ES tem mais de 2.600 pessoas na fila para transplante
Além da compatibilidade, o processo depende da autorização familiar, o que para especialista, é um dos grandes entraves
Dados da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) apontam que atualmente 2.663 pessoas estão na fila do transplante no Estado.
Além da compatibilidade, o processo depende da autorização familiar, o que, de acordo com a coordenadora da Central Estadual de Transplantes (CET-ES), Maria Machado, é um dos grandes entraves para a realização do procedimento.
“Infelizmente, o Estado ainda possui uma taxa de cerca de 50% de recusa das famílias. Sem essa autorização, o processo não pode andar, porque, pela legislação brasileira, a decisão é da família”.
Para o coordenador do programa de transplante hepático do Hospital Evangélico de Vila Velha, Francisco Nolasco, o caminho para mudar essa realidade é a informação.
“É importante deixar a vontade de ser doador bem clara para a família. No caso de potenciais doadores, é importante que os profissionais da saúde acolham bem a família e expliquem com clareza o diagnóstico de morte encefálica e o processo de doação”.
Maria reforça que, mesmo com as diversas tecnologias disponíveis, tudo depende de uma resposta positiva. “Diante da morte, existem duas possibilidades: o sepultamento ou a chance de dar continuidade à vida de outras pessoas por meio da doação de órgãos”.
Transplantes em 2025
662 pessoas receberam um novo órgão no Estado. O transplante mais realizado na rede pública estadual de saúde foi o de córnea (462). Em segundo lugar, aparece o transplante de rim de pessoas falecidas (75), seguido por fígado (63), rim de doadores vivos (27), esclera (22), coração (11) e transplante duplo (rim/fígado), que foram 2 em 2025.
É importante deixar claro para a família a vontade de ser um doador”, pontuou Francisco Nolasco, Coordenador do programa de transplante hepático do Hospital Evangélico.
Fila de transplantes
Atualmente, há 2.663 pessoas aguardando por um transplante de órgão ou córnea no Espírito Santo. Desse total, 1.600 pacientes estão na fila para receber uma córnea, 1.019 para rim, 41 para fígado e três para coração.
Passo a passo para a doação
Manifestação do desejo: A pessoa deve comunicar à família o desejo de ser doadora de órgãos, já que eles precisam autorizar o processo.
Diagnóstico de morte encefálica: O potencial doador está internado em hospital e passa por exames feitos por equipe especializada, que confirmam a morte encefálica.
Autorização da família: Com o “sim” da família, o processo de doação é oficialmente iniciado.
Avaliação clínica do doador: São avaliadas as condições clínicas e a viabilidade dos órgãos para transplante.
Registro no Sistema Nacional de Transplantes (SNT): Os dados do doador são inseridos no sistema informatizado nacional.
Cruzamento de dados: O sistema cruza informações do doador com a lista de receptores, considerando compatibilidade sanguínea, genética e gravidade.
Identificação do receptor compatível: O sistema aponta o paciente mais grave e mais compatível com o órgão disponível.
Convocação do paciente: O receptor é chamado com urgência para o hospital transplantador, onde realiza exames e é encaminhado para a cirurgia.
Acompanhamento: O paciente é acompanhado para avaliar o funcionamento do novo órgão.
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