Arborização urbana: quando a sombra vira infraestrutura
Arborização urbana exige planejamento para garantir sombra, segurança e qualidade de vida nas cidades
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“Tá calor, né? Pois corta mais uma árvore para ver se refresca…” A frase irônica resume bem o paradoxo das cidades modernas. Quando se fala em arborização, há consenso: árvores oferecem sombra, reduzem a temperatura — em até 5°C —, purificam o ar, embelezam o espaço urbano e promovem bem-estar. Ruas arborizadas atraem mais pedestres, fortalecem o comércio local e consequentemente aumentam a sensação de segurança.
Mas plantar árvores não basta. A arborização precisa ser tratada como infraestrutura urbana essencial, com planejamento e manutenção adequados.
Em muitos países, esse cuidado já é realidade. Tudo começa pela escolha correta das espécies, com prioridade para árvores nativas, adaptadas ao clima e benéficas à fauna local.
O solo deve ser analisado para evitar compactação excessiva, que compromete o crescimento das raízes e a estabilidade da árvore.
Também é indispensável prever a adubação contínua e espaço adequado para o desenvolvimento do canteiro, para que a árvore se desenvolva sem interferências.
A manutenção é outro ponto crucial. Podas mal executadas, feitas apenas para afastar galhos da fiação elétrica, podem causar lesões, apodrecimento interno do tronco e até a morte da árvore.
O correto são podas técnicas, especialmente nos primeiros anos, focadas na formação da copa e na remoção criteriosa de galhos problemáticos. Os três primeiros anos de vida da árvore são determinantes para seu sucesso a longo prazo.
E que tal transformar os canteiros em áreas drenantes? Um bom projeto de jardim de chuva ajuda a árvore a se desenvolver, previne enchentes durante regimes de chuva intensa e contribui para a resiliência urbana. Mas isso exige técnica: um sistema de drenagem mal projetado pode causar mais problemas do que soluções.
O manejo adequado evita quedas, perdas precoces e desperdício de recursos públicos e privados. Plantar sem planejamento não é paisagismo, é maquiagem verde — cria a ilusão de sustentabilidade sem resultados reais.
O Espírito Santo tem potencial para se tornar referência em infraestrutura verde. Para isso, é fundamental disseminar informação sobre o manejo correto da arborização urbana e estimular a população a pedir não apenas podas, mas saúde para as árvores.
Esse cuidado se reflete diretamente no bem-estar coletivo e no estímulo aos deslocamentos a pé ou de bicicleta.
Fica também o apelo aos gestores públicos para que incluam, em seus quadros técnicos, profissionais capacitados — como arquitetos, urbanistas, biólogos e geógrafos — essenciais para a implantação eficiente da infraestrutura verde.
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