Amores de verão que viraram namoro e casamento: quando investir ou não
Especialistas explicam que mudanças no ritmo de vida e em hormônios durante a estação ajudam a aproximar pessoas
Nem todo amor de verão fica no verão. Há histórias que começam com o pé na areia e seguem até o altar, provando que o amor verdadeiro não depende da estação.
Se você ainda não encontrou um amor, talvez as histórias a seguir te inspirem a sair de casa, aproveitar a estação e, quem sabe, esbarrar em uma paixão.
Um desses amores é dos servidores públicos Thaís Eduão e Pedro Favilla, ambos de 42 anos. Há um ano, o casal, que nunca havia se visto antes, se conheceu nas areias da Praia de Itapuã, em Vila Velha, numa tarde de domingo, em um festival de música.
“Fui com uma amiga curtir os shows e, em determinado momento, o Pedro chegou ao meu lado e perguntou o que eu estava bebendo. Começamos a conversar sobre exercício físico, crossfit, canoa havaiana, mas não dei muita bola para ele”, lembra Thaís.
A bateria do celular de Pedro tinha acabado, e ele pediu para que Thaís o seguisse no Instagram. “Adicionei ele e fui curtir o show. No dia seguinte, ele me mandou mensagem me chamando para jogar um futevôlei. Me chamou para sair na semana seguinte e não nos desgrudamos mais”.
O namoro começou no sábado de Carnaval. “Fomos morar juntos e, em outubro, nos casamos. Não fizemos a festa ainda, só cartório, mas certamente terá praia, sol e pé descalço na areia. Nós dois amamos muito o verão”, afirmou Thaís.
Mas por que no verão pode ser mais fácil se apaixonar? A psicóloga Ana Angélica Wernesbach explica que a estação traz mudanças naturais ao ritmo de vida e ao estado emocional.
“Os dias mais longos, o clima quente e a maior exposição ao sol estimulam a produção de hormônios ligados ao bem-estar, como a serotonina, o que melhora o humor e aumenta a sensação de disposição. Além disso, o verão costuma estar associado a momentos de lazer e mais convivência social, o que favorece aproximações”.
A psicóloga e colunista de A Tribuna Sátina Pimenta ressalta ainda que o calor também favorece estados de relaxamento fisiológico, reduzindo tensões corporais e emocionais.
“Com mais interação social, toque, proximidade e troca de olhares, entram em cena a dopamina, associada à motivação e ao prazer, e a oxitocina, relacionada ao vínculo e à sensação de conexão. Não é que o verão 'crie' amor, mas ele cria um terreno corporal mais propício para o encontro, para o interesse e para a curiosidade pelo outro”, explicou.
Comportamento define relação
Como fazer um amor de verão durar? Segundo a psicóloga Karla Cardozo, o que transforma um amor de verão em algo duradouro é a capacidade do vínculo de sobreviver fora do cenário ideal.
Karla frisa que “o encantamento inicial abre a porta, mas é o comportamento ao longo do tempo que define se a relação permanece”.
“Quando o casal consegue se reencontrar na rotina, lidar com diferenças, negociar expectativas e, ainda assim, manter interesse e respeito, a relação começa a ganhar base real”.
Além disso, segundo a psicóloga, há um fator importante: escolha. “Relações que evoluem não são sustentadas apenas por química, mas por decisões repetidas de investimento emocional, disponibilidade e compromisso”.
Outro bom sinal, aponta Karla, é a sensação de segurança emocional. “Quando a empolgação diminui um pouco, mas o vínculo continua confortável, confiável e estável, isso indica base real. Outro ponto importante é a capacidade de lidar com frustrações sem que o relacionamento entre em crise”.
A psicóloga Marília Zanette ressalta que o verão permite que as histórias comecem de forma mais leve, espontânea e conectada ao prazer do encontro.
“Mas o que transforma esse começo em algo duradouro não é a estação, e sim o que se mantém depois. Quando o vínculo permanece, mesmo na volta da rotina, é onde se torna possível construir um relacionamento mais sólido”.
QUANDO INVESTIR
Permanência depois que o clima muda
> Um dos sinais mais claros de que a relação vale a pena aparece quando o verão acaba. Quando não há mais festas, viagens ou clima leve sustentando encontros fáceis, o que fica é a escolha.
> A presença deixa de ser entusiasmo e passa a ser decisão. Quem permanece quando o cenário muda, permanece porque quer, não porque o ambiente facilita, aponta a psicóloga Sátina Pimenta.
Consistência mesmo nas discordâncias
> Vale a pena investir quando existe consistência, segundo a psicóloga Karla Cardozo. Ou seja, quando a pessoa mantém interesse, cuidado e presença não só nos momentos leves, mas também quando surgem limites, frustrações ou pequenas discordâncias.
Interesse na rotina
> Também é um bom sinal quando o casal quer dividir horários, combinar agendas e atravessar semanas comuns juntos, destaca a psicóloga Sátina Pimenta. Não como obrigação, mas como desejo de presença contínua.
> Relações que valem a pena cabem na vida real, não só no clima ideal.
Não há medo de julgamentos
> Outro sinal importante é sentir-se à vontade para ser quem se é, sem medo constante de julgamentos ou cobranças excessivas, ressalta a psicóloga Ana Angélica Wernesbach.
QUANDO NÃO INVESTIR
Quando a relação depende só de clima bom
> Não vale a pena insistir quando tudo só funciona em viagens, festas ou finais de semana.
> Se o vínculo se enfraquece sempre que a rotina retorna, isso indica que a relação depende mais do cenário do que da conexão, alerta a psicóloga Karla Cardozo.
Quando causa ansiedade
> Quando a relação provoca ansiedade, insegurança frequente ou a sensação de estar sempre se anulando para agradar o outro, é importante repensar esse vínculo, recomenda a psicóloga Ana Angélica Wernesbach.
Esforço unilateral e promessas vazias
> É um alerta quando tudo depende apenas de um parceiro, há promessas sem ação, falta de reciprocidade, desvalorização emocional ou a sensação de que é preciso se diminuir para caber no relacionamento, chama atenção a psicóloga Marília Zanette.
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