Saúde pública e suplementar: avanços e o caminho para 2026
Avanços em vacinação, tecnologia e regulação marcaram 2025, mas integração e sustentabilidade seguem como desafios centrais para 2026
Leitores do Jornal A Tribuna
O ano de 2025 representou um ponto de consolidação para o direito à saúde no Brasil, com progressos tanto no SUS quanto na saúde suplementar. Na esfera pública, a retomada das coberturas vacinais foi um marco que reverteu anos de hesitação e fortaleceu a proteção coletiva.
Somou-se a isso a incorporação de tecnologias diagnósticas, como testes de DNA-HPV e plataformas de telemonitoramento, que ampliaram a detecção precoce e aproximaram o País das melhores práticas internacionais. A consolidação da telessaúde completou esse ciclo, garantindo acesso mais amplo em regiões remotas e maior eficiência nos grandes centros urbanos.
No setor privado, foi o ano do amadurecimento regulatório. A ANS modernizou processos, acelerou a atualização do Rol de Procedimentos, impôs regras mais claras para negativas de cobertura e reforçou a fiscalização dos reajustes.
Esses avanços, somados, modernizaram a assistência, ampliaram o acesso e reduziram conflitos e judicializações. Tais evoluções trouxeram uma mensagem clara: quando ciência, regulação e equidade caminham juntas, público e privado se fortalecem mutuamente, e o direito à saúde se torna mais real e próximo de todos os brasileiros.
Apesar dos progressos, a saúde pública e privada entra em 2026 com desafios que exigem atenção urgente. No SUS, o principal obstáculo é consolidar o que foi conquistado: manter as coberturas vacinais em alta, garantir continuidade na incorporação de tecnologias e fortalecer a atenção primária diante do aumento das doenças crônicas e do envelhecimento populacional.
Na saúde suplementar, o setor privado entra no próximo ano pressionado pelos altos custos assistenciais e pelo desafio de equilibrar inovação com sustentabilidade. Apesar de avanços regulatórios, ainda persistem negativas indevidas, conflitos entre operadoras e prestadores e reajustes que pesam cada vez mais no orçamento das famílias. Implementar modelos de remuneração baseados em valor e ampliar a transparência serão passos essenciais para evitar o agravamento da judicialização.
O maior desafio é comum aos dois sistemas: a falta de integração. SUS e saúde suplementar ainda atuam de forma isolada, gerando duplicidade de esforços e desigualdade no acesso. Em 2026, será indispensável fortalecer políticas que aproximem essas esferas e promovam um cuidado contínuo, eficiente e equitativo. O ano que começa exige maturidade institucional. Apenas com planejamento, regulação eficaz e compromisso com a equidade será possível transformar avanços recentes em um sistema de saúde mais justo e sustentável.
Ao olhar para 2026, é impossível ignorar que, por trás de cada dado, norma ou política pública, existe uma pessoa que depende do sistema de saúde para viver com dignidade. Que este novo ciclo nos encontre mais atentos ao cuidado, mais responsáveis com o coletivo e mais comprometidos com a igualdade. E que cada passo dado seja guiado por aquilo que realmente importa: garantir que nenhum cidadão fique para trás.
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