Clientes do Banco Master ou Will Bank ficaram com dívidas após liquidação
Falhas após transferência de carteira geram registros indevidos no Sistema de Informações de Créditos (SCR) do Banco Central
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Clientes com empréstimos já quitados e outros serviços financeiros contratados com o Banco Master ou o Will Bank afirmam ter passado a encontrar dívidas registradas como ativas ou em atraso no Sistema de Informações de Créditos (SCR) do Banco Central.
Esses débitos aparecem vinculados ao Banco de Brasília (BRB), que afirma que, após a liquidação das instituições, deixou de receber informações sobre o repasse de pagamentos e a quitação das dívidas dos clientes.
Isso aconteceu porque a carteira de crédito do Will Bank, que faz parte do conglomerado do Master, foi transferida ao BRB em meio às negociações frustradas para aquisição da instituição de Daniel Vorcaro pelo banco estatal.
A advogada especialista em Direito do Consumidor Fernanda Zucare explica que falhas no repasse de informações são comuns em processos de liquidação de bancos ou venda de carteiras de crédito. Segundo ela, no entanto, a responsabilidade legal pela correção dos dados é da instituição que adquiriu a carteira. Ela ressalta que isso, porém, não exclui a responsabilidade do Will Bank na relação entre as instituições financeiras.
“Ao assumir a carteira, o banco cessionário sucede o anterior na posição de credor e responde integralmente pela veracidade, atualização e regularidade dos dados, independentemente de o erro ter se originado no banco cedente”, diz.
Para o especialista em Direito Societário Leandro Fonseca, os clientes deveriam ter sido comunicados sobre a venda da carteira.
“É uma determinação legal que, para ser válida e eficaz, ela tem que necessariamente ser dada ciência ao devedor original. Então, ao descumprir a regra, a cessão é nula em relação ao devedor. Essas pessoas que estavam pagando corretamente as parcelas podem alegar que honraram com os compromissos com o credor original”.
Análise
“Teste de confiança que mistura finanças, governança e política”
O caso Banco Master virou um teste de confiança que mistura finanças, governança e política.
A liquidação do Master e da Will Financeira reforçam a leitura de que o problema não foi episódico, mas um conjunto de vínculos e decisões sob escrutínio.
Na frente institucional, o caso ganhou peso ao chegar ao STF, ampliando o debate sobre influência, conflitos de interesse e responsabilização.
Daqui para a frente, o cenário mais provável é de cauda longa, com pagamentos graduais, judicialização, investigações e ajuste regulatório na originação e na distribuição de produtos. O ponto decisivo será apurar fatos, recuperar ativos e produzir punição proporcional em tempo razoável, porque sem isso a incerteza vira prêmio de risco e encarece o financiamento da economia.
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