Saiba como agia quadrilha que deu prejuízo de R$ 200 mil à vítimas do ES
Três suspeitos foram presos e polícia tenta localizar outros envolvidos
A Polícia Civil divulgou nesta quinta-feira (29) detalhes sobre a prisão de três suspeitos de integrar uma quadrilha que deixou um prejuízo de mais de R$ 200 mil a três vítimas no Espírito Santo. Segundo investigações, os criminosos faziam parte de uma organização criminosa que aplicava o golpe do falso bilhete premiado.
Luis Fernando do Carmo, Daniela Bottega Oliveira do Carmo e Gabrieli Aparecida de Oliveira Florão foram presos em janeiro, após investigações que começaram em novembro do ano passado, quando a polícia recebeu as denúncias das vítimas.
Com as informações passadas pelas vítimas, a polícia conseguiu identificar, a princípio, dois golpistas e o veículo utilizado por eles. Eles teriam vindo de Passo Fundo, no Rio Grande do Sul. Também ficou constatado que outros três golpistas estavam envolvidos, revezando suas participações.
“A partir disso nós detectamos que ali se tratava de uma organização criminosa. Continuamos as investigações e passamos a monitorar as ações desses estelionatários”, contou o delegado Jonathan Lana, adjunto da Delegacia Especializada de Crimes de Defraudações e Falsificações (Defa).
Em janeiro, a polícia detectou que os golpistas haviam voltado ao Espírito Santo, atuando da mesma forma que fizeram em novembro. Os suspeitos foram abordados e presos durante uma operação da polícia. Com eles foram localizados documentos falsos e um aparelho celular utilizado nos golpes. Eles foram autuados pelo crime de organização criminosa e as investigações continuam para localizar os outros envolvidos.
VÍTIMAS
A primeira vítima sofreu o golpe do dia 03 de novembro, perdendo R$ 3 mil reais. Ela tem 81 anos e é moradora do bairro Jardim da Penha, em Vitória. A segunda vítima, de 84 anos, perdeu R$ 70 mil, e a terceira vítima, de 73 anos, perdeu R$ 129 mil. Ambas são moradoras do bairro Praia da Costa, em Vila Velha.
COMO ERA APLICADO O GOLPE
O delegado explicou em detalhes como era aplicado o golpe, que começava com a vítima sendo abordada na rua. “Eles abordam a vítima perguntando se conhece algum escritório de advocacia ou algum advogado para indicar. Geralmente uma mulher jovem, bem aparentada, que passa para a vítima uma aparência de uma pessoa do interior”, contou.
Nesse momento, um segundo golpista chega fingindo não conhecer a comparsa. A primeira golpista faz a mesma pergunta a ele, pedindo indicação de advogado, explicando que tem um bilhete que acredita estar premiado. “Fala que é uma pessoa religiosa, do interior, que não conhece a capital e veio para resolver isso”, detalhou o delegado.
O segundo golpista oferece ajuda, dizendo ter um amigo na Caixa Econômica que pode confirmar o prêmio. Ele liga para o falso funcionário, ainda na presença da vítima, e o comparsa confirma o prêmio no valor de R$ 3 milhões, mas alega que a dona do bilhete precisa de duas testemunhas para que possa receber o valor.
Diante da questão, os golpistas passam a convencer a vítima a ajudar a mulher com o bilhete premiado. A falsa ganhadora, inclusive, fala que não irá receber o prêmio por motivos religiosos, e oferece que os dois retirem o valor em seu nome, mas paguem uma parte a ela, que seria usada para quitar dívidas.
“O outro estelionatário sugere dar um valor para pagar pelo bilhete e fica instigando a vítima, que fica convencida pelos argumentos. Eles têm muita lábia para convencer”, ressaltou o delegado.
Após convencer a vítima a receber o prêmio, a estelionatária que é a suposta ganhadora pede que o comparsa e a vítima entreguem o valor como garantia. “Para convencer essa vítima o comparsa dá o exemplo. Ele passa em casa e pega uma mala de dinheiro, que a gente não sabe se é dinheiro de verdade ou falso. Ele paga o valor para a estelionatária, como garantia do bilhete”, contou Jonathan.
Após, os dois comparsas, que fingem não se conhecer, pedem o valor à vítima, que realiza a transferência. Depois, os criminosos criam uma outra história para encerrar o golpe, declarando, por exemplo, que existe um procedimento e que a vítima irá receber o valor do prêmio após alguns dias.
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