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Repensar o autismo para compreender melhor as diferenças

Debate científico propõe rever conceito de espectro do autismo e pode impactar diagnósticos, políticas públicas e formas de cuidado

POLLYANA PARAGUASSÚ | 23/02/2026, 13:35 h | Atualizado em 23/02/2026, 13:35
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          Imagem ilustrativa da imagem Repensar o autismo para compreender melhor as diferenças
POLLYANA PARAGUASSÚ é presidente da Amaes - Associação dos Amigos dos Autistas do Estado do Espírito Santo |  Foto: Divulgação

Nos últimos dias, um importante debate vem ganhando destaque no campo da ciência que estuda o desenvolvimento humano: a proposta de revisão do conceito de “espectro do autismo”. Pesquisadores ao redor do mundo, apoiados por dados de genética e neurociência, têm questionado se o modelo atual, que classifica o autismo como um espectro único e linear, ainda é o mais adequado para representar a grande diversidade de manifestações que observamos em crianças e adultos com essa condição.

A mudança de perspectiva pode influenciar diagnósticos, tratamentos e a compreensão social do autismo como um conjunto de trajetórias complexas e variadas.

Historicamente, a ideia de “espectro” surgiu no fim da década de 1970, proposta pela psiquiatra britânica Lorna Wing, para superar classificações rígidas que excluíam muitas pessoas do diagnóstico. A ideia ampliava o olhar além das descrições de Leo Kanner, feitas em 1943, que tratavam o autismo como uma condição rara e homogênea. Com o tempo, porém, esse conceito passou a reunir perfis muito distintos do ponto de vista biológico e comportamental, o que pode dificultar a pesquisa científica e o desenvolvimento de estratégias de cuidado mais específicas.

Estudos recentes indicam que o que chamamos de autismo pode, na verdade, abranger subtipos biológicos distintos, cada um com suas próprias combinações de variantes genéticas e padrões de desenvolvimento. Pesquisas em grandes bancos de dados genéticos revelam que não existe um único “gene do autismo”, mas centenas de variações que interagem de formas únicas em cada indivíduo, contribuindo para perfis clínicos muito diferentes entre si. Isso implica que, na prática clínica, duas pessoas com o mesmo diagnóstico podem ter necessidades de apoio e respostas a intervenções muito diversas.

A perspectiva de adotar modelos que reconheçam essa diversidade biológica traz implicações importantes para políticas públicas, práticas educativas e programas de saúde. A medicina de precisão, que tem avançado em diversas áreas da saúde, depende justamente de entender as raízes biológicas específicas de cada condição para orientar intervenções adequadas.

Como presidente da Amaes, organização comprometida com a defesa de direitos e a promoção do bem-estar de pessoas com autismo, vejo com atenção essa evolução das discussões científicas. É essencial que eventuais mudanças nos modelos diagnósticos considerem as vivências das famílias e avancem junto ao fortalecimento de políticas que assegurem acesso a apoio, educação e saúde de qualidade, independentemente das classificações adotadas. A ciência segue em constante transformação e esse processo deve caminhar junto com o reconhecimento da singularidade de cada pessoa com autismo.

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