Capacitação em IA amplia chances no mercado e ameaça quem não se atualiza
Mercado passa a exigir habilidades em IA e competências humanas
Trabalhadores que investem em capacitação em Inteligência Artificial (IA) vêm conquistando espaço em um mercado cada vez mais competitivo, enquanto aqueles que resistem à atualização enfrentam um cenário crescente de vulnerabilidade.
A avaliação é de especialistas que acompanham de perto as transformações provocadas pela adoção acelerada de tecnologias no mundo do trabalho.
Com a automação de tarefas repetitivas e a incorporação de sistemas baseados em Inteligência Artificial, muitas funções tradicionais passam por redução de demanda ou por mudanças profundas.
A falta de qualificação, nesse contexto, pode levar à estagnação profissional, à perda de relevância e a dificuldades cada vez maiores de recolocação no mercado.
O vice-presidente da Associação Capixaba de Tecnologia (Act!on), Franco Machado, que também é CEO da Mogai Tecnologia, avaliou que as ferramentas de IA estão criando resultados que antigamente exigiam muita mão de obra e diversos especialistas.
“Hoje, com as ferramentas de Inteligência Artificial, é possível realizar esse processo de forma automática, gerando insights, relatórios, análises, acessando sites e até realizando predições acerca de fatos que podem ou não ocorrer, com maior previsibilidade ou probabilidade”, pontuou.
As exigências feitas aos profissionais vão muito além do domínio técnico de ferramentas digitais, segundo Geferson Santos, diretor regional do Senai-ES.
“É necessário compreender quais tecnologias estão em uso e quais estão surgindo, mas, sobretudo, desenvolver competências essenciais para interagir com elas”, afirmou.
Para Santos, o diferencial competitivo não estará apenas no conhecimento tecnológico em si, mas na capacidade de combiná-lo com soft skills como comunicação, adaptabilidade e pensamento crítico. Essas competências tornam-se fundamentais em um ambiente de trabalho cada vez mais dinâmico e orientado por dados.
A especialista e consultora em Inteligência Artificial, Mariah Sathler, fundadora da Volura AI, avaliou que o impacto da IA sobre a força de trabalho das empresas tende a se intensificar nos próximos anos.
“Estive recentemente em Goiânia e o curso superior de IA da Universidade Federal de Goiás já ultrapassou outros cursos tradicionais em procura. Em outro evento, foi dito que todo profissional será um profissional de tecnologia, e isso reflete exatamente o momento que estamos vivendo”, relatou.
Entenda
Competitividade com a IA
Empresas que adotam soluções baseadas em IA buscam cada vez mais profissionais capazes de interpretar dados, operar sistemas inteligentes e integrar essas ferramentas às rotinas de trabalho.
Esses trabalhadores tendem a ganhar vantagem competitiva, assumindo funções estratégicas, participando de decisões mais relevantes e apresentando maior produtividade.
Em contrapartida, profissionais sem conhecimento em Inteligência Artificial enfrentam um cenário mais desafiador.
O avanço acelerado da automação pode ampliar desigualdades profissionais, especialmente entre quem tem acesso à qualificação tecnológica e quem ainda não consegue acompanhar esse ritmo, segundo o Fórum Econômico Mundial.
Mudanças com automação
De acordo com a McKinsey, até 14% da força de trabalho global pode mudar de função até 2030 por causa da automação e das novas ferramentas de IA. Por isso, iniciativas de requalificação e programas contínuos de desenvolvimento profissional se tornam estratégicos para reduzir impactos e preparar trabalhadores para demandas atuais.
O avanço da IA exige inovação responsável e investimentos em capacitação, já que decisões tecnológicas influenciam diretamente carreiras, oportunidades e acessos.
Ao mesmo tempo, o avanço tecnológico abre espaço para diferentes funções e cria caminhos profissionais emergentes. Segundo o Fórum Econômico Mundial, a IA pode gerar até 170 milhões de novas vagas até 2030, mesmo otimizando atividades mecânicas e repetitivas.
Por que é vital conhecer essas ferramentas?
Empregabilidade: profissionais que não integram IA ao seu repertório tendem a ficar restritos a funções de menor valor agregado.
Eficiência: conhecimento de Inteligência Artificial permite trabalhar mais rápido, reduzir erros e gerar dados estratégicos.
Competitividade: empresas priorizam contratações de quem sabe “dialogar com algoritmos” e interpretar insights da IA.
Carreira sustentável: a IA não substitui integralmente o humano, mas transforma o trabalho. Quem aprende a usá-la garante relevância no longo prazo.
Adaptação por equilíbrio entre tecnologia e empregos
O equilíbrio entre tecnologia, emprego e responsabilidade social exigirá adaptação contínua, aprendizado constante e ajustes progressivos conforme os novos cenários e desafios, segundo Jairo Lucas de Moraes, professor na Universidade Vila Velha (UVV) e CEO da Artsoft Informática.
“As empresas podem contribuir para esse equilíbrio investindo na capacitação dos colaboradores, com treinamentos alinhados ao seu nicho, promovendo realocação interna para áreas mais críticas e, crescendo sem demissões abruptas”.
O professor disse que a IA não é um oráculo capaz de resolver todos os problemas, em qualquer domínio. “O fator humano continua essencial para orientar, supervisionar, validar decisões e lidar com exceções. A tendência não é a eliminação do trabalho humano, mas a adaptação da mão de obra a uma nova realidade”.
Muitas empresas reduzirão posições ligadas a tarefas repetitivas à medida que a IA automatiza as funções, mas o impacto no emprego é misto, segundo Frederico Comério, CTO e Head de IA da Intelliway Tecnologia. “A tecnologia tende a criar novos papéis e demandas por habilidades mais avançadas, exigindo requalificação de profissionais para funções complementares à IA”.
Geração Z vê diferencial para conseguir emprego
Uma pesquisa mostra que a Geração Z passou a considerar o domínio de ferramentas de Inteligência Artificial (IA) como requisito para a empregabilidade. Mas a faixa etária também manifesta temor sobre os impactos da tecnologia no futuro profissional.
O levantamento “Jovens, Inteligência Artificial e Mercado de Trabalho”, feito pela agência de dados Nexus e encomendado pela organização social Demà, revelou que 65% dos entrevistados, de 14 a 29 anos, afirmam que conhecer IA é essencial para o desenvolvimento na carreira. Além disso, 84% dizem que o tema será decisivo na hora de conseguir uma vaga.
A demanda por qualificação acompanha tal percepção, com 64% pretendendo fazer cursos na área. O entusiasmo, porém, é acompanhado de apreensão. Para 47% dos jovens, a IA gera preocupação, sobretudo pelo risco de automação de postos de trabalho. Já 42% se dizem empolgados com as possibilidades abertas pela tecnologia.
Atualmente, o Ministério da Educação (MEC) reconhece 28 cursos de graduação com o nome de Inteligência Artificial no País. Em algumas faculdades, a formação rivaliza até com Medicina na disputa por vagas.
No campo educacional, a adesão é ainda mais clara. Sete em cada dez entrevistados consideram a IA uma aliada no aprendizado. As ferramentas são usadas principalmente para pesquisas acadêmicas (83%) e para auxiliar em tarefas, trabalhos e estudos (71%).
“A tecnologia é uma aliada poderosa da produtividade, mas não substitui o fator humano. A capacidade de analisar, criar e fazer as perguntas certas é o que fará a diferença”, afirmou Juan Carlos Moreno, diretor da Demà.
A pesquisa ouviu 2.016 jovens nas 27 unidades da federação, entre 14 e 20 de julho. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.
Análise
“A IA redefine o perfil de quem continuará relevante no futuro”
“O mercado de trabalho demanda, há algum tempo, profissionais que combinem conhecimento técnico, visão estratégica e habilidades humanas. O avanço da Inteligência Artificial acelerou esse processo, gerando impactos significativos tanto para trabalhadores quanto para as empresas.
A busca por educação continuada e pelo chamado 'letramento digital' tem levado muitos profissionais a investirem em cursos ligados à ciência de dados, como forma de se manterem competitivos nessa nova fase do mundo do trabalho.
Nesse contexto, um dos principais desafios é garantir o acesso à capacitação, evitando o aprofundamento das desigualdades. Quem não se capacitar enfrentará maior risco de obsolescência profissional, uma vez que atividades repetitivas e operacionais tendem a ser automatizadas, reduzindo oportunidades para aqueles que não acompanham essa evolução.
A IA não elimina empregos por si só, mas redefine o perfil de quem continuará relevante e apto a manter níveis consistentes de empregabilidade no futuro do trabalho”.
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