Diversão ao ar livre: eventos atraem investimentos e movimentam a economia local
Para especialistas, além de estimular a convivência, esses eventos também atraem comércio e investimentos para os bairros
Siga o Tribuna Online no Google
Uma praça sem atrativos. Um beco evitado por medo. Quando recebem festas de rua, esses espaços se transformam. Para especialistas, além de estimular a convivência, esses eventos também atraem comércio e investimentos para os bairros.
Segundo o economista Ricardo Paixão, festas de rua funcionam como polos temporários de atração, elevando o fluxo de pessoas, aumentando a demanda e estimulando o surgimento de novos negócios.
“A renda tende a circular no próprio bairro, fortalecendo a economia local”, afirma. Ele destaca ainda a geração de renda formal e a informal, como ambulantes, além do estímulo à economia criativa.
O impacto individual, explica, pode parecer pequeno, mas o efeito coletivo é significativo. “A renda tende a circular no próprio bairro, fortalecendo a economia local. Isso é fundamental”.
Nem tudo, porém, é positivo. Entre os desafios estão conflitos pelo uso do espaço, ruído, lixo e pressão sobre os moradores. “O saldo tende a ser extremamente positivo quando há planejamento, diálogo com a comunidade e políticas públicas de ordenamento urbano”, pondera.
Já a arquiteta Cátia Ceregati acrescenta que festas de rua são quase como um teste, pois, ao serem realizadas, revelam à sociedade um potencial escondido naquele local.
“Muitas cidades passaram por esse processo, onde a cultura foi o gatilho inicial para que moradores, comércios e investimentos voltassem. A cidade precisa de gente. Quando a gente ocupa, vive e se apropria dos espaços, eles deixam de ser problema e passam a ser possibilidade”, destaca.
O chorinho realizado na Praça Engenheiro Loyola, em Jardim Camburi, aos domingos, é um exemplo de como festas de rua podem gerar renda e unir comunidades. Começou como uma roda de choro espontânea, conta Nayara Menezes.
Ao longo dos 13 anos, reuniu uma feira comunitária em volta, da qual Nayara é presidente. “Ajuda a gente das barraquinhas a ter uma renda extra e também os vizinhos a se conhecerem”. A feira está de férias e volta após o Carnaval.
Um dos grupos que toca na praça é o 3 Elementos, onde Bruno Parmejani, 45, toca cavaco. “O evento faz o bairro se integrar. Fortalece a comunidade. A praça era vazia”, diz Bruno.
Solidariedade está de volta entre moradores
Nas grandes cidades, onde a convivência cotidiana tende à fragmentação e muitos vizinhos sequer se conhecem, as festas de rua recriam momentos de encontro entre moradores.
Maro Lara Martins, chefe do departamento de Ciências Sociais da Ufes, destaca que festas de bairro tendem a gerar uma solidariedade maior entre os moradores e uma diferenciação menor.
“Segundo a literatura sociológica, festas de rua podem recuperar a solidariedade. Elas geram uma identificação muito mais próxima com a sociedade em que estão inseridas. Então, por exemplo, quando vamos a uma cidade pequena, observamos uma conexão maior entre as pessoas”.
Ele acrescenta que festas de rua permitem outras formas de vivenciar e experimentar a cidade.
“Essas festas produzem formas de estar junto, de reconhecimento e compartilhamento de emoções e ritmos sociais diferentes das interações utilitárias do cotidiano. Rompem a ordem”.
O economista Ricardo Paixão acrescenta que o crescimento dessas festas de rua, indica uma demanda reprimida por lazer e uso de espaço público que não estava sendo atendida nos modelos urbanos centralizados, ou seja, no lazer voltado ao consumo fechado, como shoppings e eventos privados.
“As festas de rua oferecem experiências culturais de baixo custo, inclusivas e territorializadas alinhadas a um modelo de cidade viva, caminhável e relacionável. Você encontra no evento um amigo, vizinho, parente… Isso vai dialogando com tendências contemporâneas da economia urbana baseadas em experiências de identidade local”.
Agito cultural na Prainha
Os quadros atrás de Nathalia Abraham, produtora e organizadora do Movimento Cultural Prainha Vive, foram feitos durante edições do evento. Trata-se de uma festa de rua, realizada há mais de 10 anos na Prainha. A aposentada Valeria Luiza, 64, e seu neto Heitor Bruno, 8, embora não morem mais no bairro, contam que estão sempre participando das edições.
Dia das Crianças e Natal
Festas de bairros também estão crescendo. Em Terra Vermelha, por exemplo, faz dois anos que a Associação de Moradores começou a realizar duas festas: uma de Dia das Crianças e outra de Natal, conta Wanderson da Silva, presidente da associação.
“Fazia muito tempo que não tinha”, destaca, acrescentando que o evento ajuda a unir os moradores, “Eu acredito que festas de bairro assim estão voltando”.
Benefícios para a comunidade e conselhos
1. A rua volta a ter vida
Espaços antes vazios passam a ser frequentados, ganham movimento e começam a receber mais atenção do poder público.
2. Mais gente, mais sensação de segurança
Locais movimentados tendem a parecer mais seguros e cuidados, reduzindo a percepção de abandono.
3. Pequenos negócios ganham fôlego
Moradores e empreendedores locais encontram oportunidades de gerar renda com comida, artesanato e serviços.
4. Rede de apoio informal
A festa cria momentos de convivência que aproximam moradores e fortalecem laços comunitários.
5. O bairro entra no mapa cultural
Praças, becos e ruas pouco conhecidos passam a fazer parte do circuito cultural da cidade.
Conselhos
Diálogo com moradores
Conversar previamente com a vizinhança ajuda a reduzir conflitos relacionados a barulho, trânsito e uso do espaço.
Planejamento faz a diferença
Estimativa de público, limpeza, logística e horários devem ser planejados para minimizar impactos.
Integração com o bairro
Valorizar comerciantes locais e iniciativas comunitárias ajuda a fortalecer a relação entre evento e moradores. Já pensou em recolher alimentos para doação?
Respeito às regras locais
Buscar informações sobre autorizações e normas locais contribui para a continuidade das atividades. Associações de moradores são ótimas opções para perguntar.
MATÉRIAS RELACIONADAS:
Comentários