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OPINIÃO ECONÔMICA

Cerco apertou no varejo (ES não vive em Nárnia)

Juros elevados e crédito mais caro pressionam as margens e exigem maior controle financeiro dos empresários capixabas

Floriano Schneider | | Atualizado em
Opinião Econômica


          Imagem ilustrativa da imagem Cerco apertou no varejo (ES não vive em Nárnia)
Floriano Schneider é especialista em estratégias de vendas e negócios |  Foto: Divulgação

O termômetro do comércio brasileiro marcou febre recentemente. O recuo de quase 1% nas vendas nacionais divulgado pelo IBGE não é um acidente de percurso; é o reflexo inevitável de uma economia espremida por juros que penalizam o capital de giro.

No entanto, quem comanda um negócio no Espírito Santo costuma olhar para fora e respirar aliviado por ver nossos índices de emprego e atividade ligeiramente acima da média do país. Cuidado: essa trégua é uma ilusão de ótica perigosa.

A verdade que poucos empresários ousam admitir na mesa de reuniões é que a margem de erro acabou. Enquanto o cenário nacional flerta com a retração e o freio de arrumação, o mercado capixaba se movimenta em uma redoma própria de resiliência, ancorado por indicadores locais mais robustos.

Contudo, resiliência regional não é imunidade. O empresário local — seja na Praia do Canto, em Vila Velha ou nos polos comerciais do interior — enfrenta exatamente a mesma pressão invisível: o esmagamento das margens por um crédito elitista e um consumidor ultra seletivo que aprendeu a pechinchar centavos.

Faturar mais e lucrar menos virou o esporte corporativo mais comum. Enquanto o lojista comemora o movimento na loja, o extrato bancário revela que o lucro real evaporou para pagar juros, fornecedores reajustados e uma estrutura pesada.

Focar no faturamento bruto sem olhar para a última linha do DRE é um erro fatal.

Para o empresário que não quer fechar o ano apagando incêndio, a ordem é cirúrgica: menos paixão pelo volume de vendas e mais obsessão pela margem de contribuição.

O momento exige rigor absoluto no fluxo de caixa, auditoria implacável no giro de estoque para eliminar capital estagnado e eficiência operacional guiada estritamente por dados, e não por achismos. O mercado capixaba até consome, mas ele não vai mais financiar a sua desorganização financeira.

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