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Arborização urbana: quando a sombra vira infraestrutura

Arborização urbana exige planejamento para garantir sombra, segurança e qualidade de vida nas cidades

Priscila Ceolin | 23/02/2026, 12:42 h | Atualizado em 23/02/2026, 12:42
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          Imagem ilustrativa da imagem Arborização urbana: quando a sombra vira infraestrutura
PRISCILA CEOLIN é arquiteta, urbanista e presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Espírito Santo (CAU-ES) |  Foto: Divulgação

“Tá calor, né? Pois corta mais uma árvore para ver se refresca…” A frase irônica resume bem o paradoxo das cidades modernas. Quando se fala em arborização, há consenso: árvores oferecem sombra, reduzem a temperatura — em até 5°C —, purificam o ar, embelezam o espaço urbano e promovem bem-estar. Ruas arborizadas atraem mais pedestres, fortalecem o comércio local e consequentemente aumentam a sensação de segurança.

Mas plantar árvores não basta. A arborização precisa ser tratada como infraestrutura urbana essencial, com planejamento e manutenção adequados.

Em muitos países, esse cuidado já é realidade. Tudo começa pela escolha correta das espécies, com prioridade para árvores nativas, adaptadas ao clima e benéficas à fauna local.

O solo deve ser analisado para evitar compactação excessiva, que compromete o crescimento das raízes e a estabilidade da árvore.

Também é indispensável prever a adubação contínua e espaço adequado para o desenvolvimento do canteiro, para que a árvore se desenvolva sem interferências.

A manutenção é outro ponto crucial. Podas mal executadas, feitas apenas para afastar galhos da fiação elétrica, podem causar lesões, apodrecimento interno do tronco e até a morte da árvore.

O correto são podas técnicas, especialmente nos primeiros anos, focadas na formação da copa e na remoção criteriosa de galhos problemáticos. Os três primeiros anos de vida da árvore são determinantes para seu sucesso a longo prazo.

E que tal transformar os canteiros em áreas drenantes? Um bom projeto de jardim de chuva ajuda a árvore a se desenvolver, previne enchentes durante regimes de chuva intensa e contribui para a resiliência urbana. Mas isso exige técnica: um sistema de drenagem mal projetado pode causar mais problemas do que soluções.

O manejo adequado evita quedas, perdas precoces e desperdício de recursos públicos e privados. Plantar sem planejamento não é paisagismo, é maquiagem verde — cria a ilusão de sustentabilidade sem resultados reais.

O Espírito Santo tem potencial para se tornar referência em infraestrutura verde. Para isso, é fundamental disseminar informação sobre o manejo correto da arborização urbana e estimular a população a pedir não apenas podas, mas saúde para as árvores.

Esse cuidado se reflete diretamente no bem-estar coletivo e no estímulo aos deslocamentos a pé ou de bicicleta.

Fica também o apelo aos gestores públicos para que incluam, em seus quadros técnicos, profissionais capacitados — como arquitetos, urbanistas, biólogos e geógrafos — essenciais para a implantação eficiente da infraestrutura verde.

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