Dólar sobe e Bolsa cai com dados de emprego dos EUA e geopolítica em foco
A invasão à Venezuela no último final de semana e as implicações do ataque ao mercado internacional de petróleo também seguem norteando as negociações
O dólar está em alta nesta quarta-feira (7), com investidores ajustando apostas sobre a trajetória dos juros dos Estados Unidos após dados de emprego ficarem abaixo das expectativas.
A invasão norte-americana à Venezuela no último final de semana e as implicações do ataque ao mercado internacional de petróleo também seguem norteando as negociações. Às 12h54, a moeda avançava 0,21%, a R$ 5,392. Já a Bolsa recuava 0,87%, a 162.237 pontos.
O relatório de emprego da ADP apontou que os Estados Unidos abriram menos vagas de trabalho do que o esperado em dezembro. Ao todo, 41 mil postos foram abertos no setor privado, depois de 29 mil foram fechados em novembro. Economistas ouvidos pela Reuters previam a criação de 47 mil vagas.
O dado precede a divulgação do payroll, métrica oficial do mercado de trabalho norte-americano esperada para sexta-feira. Historicamente, a estimativa mensal da ADP tem divergido do resultado do relatório do governo, mas segue sendo observada de perto pelos operadores por oferecer pistas sobre o ritmo da economia.
O mercado tenta antever qual será a decisão de juros do Fed (Federal Reserve, o banco central dos EUA) no fim do mês. Até agora, a maioria dos investidores (82%) aposta em uma manutenção do atual patamar de 3,5% e 3,75%, segundo a ferramenta CME FedWatch. Os 18% restantes veem como mais provável um corte de 0,25 ponto percentual.
As atenções agora se voltam para a pesquisa Jolts, que sai no início da tarde e é o último dado do mercado de trabalho a ser divulgado antes do relatório de sexta-feira. Qualquer surpresa nesses indicadores pode alterar as expectativas sobre os juros do Fed e afetar o apetite dos investidores por ativos de risco.
"Novas quedas nas taxas de contratação e de demissão do Jolts reforçariam os sinais de piora na demanda por mão de obra", diz Elias Haddad, chefe global de estratégia de mercados da Brown Brothers Harriman. "Caso isso aconteça, validaria cortes de 0,5 ponto percentual precificados nos contratos futuros para 2026 e pressionaria o dólar."
Em paralelo, operadores seguem repercutindo a invasão dos Estados Unidos à Venezuela no final de semana.
O presidente Donald Trump revelou um plano para refinar e vender até 50 milhões de barris de petróleo venezuelano que estavam bloqueados sob embargo norte-americano, o que fez os preços do Brent, referência internacional, caírem nesta manhã. Por volta do 12h, recuavam 0,56%, a US$ 60,36 por barril.
"Este petróleo será vendido ao seu preço de mercado, e esse dinheiro será controlado por mim, como Presidente dos Estados Unidos da América, para garantir que seja usado em benefício do povo da Venezuela e dos Estados Unidos", publicou Trump em sua plataforma Truth Social. Os EUA consomem cerca de 20 milhões de barris de petróleo por dia.
O barril WTI (West Texas Intermediate), referencial usado nos EUA, chegou a cair até 2,4% após a declaração de Trump. Se o volume for confirmado, ele representaria de 30 a 50 dias da produção venezuelana antes do bloqueio parcial imposto ao país. Na cotação atual, o volume valeria US$ 2,8 bilhões (R$ 15 bilhões).
Segundo o jornal Financial Times, uma frota de petroleiros dos Estados Unidos deve começar carregar petróleo venezuelano nos próximos dias.
A notícia pegou o mercado de surpresa, afirma Davi Lelis, sócio da Valor Investimentos, porque tende a aumentar a oferta global de petróleo e, assim, a derrubar o preço da commodity globalmente. Os preços do petróleo caíram mais de 18% em 2025—a maior queda anual desde 2020—, em meio a crescentes preocupações com o excesso de oferta.
A Venezuela é dona da maior reserva de petróleo no mundo e é do grupo fundador da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo), mas sua indústria foi sucateada nos últimos anos e hoje produz menos de 1% do volume global.
No Brasil, o Congresso e parte das autoridades do Executivo ainda estão em recesso, mantendo a seara política de lado. O destaque fica com dados do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), indicador oficial da inflação no país, que serão divulgados na sexta-feira e poderão afetar as apostas sobre o rumo da taxa Selic neste primeiro trimestre.
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