.
A participação na capacitação foi requisito para a continuidade da atividade profissional no município de Vila Velha.
Durante a formação, a Vigilância Sanitária Municipal abordou boas práticas no serviço de alimentação, enquanto técnicos da Posturas e do Sebrae-ES trataram de temas como regras de licenciamento, descarte adequado de resíduos e práticas empreendedoras.
Mais de 1.800 na Grande Vitória
Só na Grande Vitória, pelo menos 1.800 vendedores ambulantes estão em atividade, segundo as prefeituras da região. Em Vila Velha, são 420; em Guarapari, são mais de mil; e em Vitória são 387, sendo 74 deles food trucks. As prefeituras de Cariacica e Serra foram procuradas, mas não se manifestaram até o fechamento da edição.
O número pode ser ainda maior, já que há ambulantes que atuam sem regularização nos municípios.
Isley Gonçalves Barbosa, presidente da Associação de Camelôs e Ambulantes da Serra, diz que nos últimos anos o procedimento de fiscalização mudou bastante, e que a regra agora é o diálogo.
Dicas para trabalhar como sacoleiro(a)
Escolha do público
Moda praia, infantil, fitness, social, plus size, balada: as opções são muitas. E é aí que mora o primeiro erro de quem está começando: tentar vender “de tudo, para todo mundo”.
Escolha um nicho para você apostar e se especialize nele. Comece comprando algumas opções, avalie e só depois expanda seu negócio.
Defina valor da venda
Muita gente vai direto para as lojas achando que é só achar a peça mais barata.
Mas o ideal é fazer o caminho inverso: primeiro, entender o quanto aquele tipo de peça é vendido na sua região.
“As pessoas muitas vezes fazem o contrário: pesquisam quanto elas podem pagar primeiro. Na verdade, veja por quanto as pessoas estão vendendo aquele produto para que você tenha uma noção. Depois disso, você olha para quanto você tem que pagar para conseguir vender naquele preço. A partir disso, você pode começar a procurar os melhores fornecedores”, orienta Tyane Aline, ex-sacoleira que hoje presta consultoria para a área.
Veja onde comprar
O Brás, em São Paulo, é um dos principais centros de compras para os sacoleiros no Brasil.
Mas há outras opções, como Bom Retiro (SP), Barro Preto (Belo Horizonte) e até mesmo quem opte por atuar como sacoleiro “de Luxo”, trazendo itens da Europa.
Controle financeiro
Misturar o dinheiro da venda com contas pessoais é um erro comum e perigoso.
A dica é tratar o negócio como uma empresa — ainda que pequena.
Cuidado com outra cilada frequente: vender fiado para parentes e amigos.
Análise
“É preciso muita, mas muita disciplina”
“Ambulantes e sacoleiros ocupam um papel histórico na economia brasileira, principalmente em períodos marcados por desemprego elevado, já que é um setor que pode se transformar num negócio atrativo.
São profissionais que ajudam a movimentar cadeias produtivas e geram circulação de renda nos territórios, alimentando demandas locais e periféricas. Em suma, têm um papel importante na aproximação do consumo à população de baixa renda.
As barreiras de entrada são baixas ou até inexistentes. Não há necessidade de formação específica ou burocracia para iniciar o trabalho. Além disso, a autonomia é tentadora.
Porém, é preciso muita, mas muita disciplina, resiliência e dedicação, já que a informalidade acaba expondo esse profissional à ausência de direitos básicos, como previdência, proteção trabalhista e acesso regular ao crédito, por exemplo.”
Saiba mais
Venda de café
O vendedor Sanderley Vargas fatura em torno de R$ 300 por dia vendendo café num semáforo em Vila Velha. Ele relata ter sido motivado pela sogra a iniciar a atividade, após ter vendido tudo que tinha para tentar a vida nos Estados Unidos.
Sanderley conta que não conseguiu entrar no país por ter sido “sequestrado por um cartel mexicano”, e chegou a “morar nas ruas do México” até conseguir voltar ao Brasil.
Vantagens de ser ambulante
Uma das maiores vantagens do comércio ambulante é o baixo investimento inicial. Não há necessidade de alugar ou comprar um espaço físico fixo, o que reduz significativamente os custos.
Os ambulantes têm a liberdade de definir seus próprios horários de trabalho, podendo ajustar suas atividades de acordo com a demanda e suas necessidades.
A capacidade de se deslocar para diferentes locais permite que os ambulantes alcancem uma variedade maior de clientes.
Como trabalhadores autônomos, os ambulantes têm maior controle sobre suas operações, podendo tomar decisões rapidamente e adaptar suas estratégias.
Em comparação com negócios fixos, o comércio ambulante tende a enfrentar menos burocracia.
Desvantagens
A renda pode ser bastante variável, dependendo do clima, do fluxo de pessoas e de eventos locais. Isso pode resultar em períodos de alta e baixa de vendas imprevisíveis.
Trabalhar ao ar livre significa que os vendedores ambulantes estão sujeitos a condições climáticas adversas, que podem afetar as vendas e a própria saúde do vendedor.
Os ambulantes devem cumprir com as regulamentações locais e obter as licenças necessárias. A falta de conformidade pode resultar em multas, apreensão de mercadorias e até mesmo a revogação da licença de operação.
A ausência de um local fixo pode significar menos segurança para o vendedor e seus produtos, aumentando o risco de roubos e outros incidentes.
Os ambulantes não têm acesso à infraestrutura e comodidades que um ponto de venda fixo oferece.
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