Mercado de artes em expansão
Levantamento internacional aponta protagonismo brasileiro no colecionismo e reforça o amadurecimento da cena artística capixaba
Leitores do Jornal A Tribuna
Um levantamento da Art Basel em parceria com o UBS revela um dado inédito: o Brasil concentra 23% dos novos colecionadores de arte do mundo, ficando atrás apenas dos EUA.
O País vem se destacando não só em volume de aquisições, mas também na renovação do perfil de quem compra arte. A presença de mulheres e da Geração Z cresce de forma consistente, introduzindo novos valores e comportamentos, mais digitais, mais diversos e mais atentos à representatividade.
O estudo mostra que, em 2025, os colecionadores brasileiros destinaram 20% do patrimônio a obras de arte, contra 15% em 2024. É um salto que indica otimismo, e também maturidade. O mercado passa a ser visto não apenas como investimento, mas como um campo de formação estética, cultural e simbólica.
Esse crescimento e profissionalização se refletem fora dos grandes centros. No Estado, a cena cultural vem ganhando fôlego com galerias, instituições e colecionadores que ampliam o acesso, a curadoria e o debate. Projetos de médio e longo prazo consolidam um público mais informado, capaz de reconhecer a arte como patrimônio sensível e intelectual.
Dois movimentos ampliam e reposicionam o lugar do Estado nacionalmente. De um lado, a previsão de inauguração, no 1º trimestre de 2026, do Cais das Artes, projeto de Paulo Mendes da Rocha que insere o Estado no mapa da arquitetura e dos equipamentos culturais de referência no País. De outro, o Circuito do Centenário de Dionísio Del Santo, articulação entre a galeria Matias Brotas e o Museu de Arte do Espírito Santo (MAES), com colaboração dos colecionadores Fabio Settimi e Márcio Espíndula e galerias parceiras de todo o Brasil, que celebra os 100 anos de nascimento do artista por meio de exposições, publicações e ações integradas. Ambos sinalizam uma passagem de fase: da resistência para a institucionalidade, da presença fragmentada para um campo estruturado de memória, estudo e difusão.
A exposição “Dionísio Del Santo: o construtivo ontem e hoje”, inaugurada na Matias Brotas em 6 de novembro, com curadoria de Felipe Scovino, marcou oficialmente o início do Circuito do Centenário. A mostra reúne obras históricas de Del Santo, um dos nomes mais importantes do construtivismo brasileiro, ao lado de nomes consagrados como Lygia Pape, Hélio Oiticica, Iole de Freitas e Luiz Sacilotto, cujas obras alcançam valores de mercado que ultrapassam os quatro dígitos. A exposição propõe um diálogo entre tempos e linguagens, reafirmando o amadurecimento do circuito capixaba como parte ativa do mapa nacional da arte.
O levantamento internacional reforça isso: 72% dos colecionadores brasileiros pretendem adquirir obras nos próximos 12 meses, e o País ocupa o 2º lugar global em volume de investimento, com média de US$ 1 milhão por comprador em 2024. No Estado, esse cenário se traduz em crescimento do colecionismo, fortalecimento de galerias e interesse crescente por artistas locais e modernos.
Mais do que números, o que se vê é uma transformação de mentalidade. A arte deixa de ser um bem distante e passa a ocupar um espaço de reflexão, identidade e pertencimento. E o Espírito Santo, com sua cena cada vez mais articulada, reafirma-se como território de produção, pensamento e valorização da cultura brasileira.
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