Decisão de Trump pode favorecer empresas do aço
Presidente dos Estados Unidos avalia reduzir tarifas sobre o produto, o que pode beneficiar companhias do setor que atuam no Estado
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A possível decisão do governo dos Estados Unidos de reduzir a tarifa de 50% imposta sobre o aço e o alumínio exportados pelo Brasil ao país norte-americano pode destravar investimentos e criar empregos no Espírito Santo, avaliam especialistas.
O indicativo de queda na tarifa foi noticiado pelo jornal britânico Financial Times.
Setores ligados ao aço e a siderurgia no Estado — como a ArcelorMittal, a Samarco e as prestadoras de serviços desse segmento — podem voltar a vender mais ao destino comercial, além de recuperar parte da confiança de mercado.
A perda de popularidade dessa medida protecionista e uma maior abertura a negociações é um dos cenários visíveis a partir desse indicativo, avalia a internacionalista e gerente de Estudos Estratégicos do Observatório da Federação das Indústrias do Estado (Findes), Carolina Ferreira.
“Esta redução (...), caso se concretize, será uma boa notícia aos exportadores capixabas, mesmo em um ambiente de incertezas elevadas”, comenta.
Pela lógica, com uma redução, o caixa das empresas que mais exportam para os EUA volta a ter uma elevação, incentivando investimentos locais, diz o economista e consultor do Tesouro Estadual, Eduardo Araújo.
“Se o mercado americano deixa de impor uma barreira tão pesada, as empresas conseguem vender mais, melhorar margens e voltar a operar com maior utilização de capacidade, o que tende a gerar recontratações e ampliação de turnos”, afirma.
O primeiro movimento, segundo o especialista, deve ser de recomposição de encomendas e atividade industrial. Só depois, em um segundo momento, viria a retomada de investimentos maiores.
Segundo as fontes ouvidas pelo jornal norte-americano, integrantes do Departamento de Comércio e do escritório do representante comercial dos Estados Unidos avaliaram que as tarifas passaram a impactar diretamente os consumidores estadunidenses, com aumento de preços em bens de consumo, diz o jornal Correio Braziliense.
Diante da alta nos preços, o governo concedeu isenções para determinados produtos alimentícios com o objetivo de conter a inflação e firmou acordos com alguns países, entre eles a China, com redução de tarifas e alívio no mercado interno norte-americano.
Indústria do aço quer ser menos dependente dos Estados Unidos
Embora encare como positiva a possível mudança, a indústria capixaba de aço vem buscando se tornar menos dependente do mercado estadunidense, tendo reduzido a participação dos Estados Unidos na balança comercial entre março e dezembro de 2025, afirma a Federação das Indústrias do Estado (Findes).
A análise do total de produtos de aço exportados pelo Espírito Santo em 2025 indica que a participação dos EUA como destino das exportações reduziu de 98,0% em março — primeiro mês após a imposição da tarifa inicial, de 25% —, para 58,1% em dezembro de 2025.
Dentre os fatores que possam estar relacionados a esta redução de participação, destaca-se o ambiente de incertezas gerado pelas medidas protecionistas do governo Trump, especialmente as tarifas, afirma a internacionalista e gerente de Estudos Estratégicos do Observatório da Findes, Carolina Ferreira.
A análise da especialista, no entanto, é que de forma geral o comércio internacional segue sob um elevado nível de incerteza, que gera impactos negativos às negociações comerciais.
“Embora as tarifas resultem em redução da competitividade do produto brasileiro e capixaba no exterior, esta redução de competitividade é, em parte, suavizada pelo caráter universal da tarifa: os demais mercados estrangeiros também são tarifados”, pontua.
Carolina afirma que há margem para a ampliação dos impactos negativos das tarifas aos exportadores brasileiros e capixabas caso haja negociações bilaterais entre os Estados Unidos e algum outro país.
A incerteza se mantém também devido ao caráter político das negociações, destaca o consultor do Tesouro Estadual, Eduardo Araújo.
“Autoridades do Tesouro (do país norte-americano) deixam claro que qualquer mudança ainda depende de decisão política do presidente, o que mantém o risco de reviravolta. Na prática, o setor ainda não tem uma regra clara e definitiva para planejar investimentos e retomada”, diz.
Saiba mais
Efeitos da tarifa
Autoridades do Departamento de Comércio e do escritório do representante comercial dos EUA acreditam que as tarifas estão prejudicando os consumidores ao aumentar os preços de produtos como formas para tortas e latas de alimentos e bebidas.
Os eleitores em todo o País estão preocupados com os preços ao consumidor, e as preocupações com o custo de vida devem ser um fator importante para os norte-americanos nas eleições legislativas de meio de mandato de novembro.
Uma pesquisa recente da Reuters em parceria com o Ipsos mostrou que 30% dos norte-americanos aprovaram a maneira como Trump lidou com o aumento do custo de vida, enquanto 59% desaprovaram, incluindo nove em cada dez democratas e um em cada cinco republicanos.
Já outra pesquisa do Pew Research Center indica que mais de 70% dos adultos nos Estados Unidos classificam as condições econômicas como regulares ou ruins. Cerca de 52% afirmam que as políticas econômicas de Trump pioraram a situação.
Revisão
Agora, segundo o Financial Times, Trump começou a revisar uma lista de produtos afetados pelas taxas e planeja isentar alguns itens, interromper a expansão das listas e, em vez disso, lançar investigações de segurança nacional mais direcionadas a produtos específicos.
Recentemente, Trump destacou seu histórico econômico na cidade de Detroit, em Michigan, com o objetivo de redirecionar a atenção para a indústria manufatureira dos EUA e combater altos custos ao consumidor, enquanto a Casa Branca tenta demonstrar que está lidando com as preocupações econômicas.
Brasil
O aumento das tarifas promovido por Trump sobre importações de aço, alumínio e derivados entrou em vigor em junho do ano passado. À época, as cobranças passaram de 25% para 50%.
Em agosto do mesmo ano, exportações que contêm aço e alumínio foram enquadradas na Seção 232 do Ato de Expansão Comercial, colocando produtos de aço e alumínio do Brasil com a mesma tarifa de outros países.
Estado
é esperado que as reduções das tarifas, caso se concretizem, possam fomentar investimentos. É preciso observar, porém, se a medida reduzirá a incerteza do mercado, diz a Findes.
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