Startups no Espírito Santo criam até “cinema do futuro”
Tecnologia criada no Estado permite exibição de filmes sem internet, com áudio acessível por celular, para até 200 pessoas
Siga o Tribuna Online no Google
Startups do Estado vêm se destacando no cenário da inovação e, entre soluções para a indústria, saúde, educação e finanças, o ecossistema capixaba também começa a chamar atenção por iniciativas que reinventam a exibição de filmes, criando até uma espécie de “cinema do futuro”.
O Cine Puã, tecnologia 100% capixaba desenvolvida pela startup Ybi Sync, propõe uma nova forma de exibição audiovisual acessível e inclusiva, segundo o cofundador da startup Ybi Sync Cine Puã, e presidente do Conselho Temático de Economia Criativa da Findes (Conect Findes), Magno Santos.
O Cine Puã não depende de internet para funcionar e não requer instalação de aplicativo, além de poder oferecer audiodescrição e dublagens em vários idiomas na mesma sessão, destacou Santos.
Ele explicou que ao se conectar à rede Wi-Fi do sistema e acessar um QR Code, cada espectador recebe diretamente em seus fones de ouvido a trilha de áudio sincronizada com o vídeo exibido em uma tela coletiva.
O protótipo foi desenvolvido com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação (Fapes) através de edital e atende até 200 usuários simultaneamente por meio de smartphones ou outros dispositivos com sistemas Android ou iOS.
LEIA TAMBÉM: Observatório Sebrae: número de startups no ES pode chegar a 1.000
Espírito Santo conta com diversos polos de inovação para startups
O cofundador explicou que o projeto surgiu diante da dificuldade de fomentar o mercado audiovisual no Estado. Ele explicou que o Cine Puã pode ser facilmente levado para qualquer município.
“A ideia é dar visibilidade a filmes independentes, por exemplo. Quando surgiu o Sindicato da Indústria Audiovisual do Estado, o mercado audiovisual inexistia. O que criamos e estamos apresentando agora é um sistema simples para todos e barato”, afirmou.
Segundo Santos, o próximos passo é apresentá-la para prefeituras por meio de editais, com objetivo de buscar parcerias, além de apoio de empresas locais, para que disponibilizem o “cinema do futuro”.
“Levando o projeto aos municípios que não têm cinema, cria empregos, renda, terá retorno com bilheteria, e vende os filmes locais.”
Também cofundador da Ybi Sync Cine Puã, Eder Formigoni disse que o objetivo maior é democratizar o acesso às exibições audiovisuais. Entre 2027 e 2030, o planejamento é que a startup esteja apta a atender às exigências das grandes distribuidoras internacionais de conteúdo audiovisual.
Outros casos
Fashion tech
A startup Futuriza, formada por Sariane Serafim (COO), Diogo Maximo (CTO), Felipe Silva (CEO) e Milena Moser (Head de produto), surgiu em janeiro de 2024 com o objetivo de agregar valor aos produtos do varejo digital.
Segundo Sariane, a Futuriza é uma fashion tech que cria fotos e vídeos de produtos com fluxos avançados de IA e oferece módulos plug-and-play para impulsionar a conversão no e-commerce.
“Com base em alguns estudos percebemos que as vendas on-line em breve irão superar as vendas nas lojas físicas e vimos aí uma oportunidade de melhorar a experiência nesse mercado”, disse ela.
“Gêmeos digitais”
A Infinite Foundry foi iniciada simultaneamente no Brasil e em Portugal, tendo como principal área de atuação a digitalização de processos industriais e posteriormente, desenvolveram o conceito de “gêmeo digital”, que são réplicas de processos de cidades ou de qualquer outras operações logísticas.
Segundo um dos fundadores, Bruno Eisinger, o Espírito Santo representa um foco estratégico para os investimentos, direcionando os esforços para mercados em expansão, como o setor portuário, a indústria de mármore e o segmento de soluções inteligentes. “Iniciamos projetos com a Samarco e a ArcelorMittal. Atualmente, estamos expandindo nossos estudos para a área de contêineres e portos, além de continuar a atuação no mercado de mármore, sempre com foco na digitalização de processos e na otimização da logística”, contou.
Startups no Estado
O Espírito Santo passou de 132 startups mapeadas em 2020 pela Associação Brasileira de Startups, para 467 em 2024, registradas no Observatório Sebrae Startups. Atualmente são 569 startups ativas no Estado.
O ecossistema capixaba possui ampla diversidade de campos de atuação, sendo Edtech o setor com maior representatividade. Quase 60% das startups capixabas ativas possui entre 4 e 9 anos de atividade.
A Grande Vitória concentra a maior parte das startups do Estado. Os principais setores são: edtech, deep tech, management e fintech.
Startups por cidade
- Vitória - 264
- Vila Velha - 106
- Serra - 56
- Cariacica - 20
- Colatina - 19
- Linhares - 19
- Cachoeiro de Itapemirim - 14
- Guarapari - 13
- São Mateus - 13
- Outros - 37
Hubs e iniciativas
Base27: um dos principais polos de inovação do Estado, reunindo startups, grandes empresas e investidores por meio de programas de inovação com base em quatro pilares: conexão, conhecimento, marca inovadora e espaço.
Hub ES+: primeiro hub público de economia criativa e inovação do Estado, aberto para acolher pessoas criativas, com projetos e negócios empreendedores. Oferece programação gratuita de eventos, encontros culturais, palestras e oficinas, além de espaços e salas multifuncionas para trabalho, reuniões e eventos realizados por meio de reservas e parcerias.
Fapes: é uma autarquia do governo do Estado fundamental no fomento ao ecossistema de empreendedorismo e inovação capixaba. A Fapes trabalha para desenvolver, por meio de chamadas públicas, editais e alocação de recursos, os eixos de bolsas para formação científica, pesquisa, difusão de conhecimento, extensão e inovação.
FindesLab: é um hub de inovação da indústria capixaba, sendo uma iniciativa conjunta da Federação das Indústrias do Estado (Findes) e do Senai-ES.
Sebrae Startups: existe desde 2023. Nesse período, se consolidou como hub que agrega iniciativas de capacitação, conexão e fortalecimento.
ESX: maior evento de inovação do Espírito Santo. Em 2025, o evento teve 300 startups expositoras, de 24 estados do Brasil. Foram 133 encontros de investimento, com expectativa de intenção de aporte de R$ 24,9 milhões. Para 2026, a expectativa é superar esses resultados, ampliando a presença de fundos, investidores e iniciativas corporativas, o que trará grandes oportunidades aos participantes.
Fonte: Observatório Sebrae Startups, Associação Brasileira de Startups, Fapes, Secti, Sebrae-ES, Base27 e Findes.
MATÉRIAS RELACIONADAS:
Comentários