Inteligência Artificial vai fechar 118 mil empresas, preveem especialistas
Previsão é que o avanço tecnológico crie um abismo entre companhias que aplicam da forma mais adequada as ferramentas e as que não sabem utilizá-las
Consideradas um ativo estratégico no cenário de competição internacional, as ferramentas de Inteligência Artificial (IA) já começam a criar um abismo entre empresas também em um contexto regional.
Quem faz bom uso e acompanha as possibilidades proporcionadas pela IA dá um salto de vários anos à frente de quem fecha os olhos para a tecnologia. Empresas obsoletas ficarão, em um futuro próximo, em um “limbo”, como se fossem da idade da pedra.
Esse contexto é um alerta, por exemplo, do professor da Singularity University e autor de sete livros sobre o tema, Ricardo Cavallini.
A situação provocará, só no Estado, o fechamento de até 118 mil empresas, na previsão de especialistas. Negócios que não incorporarem essas tecnologias aos seus processos enfrentarão perdas de eficiência, competitividade e participação de mercado, resultando no fim das operações, nos casos mais severos.
Empresas consolidadas que não incorporarem IA correm risco real de perder competitividade e relevância, segundo Frederico Comério, CTO e Head de IA da Intelliway Tecnologia.
“Concorrentes mais ágeis e novos entrantes do mercado conseguirão reduzir custos, otimizar processos e oferecer melhores experiências aos clientes, criando uma lacuna estratégica que pode comprometer a sustentabilidade do negócio com o tempo”.
Nas estimativas de Comério, até 20% das 594.856 empresas do Estado atualmente ativas estão mais vulneráveis e irão enfrentar dificuldades estruturais significativas ou fechamento nos próximos anos se não avançarem na implementação de tecnologias digitais e de IA e automação de processos.
A especialista e consultora em Inteligência Artificial, Mariah Sathler, fundadora da Volura AI, reforçou que as empresas vêm adotando a IA pouco a pouco: às vezes dá errado, mas vão acertando. “É um processo de maturidade, e há a necessidade de que as lideranças busquem a inovação”.
Empresas de todos os setores estão vulneráveis a esse tipo de situação, mas Mariah disse que as pequenas podem ter dificuldades maiores.
O uso da IA para coleta, processamento e uso de dados, em vários segmentos, já é fundamental para entender, por exemplo, movimentos e comportamento dos consumidores, destacou Geferson Santos, diretor regional do Senai-ES. “Empresas que não embarcarem no uso de tecnologia certamente terão menor competitividade e custos mais altos”.
Os Números
Até 20% das empresas vão fechar
594.856 empresas ativas tem o Estado
“Vale-tudo” na implementação é armadilha
Existe uma forte pressão sobre gestores para adotarem soluções de Inteligência Artificial (IA) a qualquer custo. No entanto, a IA não faz milagres, conforme avaliou Jairo Lucas de Moraes, professor na Universidade Vila Velha (UVV) e CEO da Artsoft Informática.
“Sua aplicação exige processos bem definidos, objetivos claros, capacidade técnica adequada, dados de qualidade e, principalmente, a compreensão de que a IA não é capaz de resolver qualquer tipo de problema, em qualquer domínio”, afirmou.
A adoção da tecnologia motivada apenas por pressão externa, sem que o gestor compreenda os limites de um projeto de IA e seus requisitos (dados de qualidade, poder computacional, custos operacionais e mão de obra altamente especializada) é a receita perfeita para o fracasso, segundo Moraes.
“Atualmente, estima-se que cerca de 30% dos projetos de IA generativa (a IA da “moda”) são abandonados ainda na fase de testes, principalmente devido a problemas relacionados à qualidade dos dados, custos elevados e ausência de valor claro para o negócio”.
Na prática, a Inteligência Artificial não deve ser tratada como uma exigência ou solução universal, mas como uma ferramenta cujo valor depende do contexto do negócio, da maturidade organizacional e da clareza dos objetivos estratégicos, destacou o professor.
Saiba mais
Concorrência entre empresas
Muitas empresas postergam a adoção da Inteligência Artificial (IA), principalmente por ainda não compreenderem plenamente como extrair valor concreto dessas tecnologias, além de fatores como resistência cultural interna, escassez de profissionais qualificados, incertezas quanto a possíveis custos elevados e o próprio receio de errar, o que as leva a priorizar, no curto prazo, iniciativas menos disruptivas.
A IA permite automatizar processos, reduzir custos, melhorar a tomada de decisão com base em dados, personalizar ofertas e responder mais rapidamente às mudanças do mercado.
Sem essas capacidades, as empresas tendem a operar de forma mais lenta e cara, ficando em desvantagem frente a concorrentes mais ágeis e orientados por dados.
Defasagem
Com o tempo, essa defasagem tecnológica pode levar à perda de participação de mercado, à redução de margens e, em cenários mais extremos, à perda de relevância, a ponto de inviabilizar a continuidade do negócio.
O fechamento de empresas não ocorre exclusivamente por causa da IA, mas pela incapacidade de adaptação a um novo ambiente competitivo. A tecnologia, nesse contexto, atua como um acelerador das transformações do mercado, beneficiando quem investe em inovação e expondo fragilidades de modelos de negócio que já vinham perdendo eficiência.
Oportunidades
Por outro lado, a IA também cria oportunidades para novos modelos de negócio, startups enxutas e nichos especializados, tornando o impacto dependente do setor, da regulação e da capacidade de adaptação das empresas.
A adoção estratégica da Inteligência Artificial tem sido vista menos como uma opção e mais como uma condição para a sobrevivência no médio e longo prazo.
Setores mais impactados
Setores com forte dependência de processos repetitivos, intensivos em dados ou sensíveis à eficiência — como serviços financeiros tradicionais, varejo físico sem digitalização, manufatura clássica e setores logísticos — tendem a sofrer mais com o atraso na adoção de IA, pois a tecnologia redefine muito rapidamente a competitividade nesses mercados. Pequenas empresas podem ter maiores dificuldades, segundo especialistas.
Empresas com IA
41,9% das empresas
Com 100 ou mais pessoas ocupadas das Indústrias extrativas e de transformação utilizaram IA. Essa tecnologia não teve a maior taxa de utilização, mas foi a que mais cresceu: 25 pontos percentuais ante 2022 (16,9%).
As áreas que mais fizeram uso da Inteligência Artificial foram: Administração (87,9%), Comercialização (75,2%) e Desenvolvimento de projetos de produtos, processos e serviços (73,1%).
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