Calote dos cartões Will Bank: briga por dívidas de fintech criada no ES
Empresas de cartão de crédito e das “maquininhas” discutem sobre quem deve arcar com o calote dos cartões do Will Bank
Siga o Tribuna Online no Google
Mastercard e American Express travam uma queda de braço com as empresas de maquininhas, conhecidas como adquirentes, sobre quem deve arcar com os calotes nos cartões de crédito utilizados pelos clientes da Will Bank – fintech fundada no Espírito Santo que posteriormente foi comprada pelo Banco Master.
O volume de recursos a receber soma R$ 5 bilhões. A disputa por quem vai pagar essa conta mostra que, apesar de a liquidação do Master não ter representado um risco sistêmico, ela deixou perdas que vão além daqueles que investiram em seus títulos de renda fixa sem garantia, como letras financeiras.
Quando um pagamento é feito com cartão, diferentes instituições financeiras atuam para que o pagamento chegue ao vendedor do produto ou serviço.
Quando o cliente paga a fatura do cartão de crédito para o banco que o emitiu, esse valor vai para as bandeiras, que distribuem o dinheiro para as empresas de maquininhas nas quais os cartões foram passados.
Nesse meio-tempo, as adquirentes costumam adiantar o pagamento aos lojistas, ficando com um valor a receber das bandeiras.
As bandeiras de cartão têm, em seus regulamentos, a cláusula de “honor all cards”, ou “aceitação de todos os cartões”. Por essa norma, as maquininhas de cartão são obrigadas a aceitar todos os cartões, sem discriminá-los.
Em contrapartida, as bandeiras são responsáveis por garantir que o banco tem a capacidade de emitir cartões e honrar suas dívidas. As bandeiras têm as informações para avaliar e acompanhar as condições econômico-financeiras e solicitar garantias dos bancos para autorizá-los a emitir os cartões a seus clientes.
Quando uma instituição financeira é liquidada, o sistema de cobranças pode falhar, já que as áreas de cobrança e tecnologia do banco tendem a parar de funcionar de forma adequada. Além disso, clientes aumentam a inadimplência de forma deliberada por acreditar, de forma equivocada, que não precisam pagar um banco que quebrou.
No caso da Will, essas faturas e parcelas a pagar somaram R$ 5 bilhões, de acordo com pessoas próximas à discussão.
O número
R$ 5 bilhões valor das dívidas deixadas por clientes da Will Bank
Entenda
Outras investigações
As apurações sobre a Reag não se limitam ao caso do Banco Master.
Em agosto do ano passado, a Polícia Federal deflagrou a Operação Carbono Oculto, que investiga suspeitas de uso de fundos de investimento para lavagem de dinheiro ligada ao PCC.
A gestora é apontada nas investigações como responsável por estruturar fundos que teriam sido usados no esquema.
O fundador da Reag, João Carlos Mansur, é citado nas apurações por suposta aplicação de recursos sem origem comprovada. Ele também é investigado na Operação Compliance Zero, que trata do esquema envolvendo o Banco Master, e já foi alvo de mandados de busca e apreensão.
Citação
O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, entregou ao ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), relatório sobre dados do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O celular continha menções ao ministro Dias Toffoli.
As menções a Toffoli aparecem em conversas no celular de Vorcaro. O celular foi apreendido na Operação Compliance Zero, da PF, que investiga fraudes financeiras no Banco Master, liquidado pelo Banco Central em novembro.
Em nota, o gabinete de Toffoli chamou de “ilações” as menções ao nome dele e afirmou que não há motivo para ser alegada suspeição do ministro no caso Master.
Ao longo da investigação, a PF questionou determinações de Toffoli, como a decisão que inicialmente mandava que bens apreendidos no caso fossem lacrados e ficassem armazenados na Corte — o que não é usual.
Parte da investigação sobre a fraude financeira no Master começou na primeira instância da Justiça. Em dezembro, o caso foi para o Supremo porque surgiram suspeitas sobre a participação de pessoas com foro privilegiado no caso. Toffoli foi sorteado para a relatoria e assumiu o caso.
Desde então, o ministro é o responsável por determinar depoimentos e conduzir as investigações
Em meio às polêmicas envolvendo a atuação de Toffoli no caso e outras críticas ao Judiciário, o presidente do STF passou a defender com maior ênfase um Código de Ética para ministros do STF e tribunais superiores.
O que diz o ministro
O gabinete de Toffoli divulgou uma nota pública em que nega ter qualquer relação pessoal ou financeira com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, alvo de investigações da Polícia Federal.
O ministro admitiu que integra o quadro societário da Maridt, mas disse que a administração da empresa é feita por parentes.
MATÉRIAS RELACIONADAS:
Comentários