Após vencer o câncer, jovem passa no Ifes
Rebeca Martins, de 16 anos, ficou curada de um tumor entre a coluna e o intestino e se preparar para cursar o técnico em Alimentos
Aos 16 anos, Rebeca Vitória dos Santos Martins comemora uma vitória que simboliza recomeço. Curada de um câncer diagnosticado na infância, a jovem foi aprovada no Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes) e quer transformar a própria história em cuidado com o outro.
Sua mãe, Carme dos Santos Martins, conta que Rebeca foi diagnosticada com um neuroblastoma, entre a coluna e o intestino, quando ainda tinha 9 anos.
“Ela era uma criança normal. Brincava, pulava, estudava e fazia balé. Até que percebemos que ela tinha uma dificuldade de se abaixar até o chão e decidimos procurar um médico”.
Diagnóstico
Com o diagnóstico, as duas precisaram se mudar de Conceição da Barra para fazer o tratamento no Hospital Infantil Nossa Senhora da Glória, em Vitória. Durante três anos, elas foram acolhidas pela Associação Capixaba Contra o Câncer Infantil (Acacci).
“Nós viemos, mas meu marido e meu filho ficaram, então foi um processo muito difícil para todo mundo. Por isso, o apoio que recebemos da Acacci foi fundamental para vencermos essa etapa”.
Agora, Rebeca se prepara para uma nova fase. Aprovada no curso técnico em Alimentos, no Ifes de Itapina, ela faz planos para o futuro, buscando ajudar pessoas que passam pela mesma situação. “Ela me diz que tem o sonho de se formar em Nutrição para trabalhar com pacientes oncológicos”.
Carme reforça que o processo foi difícil, mas que se surpreendeu com a força da menina.
“Em muitos momentos, era ela quem me fortalecia. Ela me olhava e dizia 'mãe, nós vamos vencer'. E nós vencemos”.
Além do tratamento médico, a mãe diz que a união da família e o apoio que receberam foram fundamentais. “O amor e a fé são remédios muito poderosos”.
Associação apoia paciente e família
O tratamento de um câncer não é um processo fácil, principalmente quando acontece na infância. Por isso, uma das missões da Acacci, que fica em Jardim Camburi, Vitória, é não distanciar a criança da sua infância durante esse processo.
A superintendente executiva da Acacci, Luciene Sales Sena, diz que a associação busca oferecer apoio multidisciplinar tanto para o paciente quanto para a família durante todo o tratamento.
“A ideia é que a criança não fique estagnada. Mesmo em tratamento, ela tem o direito de seguir brincando, estudando e se desenvolvendo, mesmo que precise ser de formas adaptadas”, diz Luciene.
Um exemplo disso é a possibilidade de continuar estudando, mesmo estando em tratamento. Luciene explica que a criança tem direito à classe hospitalar, modalidade em que tem aulas adaptadas no hospital.
“É um trabalho em conjunto com as Secretarias de Educação municipais e estaduais, que fornece um professor que atende esse aluno, dando aulas correspondentes à série em que ele está”.
Além disso, a Acacci possui uma pedagoga que promove atividades que se assemelham a um reforço escolar. “Quando esse paciente está com a gente, ele tem acesso a essas atividades lúdicas”.
Além do estudo, essas medidas têm uma função: fazer com que as crianças em tratamento oncológico façam planos para o futuro. “O paciente precisa ter a possibilidade de sonhar. Pensar o que quer fazer depois do tratamento”.
MATÉRIAS RELACIONADAS:
Comentários