Jovem que nasceu sem um rim comemora vida nova após transplante
Raiennedy dos Santos, de 26 anos, descobriu a condição aos 20, após mal-estar. Após cinco anos de espera, encontrou um doador
A estudante de Direito Raiennedy da Silva dos Santos, 26 anos, teve a vida transformada no ano passado após um transplante. Nascida com apenas um rim, ela passou a enfrentar problemas de saúde aos 20 anos, quando o funcionamento do órgão começou a apresentar problemas.
“Comecei a me sentir mal, com inchaço, tonturas e dores de cabeça. Percebi que tinha algo estranho e decidi procurar um médico para investigar”, conta.
Após os sintomas, Raiennedy foi diagnosticada com Doença Renal Crônica e entrou na fila de transplante de órgãos. Após cinco anos de espera, encontrou um doador e agora faz planos para o futuro. “Me sinto saudável e com muita vontade de viver. Quero me formar na faculdade e realizar meu grande sonho, que é conhecer a Espanha”.
Assim como ela, 662 pessoas receberam uma nova chance por meio do transplante no Estado em 2025, segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa). A coordenadora da Central Estadual de Transplantes (CET-ES), Maria Machado, explica que, até que um órgão chegue ao receptor, existe um processo que começa com a autorização da família.
“Após a confirmação da morte cerebral, a família precisa autorizar a doação. Assim, os dados do doador são inseridos no Sistema Nacional de Transplantes, que cruza informações com as dos receptores que aguardam na lista”.
Do outro lado, está um paciente que aguarda um órgão. “São pessoas que correm risco de morte. A prioridade é definida pela gravidade do caso, além do tipo sanguíneo e da compatibilidade genética”, disse Maria.
No Estado, o Hospital Evangélico de Vila Velha é referência em transplantes gratuitos. O coordenador de transplante hepático do hospital, Francisco Nolasco, afirma que os pacientes recebem atendimento multidisciplinar e são acompanhados mesmo após o procedimento. “Quando recebem alta, os pacientes seguem fazendo consultas de rotina para avaliar o funcionamento do novo órgão”, diz Francisco.
Presidente da Sociedade Brasileira de Nefrologia - Regional ES, Ramiele Souza diz que apenas entre O,03% e 0,05% da população nasce com rim único. Segundo ela, a condição exige cuidados. “É preciso ter atenção redobrada na prevenção de diabetes e hipertensão, além de evitar anti-inflamatórios”.
“Foram cinco anos esperando uma doação”
AT: Quando você recebeu o diagnóstico e a indicação de transplante?
Raiennedy: Por incrível que pareça, só recebi o diagnóstico aos 20 anos. Eu comecei a sentir muitas dores de cabeça e tinha muito inchaço. Quando procurei um médico, descobri minha condição e recebi a indicação do transplante.
AT: Como era sua rotina antes do transplante?
Raiennedy: Era complicada. Eu precisava fazer hemodiálise três vezes por semana e constantemente ficava internada por problemas de saúde. Era difícil manter uma rotina de estudos e trabalho.
AT: Você ficou por quanto tempo na fila para o procedimento?
Raiennedy: Foram cinco anos esperando uma doação de rim. Foi um período muito angustiante, porque eu tinha vontade de viver, viajar, e não conseguia porque precisava estar no hospital fazendo o tratamento.
AT: Como foi quando soube que tinham achado um doador?
Raiennedy: Eu quase não acreditei. Ligaram para o telefone do meu pai para avisar que tinha um rim disponível, e eu achei que era um trote (risos). Quando confirmamos que era real, saímos correndo para o hospital. Foi tudo muito rápido e a cirurgia aconteceu no mesmo dia.
AT: Como você se sente após a cirurgia?
Raiennedy: Foi uma verdadeira mudança de vida. Às vezes é até difícil acreditar que eu finalmente consegui. Minha autoestima melhorou e me sinto forte e muito saudável.
AT: Quais são os seus planos para o futuro?
Raiennedy: Tenho vontade de viver. Quero me formar e realizar meu grande sonho, que é conhecer a Espanha.
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