Atendimento por infertilidade masculina triplica no SUS
Registros passaram de 725, em 2015, para 2,5 mil em 2024. Uso de substâncias tóxicas e hormônios estão entre as causas do problema
Os homens são responsáveis por cerca de 40% dos casos de infertilidade entre os casais que não conseguem ter filhos. Dados indicam que a busca de atendimento relacionado ao problema tem crescido entre esse público.
Números do Ministério da Saúde mostram que os registros de atendimentos por infertilidade masculina no Sistema Único de Saúde (SUS) mais que triplicaram na última década: passaram de 725 em 2015 para 2,5 mil em 2024, o maior número da série. Em 2025, até setembro, já eram 1,5 mil.
Os dados, obtidos pelo portal G1, incluem atendimentos ambulatoriais e hospitalares e não representam pessoas únicas nem diagnósticos fechados, já que um mesmo paciente pode aparecer mais de uma vez nas estatísticas.
Para o urologista Camilo Milanez, o fato de ter mais atendimentos não significa que haja mais casos de infertilidade. Ele associa o aumento a uma melhora do sistema de atendimento do SUS.
“Na minha opinião, é um conjunto: melhora do atendimento do sistema e mudança de comportamento dos homens, que passaram a ter mais informação, de querer saber a causa. As duas coisas contribuem para o aumento dessa estatístico do SUS”, avalia.
Entre os principais fatores para a infertilidade masculina, Camilo pontua idade e hábitos de vida. “Os casais têm uma tendência a terem filhos mais tarde e isso contribui para a infertilidade, assim como sedentarismo, uso de substâncias tóxicas e de hormônios”, alerta.
Um problema crescente com impacto na fertilidade é o uso de anabolizantes, segundo os médicos.
“Os anabolizantes podem levar à redução na quantidade e qualidade dos espermatozoides, podendo ser até irreversíveis os efeitos na fertilidade masculina”, alerta a urologista Tatiane Escarpini.
O urologista Henrique Menezes ressalta ainda que obesidade, consumo de alimentos processados, tabagismo e etilismo também aumentam o risco de infertilidade.
“Lembrando também que a principal causa de infertilidade masculina é a varicocele, que são varizes na bolsa escrotal”.
Segundo a Sociedade Brasileira de Urologia, na maioria das vezes, a varicocele surge na adolescência, podendo impactar na fertilidade na fase adulta.
Idade do homem também interfere, dizem médicos
Ao contrário do que se pensava, a idade do homem também faz diferença na fertilidade.
“A idade importa, sim. Conforme o homem envelhece, a fertilidade piora, principalmente a partir dos 40 anos de idade”, alerta o urologista Henrique Menezes.
Hoje já se sabe, explica o urologista Camilo Milanez, que a partir dos 40 anos a qualidade dos espermatozoides — velocidade, forma e sem alteração genética — diminui bastante.
Ainda não estão definidas as causas da diminuição da fertilidade do homem com o passar dos anos. Entretanto, de acordo com a Associação Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA), existem diversas hipóteses, entre elas um dano ao DNA espermático, infecções, exposição a agentes poluentes e alterações hormonais com o avançar da idade.
Tratamento
Para os homens com infertilidade, a primeira recomendação, segundo o urologista Camilo Milanez, é a avaliação de um andrologista. “Pode ser que só a mudança de estilo de vida já seja o tratamento, ou que ele precise de hormônio, ou de cirurgia para a varicocele ou de técnicas de reprodução assistida”.
Já como forma de prevenção da fertilidade na juventude, o que pode ser feito pelo homem, de acordo com o urologista Henrique Menezes, é fazer atividade física, se alimentar bem, não fumar, evitar o uso de álcool, dormir bem e não fazer uso de hormônio com intuito anabolizante.
“O ideal é que o uso do hormônio seja apenas para a reposição em caso de déficit hormonal. É importante também acompanhar com urologista desde cedo, que é a melhor forma de prevenir a infertilidade”.
Saiba mais
Participação masculina na infertilidade
Os homens são responsáveis por cerca de 40% dos casos de infertilidade entre casais. A busca por atendimento médico relacionado ao tema tem aumentado entre o público masculino.
Crescimento dos atendimentos
Registros de atendimentos por infertilidade masculina no SUS:
2015: 725 atendimentos
2024: 2,5 mil atendimentos (maior número da série)
2025 (até setembro): 1,5 mil atendimentos.
Os dados incluem atendimentos ambulatoriais e hospitalares, e não representam pessoas únicas nem diagnósticos fechados. Um mesmo paciente pode aparecer mais de uma vez nas estatísticas.
Principais fatores de risco para infertilidade masculina
- Idade avançada
- Varicocele
- Sedentarismo
- Uso de substâncias tóxicas
- Uso de hormônios
- Obesidade
- Consumo de alimentos processados
- Tabagismo
- Etilismo (álcool)
Varicocele
Apontada como a principal causa de infertilidade masculina, caracteriza-se por varizes na bolsa escrotal.
Segundo a Sociedade Brasileira de Urologia, geralmente surge na adolescência. Pode impactar a fertilidade na fase adulta.
Entre os principais sinais e sintomas, estão a dor testicular, até um leve desconforto ou dor mais intensa na região escrotal, que pode piorar ao longo do dia, especialmente após longos períodos em pé ou durante atividades físicas.
Tratamento da infertilidade masculina
Primeira recomendação: avaliação com andrologista.
O tratamento pode incluir:
Mudança no estilo de vida,
Uso de medicação (quando indicado).
Cirurgia para correção da varicocele.
Técnicas de reprodução assistida.
Estado
A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) esclarece que a Atenção Primária à Saúde é a porta de entrada para a identificação do casal infértil.
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