A Prodest sob administração militar
Gestão de oficiais da PMES marcou fase decisiva de reorganização, modernização e consolidação institucional da Prodest
Leitores do Jornal A Tribuna
A história da Empresa de Processamento de Dados do Espírito Santo – Prodest, hoje Instituto de Tecnologia da Informação e Comunicação, registra um de seus períodos mais sensíveis e, ao mesmo tempo, mais transformadores, durante a gestão administrativa conduzida por oficiais da Polícia Militar do Espírito Santo – PMES, entre 1999 e 2002.
À época, a Prodest enfrentava profunda instabilidade institucional, marcada por incertezas quanto à sua continuidade, greves recorrentes, limitações tecnológicas e questionamentos acerca de sua viabilidade estratégica. O risco de descontinuidade era real e preocupava o Governo Estadual, os empregados e a própria modernização da administração pública capixaba.
Nesse contexto, em 1999, o governador José Ignácio Ferreira confiou a condução da empresa ao então capitão Júlio Cezar Costa, hoje coronel, cuja atuação, ao lado de outros oficiais, mostrou-se decisiva para a recuperação e a continuidade da Prodest. Em 2001, como expressão da necessária continuidade administrativa, a Presidência passou a ser exercida pelo então tenente-coronel Pedro Delfino.
Destaca-se, ainda, a atuação dos então majores Eliazer Vieira, João da Costa Fernandes e Marcus Konieczna, integrantes da Diretoria da Empresa.
A gestão caracterizou-se pelo rigor administrativo, pela disciplina organizacional e por uma visão estratégica. Houve ampla reorganização interna, com revisão de processos, redefinição de fluxos de trabalho, valorização do corpo técnico e fortalecimento da cultura institucional orientada à eficiência, à segurança da informação e à confiabilidade dos serviços prestados ao Estado.
A Prodest deixou de ser um órgão sucateado para assumir papel estruturante na política estadual de tecnologia da informação. Investimentos em capacitação, modernização de equipamentos, padronização de procedimentos e adoção de boas práticas administrativas restauraram sua credibilidade e protagonismo institucional.
Mais do que uma reestruturação técnica, o período simbolizou a reconstrução da confiança institucional. Salários e direitos trabalhistas foram regularizados, o compromisso organizacional foi fortalecido e a empresa passou a ser reconhecida por sua capacidade de entrega e confiabilidade operacional.
Como resultado, a Prodest tornou-se, em dezembro de 2000, a primeira empresa pública capixaba a obter a certificação ISO 9001, marco de excelência institucional. No contexto do chamado “bug do milênio”, destacaram-se iniciativas como o SIARHES, o Prodestnet — primeiro provedor público de internet do Estado — e a intranet da Segurança Pública, que integrou tecnologicamente as forças policiais, inclusive com o uso do microcomparador balístico IBIS. Somam-se a essas ações a digitalização do cadastro da Polícia Técnica e a requalificação em informática de efetivos de segurança, no âmbito do Programa de Ações de Segurança Pública – Propas.
A transformação da antiga empresa no atual Prodest tem suas bases nesse ciclo de reconstrução, cujo legado permanece como referência de liderança, compromisso público e visão estratégica.
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