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ENTRE PRATELEIRAS

Game Over

Quando perder fazia parte do jogo

Jaques Paes | 05/01/2026, 08:00 h | Atualizado em 02/01/2026, 21:24
Entre Prateleiras

Jaques Paes

Executivo, mestre em gestão empresarial, consultor, mentor de profissionais em transição de carreiras e professor do MBA de ESG e Sustentabilidade da FGV



          Imagem ilustrativa da imagem Game Over
Jaques Paes é executivo, mestre em gestão empresarial, consultor, mentor de profissionais em transição de carreiras e professor do MBA de ESG e Sustentabilidade da FGV |  Foto: Divulgação

À meia-noite do dia 31 de dezembro, quase todos repetimos o mesmo gesto: viramos a página do calendário como se isso bastasse para virar um ciclo.

Tão certo quanto os ciclos são os ritos. A entrada na vida adulta, a passagem de uma faixa, a formatura, o casamento; tudo é feito para marcar uma passagem, um novo início.

Há uma ordem natural implícita nessas transições: o fim de um ciclo e o início de um rito. Entre ambos, quase imperceptível, esconde-se a resiliência. Uma capacidade de compreender que ciclos se encerram. Ela não é criada; é forjada em todo fim. Ser resiliente não é não desistir. É aceitar uma desconstrução. É saber quando é necessário recomeçar.

No tempo em que o controle do videogame tinha apenas um botão, havia uma clareza de limites que hoje se dissipou. Naquele tempo, perder fazia parte do jogo, e o recomeço da partida era um rito. Uma decisão consciente sobre se valia ou não a pena tentar de novo.

Game over nunca foi fracasso. Era um prelúdio de clareza. Não era um erro do sistema; era o próprio sistema ensinando, de forma incontornável, o limite entre insistir e aceitar que algo acabou.

Talvez em algum momento da nossa história tenhamos começado a confundir reinício com novo início, e o fim com fracasso, sobretudo quando ele não sai exatamente como planejamos. Mas não há reinício sem fim.

Resiliência não é sinônimo de aceitar tudo em nome do “nunca desistir”. A nossa racionalidade também opera sob limites. O rito do Ano Novo evidencia isso, estreitando o limite entre tentar de novo e aceitar que acabou.

O ano é novo, mas seguiremos jogando um jogo que já terminou?

A falta de resiliência nunca foi sinônimo de fracasso, ainda que existam narrativas empenhadas em nos convencer do contrário.

Erroneamente, em todos os mundos, profissional ou pessoal, resiliência virou sinônimo de absorção: suportar tudo, aceitar a contragosto, insistir contra as próprias possibilidades. Quando, na verdade, resiliência é não insistir até a deformação. Entender o entorno faz parte da racionalidade, assim como saber quando retornar à forma.

Isso ajuda a explicar como a permanência, muitas vezes, se sustenta mais pela tolerância ao desconforto do que por convicção.

Estamos sendo movimentados para uma estrutura onde tudo é desenhado para não acabar nunca. Uma insistência infinita, que exige um esforço contínuo e nos conduz à exaustão, à fadiga. Escolher ficou doloroso. Priorizar-se, ainda mais. Dizer não passou a soar como apertar o botão de ejeção do mundo.

Em nossas mãos, hoje, há controles com mais botões do que conseguimos administrar. Nosso limite parece estar permanentemente em prova.

Talvez por isso, encerrar ciclos tenha se tornado tão difícil.

Nunca um rito de passagem foi tão simbólico. E nunca a resiliência foi tão evocada como forma de consagração e, paradoxalmente, nunca esteve tão distante daquilo que de fato nos consagra: a capacidade de encerrar ciclos.

Não precisamos de mais uma vida. Precisamos apenas de um fim honesto.

Resiliência não é insistir. É saber quando encerrar.

Feliz game over!

Continuo o assunto nas redes: Instagram: @jaquespaes; LinkedIn: in/jaquespaes

Executivo, mestre em gestão empresarial, consultor, mentor de profissionais em transição de carreiras e professor do MBA de ESG e Sustentabilidade da FGV

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Esta coluna parte da ideia de que gestão, sustentabilidade, projetos e estratégia não vivem em gavetas separadas. “Entre Prateleiras” é o espaço onde essas fricções aparecem e onde decisões, narrativas e contradições se encontram. Seu propósito é trazer à superfície o que costuma ficar guardado para provocar conversas que façam diferença no mundo que a gente vê lá fora.