Flagrado comércio proibido de remédio para perder peso no Espírito Santo
Medicamentos de uso controlado e frascos de produtos para emagrecer foram achados em mochila de motociclista na Serra
A apreensão de canetas emagrecedoras proibidas e anabolizantes na BR-101, na Serra, acendeu o alerta para o comércio ilegal de medicamentos e os riscos à saúde de quem faz uso dessas substâncias.
O material foi apreendido pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) na noite da última terça-feira, durante uma fiscalização de rotina a uma motocicleta.
Durante a verificação, os policiais localizaram dentro de uma mochila preta diversos medicamentos e substâncias de uso controlado e anabolizantes, entre eles 61 frascos de tirzepatida e uma caixa de retatrutida.
Esta última não possui uso aprovado em nenhuma parte do mundo. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já emitiu alertas sobre a proibição da substância.
No caso da tirzepatida, as “marcas” encontradas — como a T.G. — também têm a comercialização e a importação proibidas pela Anvisa.
Segundo a agência, por se tratar de produtos irregulares e de origem desconhecida, não há qualquer garantia sobre o conteúdo ou a qualidade. “Por isso, não devem ser usados em nenhuma hipótese”, ressaltou o órgão.
Além das canetas emagrecedoras, a PRF também apreendeu as substâncias drostanolona e estanozolol, ambos anabolizantes.
O condutor informou que os produtos foram adquiridos em João Neiva e que seriam levados para a Grande Vitória. Ele não apresentou receitas médicas nem notas fiscais que comprovassem a origem lícita dos medicamentos.
A inspetora Ana Carolina Cavalcanti explicou que, em tese, a conduta do motociclista pode se enquadrar como crime de tráfico de drogas, crimes contra a saúde pública e contrabando. O homem foi encaminhado à Polícia Civil, que dará sequência às investigações.
“A PRF tem intensificado a apreensão de canetas emagrecedoras, como Ozempic e Mounjaro, sem registro ou contrabandeadas, no Espírito Santo e em diversas regiões do Brasil”, afirmou a inspetora.
Ela destacou ainda a preocupação dos órgãos de segurança pública com os riscos associados ao uso de medicamentos contrabandeados e sem controle da Anvisa.
“Essa preocupação tem levado ao aumento das fiscalizações, com foco especial nos crimes de contrabando e descaminho, além da falsificação de medicamentos emagrecedores e substâncias controladas”, completou.
Médicos ouvidos pela reportagem também alertam para os riscos do uso dessas medicações ilegais.
Saiba mais
Apreensão
A Polícia Rodoviária Federal (PRF) abordou na noite da última terça-feira um motociclista na BR-101, na Serra.
dentro de uma mochila, foram encontrados diversos medicamentos e substâncias de uso controlado e anabolizantes, entre eles frascos de tirzepatida, drostanolona, estanozolol e retatrutida.
O condutor informou que os produtos foram adquiridos no município de João Neiva e que seriam levados para a Grande Vitória.
Não foram apresentadas receitas médicas nem notas fiscais que comprovassem a origem lícita dos medicamentos.
O que foi encontrado com o motociclista
Tirzepatida
Foram apreendidos 61 frascos de substâncias com rótulos de tirzepatida e de “marcas” importadas, principalmente do Paraguai.
Esses produtos, como da marca T.G e Lipoless, estão com a venda e importação proibidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Apesar de serem conhecidos como “canetas emagrecedoras”, as medicações são vendidas ilegalmente em ampolas.
A tirzepatida é produzida e comercializada no País legalmente com o nome comercial de Mounjaro, pela farmacêutica Eli Lilly, que tem a patente legal até por volta de 2036.
Retatrutida
Uma caixa foi apreendida com o rótulo de retatrutida.
A substância, apesar de ser considerada promissora para emagrecimento, não possui autorização da Anvisa ou de outras agências reguladoras para comercialização, já que ainda está em fase de estudos clínicos.
Drostanolona e Estanozolol
Substâncias anabolizantes de uso injetável. Têm uso proibido para fins estéticos, sendo vendidas apenas com retenção de receita especial.
Alerta para riscos
Emagrecedores
Médicos afirmam que, ao comprar medicamentos em que não se sabe a real procedência ou que não passam pelos critérios de segurança da Anvisa, não é possível saber a real composição desses produtos que se dizem tirzepatida ou retatrutida.
Não há qualquer garantia da qualidade desses produtos, por isso há riscos de complicações que vão desde alergias, lesões intestinais, náuseas, vômitos, constipação, diarreia, cefaleia a até casos graves que podem levar a mortes de pacientes.
Por não serem conhecidas as substâncias, eles alertam para consequências no futuro, de potencializar alguma doença, como pancreatite, doenças autoimunes ou outras.
Anabolizantes
Sem prescrição e acompanhamento médico, podem levar à insuficiência renal e hepática, além de infertilidade, calvície e depressão.
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