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OLHARES COTIDIANOS

Viajar de ônibus: memórias que atravessam gerações

Uma viagem de ônibus que transforma o caminho em memória, afeto e aprendizado entre gerações

Sátina Pimenta | 22/01/2026, 12:13 h | Atualizado em 22/01/2026, 12:13
Olhares Cotidianos, por Sátina Pimenta

Sátina Pimenta

Sátina Pimenta, psicóloga clínica, advogada e professora universitária



          Imagem ilustrativa da imagem Viajar de ônibus: memórias que atravessam gerações
Sátina Pimenta é psicóloga clínica, advogada e professora universitária. |  Foto: Divulgação

Viemos ao Beto Carrero World de um jeito que, hoje, já não é o mais comum. Peguei meus filhos (lembra aí uma de 4 e um de 14 anos), minha mãe, as malas e as memórias — e fomos de ônibus. Doida!? Um pouco! Mas, para mim, era a forma mais significativa de fazer isto! Vou explicar, calma!

Essa viagem não é apenas um deslocamento. Ela é uma travessia. Pelo percurso, vamos parar em Curitiba, Blumenau e São Paulo, neste faremos city tours, caminharemos pelas cidades, conheceremos suas histórias, seus marcos, seus ritmos. Cada parada é uma aula viva de mundo. Algo que o avião jamais poderia oferecer.

Quando eu era criança, viajar era assim. Minha mãe e minha avó tinham esse jeito quase ritual de percorrer o Brasil de ônibus, atravessando cidades, noites e estradas.

Havia um tempo próprio da viagem: o tempo da espera, da observação, do encontro com o outro. E essas experiências ficaram guardadas em mim como algo precioso. Foi essa memória que me trouxe até aqui.

Minha mãe se emocionou muito ao início da viagem. Ela foi atravessada de tal maneira pelas lembranças que as lágrimas brotaram!

Ela se viu novamente, naquela mulher que um dia foi, levou uma criança – eu – para conhecer o mundo e se deslumbrar. Agora, ela está aqui, como avó, vendo a história seguir adiante.

Agradeço com carinho às agências que tornaram essa jornada possível: Sissa Tour e Tia Pri Turismo, que ajudaram a transformar um sonho afetivo em uma experiência real. E a todo o grupo que se uniu nesta viagem cuidando um dos outros!

Na Psicologia, a memória não é apenas um arquivo do passado. Ela é uma estrutura viva que orienta nossas decisões no presente.

Autores como Frederic Bartlett e, mais tarde, Jerome Bruner, mostram que a memória não guarda fatos: ela constrói narrativas. E é a partir dessas narrativas que organizamos quem somos, o que sentimos e como escolhemos agir.

Foi a minha narrativa de infância – de viagens longas, de família reunida, de descobertas no caminho – que me fez escolher esse tipo de experiência para meus filhos. Eu quis que eles sentissem aquele friozinho bom na barriga, aquele quentinho no peito, aquela sensação de pertencimento que só quem atravessa o caminho junto conhece.

A família é, do ponto de vista psicológico, o primeiro grande território simbólico que habitamos. É nela que aprendemos o que é cuidado, espera, vínculo e amor. E viajar juntos, atravessar cidades, dividir histórias, refeições e paisagens é uma das formas mais bonitas de fortalecer esse território.

Que bom que ainda existem pessoas que escolhem esse tipo de viagem. Que atravessam o País de ônibus, que vivem o percurso e não apenas o destino. Isso também é cultura. Isso também é resistência.

Ah! Vamos parar também no Santuário de Aparecida. Um lugar que toca profundamente a minha história e a da minha família. Eu e meus filhos fomos prometidos a ela inclusive. Mas eu conto isto em outro artigo! Prometo!

No fundo, esta viagem não é só sobre ir a um parque com brinquedos. É sobre uma mãe, uma avó e crianças que estão, juntas, construindo uma linha invisível de afeto que atravessa gerações.

E talvez seja isso o mais importante: não apenas para onde vamos, mas as memórias que escolhemos criar no caminho.

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