Mais de 16 mil pessoas no Espírito Santo já usam canetas para perder peso
Em 2025, as vendas de medicamentos injetáveis cresceram em ritmo histórico, impulsionadas pela eficácia nos resultados
Impulsionadas pelos resultados e pela popularização das chamadas “canetas emagrecedoras”, as vendas de medicamentos injetáveis cresceram em ritmo histórico em 2025.
No Estado, mais de 16 mil pessoas fazem tratamento com essas medicações para controlar obesidade e doenças como diabetes.
Dados da Close-Up International apontam que, somente em novembro de 2025, mais de 820 mil unidades dos medicamentos “agonistas de GLP-1” foram vendidas em farmácias brasileiras.
As medicações agem no organismo “imitando” um hormônio natural para controlar o açúcar no sangue e retardar a digestão, aumentando a saciedade.
Considerando que o Espírito Santo corresponde a cerca de 2% da população do País, estima-se que, no Estado, cerca de 16 mil pessoas faziam uso das medicações em novembro.
Entre as medicações comercializadas atualmente estão as populares semaglutida (como o Ozempic e o Wegovy), a tirzepatida (Mounjaro), entre outras.
Segundo a Close-Up, atualmente o País vive uma epidemia, sendo observado um aumento na prevalência de 77,4% em 15 anos.
No relatório elaborado, a empresa ressalta que o Mounjaro – da Eli Lilly – consolidou-se rapidamente como o produto líder em valor, com crescimento superior a 30% no último mês analisado.
A percepção de alta nas vendas também chega ao balcão das farmácias. Segundo a farmacêutica Natália Possatti, a procura pelas canetas já vinha crescendo, mas ganhou novo fôlego em meados do ano passado, com o Mounjaro. “Chega e sai rápido”, afirma.
Para a endocrinologista e presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia no Estado (SBEM-ES), Maria Amélia Sobreira Gomes Julião, a difusão das “canetas” representa uma mudança no tratamento da doença.
“A obesidade é condição reconhecida com CID, associada a quadros como diabetes, hipertensão, AVC e doença hepática. A conscientização tem contribuído para a procura pelas medicações”.
Segundo a médica, a classe do GLP-1 é considerada “disruptiva” pela possibilidade de reduzir de 15% a 20% do peso.
Para a nutróloga Mariana Comério, o uso das canetas cresceu porque o resultado percebido pelos pacientes é rápido e consistente. “É uma medicação revolucionária. O que impressiona é o controle sobre o apetite e a compulsão alimentar. Muitos pacientes que falharam por anos em outros tratamentos conseguem resposta”.
Segundo ela, a eficácia está levando, inclusive, pacientes a priorizarem o gasto. “Há quem substitua despesas com delivery e bebidas, mude padrão alimentar e reduza uso de remédios para hipertensão, colesterol ou diabetes”.
As medicações
Tratamento contra diabetes e obesidade
Moléculas, principais produtos e indicações
Liraglutida
Produtos Referência: Victoza e Saxenda (Novo Nordisk)
Produtos Similares: Olire e Lirux (EMS)
Indicações: Diabetes Tipo 2 e controle de peso
Semaglutida
Produtos Referência: Ozempic e Wegovy (Novo Nordisk)
Indicações: Diabetes Tipo 2 e controle de peso
Tirzepatida
Produtos Referência: Mounjaro (Eli Lilly)
Indicações: Diabetes Tipo 2 e controle de peso.
Patentes
Das medicações, a Liraglutida é a única que já perdeu a patente. Em 2025 foram lançados similares da EMS. A patente da Semaglutida expirará em março, apesar da Novo Nordisk ter entrado com pedido para estendê-la. Já a Tirzepatida ainda tem exclusividade do Eli Lilly até 2036.
Unidades vendidas
Novembro de 2025
Mounjaro: 477.022
Wegovy: 223.118
Ozempic: 95.217
Saxenda: 12.941
Trulicity: 7.953
Victoza: 4.704
Lirux: 123
Olire: 58
Total: 821.136
Como agem no corpo
Canetas emagrecedoras
Fazem parte de uma classe de medicamentos “agonistas” do GLP-1. Isso significa que essas medicações “imitam” o hormônio natural (GLP-1) para controlar o açúcar no sangue, estimular a produção de insulina, retardar a digestão e reduzir o apetite.
No caso da tirzepatida (Moujaro), ele se diferencia dos outros por ser um “duplo” agonista, ou seja, imita a ação tanto do hormônio intestinal GLP-1 quanto do GIP.
As medicações são aprovadas para tratamento de diabetes, assim como para controle do peso.
Para isso, devem ser usadas em conjunto com dieta de baixa caloria e aumento de atividade física, em adultos com obesidade ou com sobrepeso, na presença de pelo menos uma doença associada (por exemplo, hipertensão, colesterol alto, apneia obstrutiva do sono, doença cardiovascular e pré-diabetes).
Mecanismos de ação
Pâncreas
Estimulam a produção de insulina (que reduz glicose) e inibem a produção de glucagon (que aumenta glicose).
Estômago
Retardam o esvaziamento gástrico, prolongando a sensação de saciedade.
Cérebro
Atuam em áreas que controlam o apetite, diminuindo a fome e o desejo por comida.
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