Hospital busca voluntários para estudo contra hepatite B
Para participar, o candidato deve ter mais de 18 anos e ser uma pessoa com HIV e hepatite B crônica. Seleção será em março
O Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes, da Universidade Federal do Espírito Santo (Hucam-Ufes), conhecido como Hospital das Clínicas, está em busca de voluntários para um estudo internacional contra a hepatite B.
Para participar, o candidato deve ter mais de 18 anos e ser uma pessoa com HIV e hepatite B crônica (HBsAg reagente), ou seja, com coinfecção. A seleção começa na última semana de março.
Serão 35 pacientes selecionados, de acordo com a pesquisadora coordenadora responsável pelo estudo e professora da Ufes, Tânia Reuter.
“Estamos buscando essas pessoas com coinfecção, ou seja, portadores de HIV e hepatite B. E para este grupo, caso o paciente tenha iniciado o tratamento, tem de ser recente, com no máximo dois anos”, destacou.
Tânia explica que serão dois grupos, porém, o segundo grupo, composto por pessoas só com hepatite B crônica, já está com todos os pacientes pré-selecionados no próprio ambulatório.
A pesquisadora explica que o estudo não é um teste de uma nova medicação e não está vinculado a uma indústria farmacêutica.
“Essa pesquisa pretende estudar estratégias de cura. Acompanhamos os pacientes e nessas coletas que faremos, de sangue e células do sangue, serão desenvolvidas pesquisas que buscam marcadores e alvos de cura da hepatite B”.
A pesquisa, intitulada BICC, que busca desenvolver estratégias para alcançar a cura funcional da hepatite B, é patrocinada pela National Institutes of Health (NIH), Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos, em tradução livre.
“Com o sangue desses pacientes serão analisadas a genética do vírus e a genética das pessoas portadoras. Estudando essas amostras biológicas, conseguem-se desenvolver alvos celulares de cura. Para ter a cura é preciso saber onde o medicamento deve agir”, ressalta.
A partir desses alvos celulares é que uma indústria farmacêutica produz a medicação.
No total, cinco países participam: Brasil, com o Hucam-Ufes e a Universidade de São Paulo (USP); Índia, Senegal, Uganda e Estados Unidos, por meio da Universidade Johns Hopkins, que é o centro coordenador do projeto.
Duração
O estudo terá duração de cinco anos e será realizado no Ambulatório de Hepatites Virais, que será responsável pelo acompanhamento clínico e laboratorial dos pacientes.
Saiba mais
Estudo
O Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes da Ufes (Hucam-Ufes), conhecido como Hospital das Clínicas, está recrutando voluntários para um estudo clínico internacional que busca desenvolver estratégias para a cura funcional da hepatite B.
A pesquisa se chama BICC e é patrocinada pelos National Institutes of Health (NIH), dos Estados Unidos.
Objetivo
O estudo não testa uma nova medicação nem é vinculado a uma indústria farmacêutica.
A proposta é identificar marcadores biológicos e alvos celulares de cura da hepatite B, por meio da análise genética do vírus e dos pacientes.
Esses achados poderão orientar o desenvolvimento futuro de tratamentos mais eficazes.
Quem pode participar
Os participantes devem ter mais de 18 anos e se enquadrar em um dos dois grupos:
Pessoas com HIV e hepatite B crônica (HBsAg reagente), com início de tratamento há no máximo dois anos. Serão selecionados 35 pacientes no Hucam-Ufes para este grupo. O recrutamento começa no final de março.
Pessoas com hepatite B crônica, sem coinfecção por HIV (grupo já pré-selecionado no ambulatório).
É necessário estar em tratamento ou ter disponibilidade para tratar e ter capacidade de consentimento.
Não podem participar
Não podem participar pessoas com cirrose descompensada, câncer de fígado ou infecção ativa pelo vírus da hepatite C.
Duração
O estudo terá duração de cinco anos e será realizado no Ambulatório de Hepatites Virais do Hucam-Ufes, responsável pelo acompanhamento clínico e laboratorial dos participantes.
Durante a pesquisa, o paciente não irá tomar nenhuma nova medicação. Ele continuará fazendo uso da medicação de rotina ou iniciará a medicação, para aqueles que não começaram ainda.
Contato
Os interessados devem fazer contato pelo (27) 99920-3010 ou e-mail: [email protected].
Fonte: Hucam-Ufes.
Doença é silenciosa e pode causar danos ao fígado
Silenciosa na maior parte do tempo, a hepatite B é uma infecção viral que atinge mais de 300 milhões de pessoas no mundo e pode causar danos graves ao fígado.
Segundo o hepatologista Fabiano Furlan, a maioria das pessoas não apresenta sintomas. “Quando aparecem, podem ser inespecíficos, como cansaço, dor abdominal, náusea ou febre leve. O famoso ‘amarelão’ é raro”.
Cerca de 10% dos infectados desenvolvem a forma crônica, sendo que os pacientes podem ter câncer de fígado sem que tenham cirrose. “A gente descobre a doença fazendo exame laboratorial, que pode ser pedido por qualquer médico, mas o tratamento é com o hepatologista”.
A transmissão ocorre principalmente por relação sexual sem preservativo, contato com sangue contaminado – como alicate de unha – e da mãe para o bebê no parto.
A doença não tem cura, mas tem tratamento pelo SUS. O médico reforça que a principal forma de prevenção é a vacina, disponível gratuitamente no SUS e aplicada ainda na maternidade.
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