Carne, arroz e trigo vão ficar mais caros por conta dos eventos climáticos
Eventos climáticos vão reduzir oferta e afetar a dinâmica dos preços dos alimentos. Tomate e batata também serão afetados
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A carne de boi, a batata, o tomate, o arroz e o trigo vão ficar mais caros em 2026. É o que projeta a Secretaria de Política Econômica (SPE), vinculada ao Ministério da Economia.
O motivo, segundo o órgão, é a inflação dos preços dos alimentos influenciada por fenômenos naturais — ou seja, a alternância de eventos climáticos ao longo do ano, afetando principalmente a dinâmica dos preços de alimentos “in natura”, diz o boletim Macrofiscal divulgado ontem pela SPE.
Também devem contribuir para a aceleração da inflação dos preços dos alimentos a menor oferta de carne bovina devido à retenção de fêmeas no Brasil e nos Estados Unidos, de acordo com a SPE.
Em relação aos vegetais, há a perspectiva de menor produção de arroz, trigo e derivados, e principalmente tomate e batata.
“Em resumo, não é uma 'inflação por demanda', e sim uma combinação de choques de oferta e ajustes de produção que elevam preços mesmo com consumo mais contido”, afirma o economista-chefe do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças do Espírito Santo (Ibef-ES), Felipe Storch.
A alta nos preços, por outro lado, deve ter o impacto reduzido pelo excesso de oferta global de bens e combustíveis, afirma o boletim da SPE. Isso significa dizer que, com muito produto no mercado internacional, sobra mais para o mercado interno e os preços caem.
A queda no preço dos combustíveis acaba influenciando uma redução nos preços em diversos produtos, já que a principal matriz de transporte no Brasil é a rodoviária.
A tendência de enfraquecimento do dólar também tem peso no movimento contrário à escalada dos preços, diz o boletim.
“Os efeitos defasados do enfraquecimento recente do dólar e da política monetária, ainda que sejam esperadas pressões moderadas para os preços de alimentos”, afirma a SPE.
Tensões políticas envolvendo os Estados Unidos e outras potências mundiais é o que arrasta o cenário para uma perda de confiança no dólar e a movimentos mais retidos de investidores no mercado financeiro do país norte-americano.
Em janeiro, o dólar chegou a registrar o menor nível de fechamento desde 28 de maio de 2024, a R$ 5,206. No ano de referência, a moeda terminou o pregão vendida a R$ 5,1534.
No ano, o dólar acumula queda de 4,89% e de 9,45% em 12 meses.
Taxa de juros também pesa
Embora haja perspectiva de piora na safra do arroz e do trigo e na colheita de tomate e batata, esse cenário não se repete em outros cultivos da agricultura brasileira.
O presidente da Federação da Agricultura do Espírito Santo (Faes), Júlio Rocha, afirma que o principal fator de pressão sobre os preços tem sido a taxa de juros para financiamento rural, que eleva o endividamento e leva à redução de plantios, diminuindo a oferta.
“Os juros são impraticáveis. Países que concorrem conosco têm subsídios impensáveis aqui”.
Rocha critica ainda mudanças no crédito bancário, que deixaram de aceitar a safra como garantia e passaram a exigir hipoteca das propriedades, aumentando o risco para pequenos produtores.
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