Transição energética e o Estado
Novos portos, transição energética e qualificação profissional podem impulsionar um novo ciclo de desenvolvimento no Espírito Santo
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O Estado vive uma oportunidade histórica. A implantação de novos complexos portuários, como os de Aracruz e Presidente Kennedy, representa mais que obras de infraestrutura.
Simboliza a possibilidade de inaugurar um novo ciclo de desenvolvimento econômico, tecnológico e social. Se soubermos planejar esse crescimento, poderemos transformar investimentos em empregos, renda e qualidade de vida.
Os novos projetos têm potencial para ampliar a capacidade logística capixaba, fortalecendo o Estado como rota do comércio nacional e internacional. Portos modernos atraem indústrias, estimulam negócios, fortalecem cadeias produtivas e movimentam transporte, construção civil, tecnologia e serviços.
O crescimento econômico precisa caminhar ao lado da sustentabilidade. A expansão industrial e logística exige uma matriz energética segura e mais limpa.
As energias renováveis deixam de ser apenas uma pauta ambiental para se tornarem estratégia de desenvolvimento. O Brasil já possui uma das matrizes elétricas mais renováveis do mundo, mas precisamos avançar na diversificação das fontes e na descarbonização da economia.
Além da energia solar e eólica, o futuro passa pelo hidrogênio de baixo carbono, biogás, biomassa e armazenamento de energia. O Espírito Santo reúne condições para isso. Nossa posição geográfica e infraestrutura logística podem favorecer novas cadeias produtivas e tecnologias voltadas à economia de baixo carbono.
Assim, os novos portos podem conectar o Estado a mercados nacionais e internacionais.Nenhum projeto de desenvolvimento se concretiza sem pessoas qualificadas. O Espírito Santo já conta com mais de 20 mil técnicos industriais registrados no Conselho Regional dos Técnicos Industriais do Espírito Santo (CRT-ES), profissionais estratégicos para a expansão da indústria, infraestrutura, logística e novas tecnologias.
Por trás de cada equipamento, sistema e operação segura, existe conhecimento técnico. Profissionais de áreas como eletrotécnica, mecânica, automação, meio ambiente e segurança do trabalho podem atuar, dentro de suas atribuições, na instalação, operação, manutenção, inspeção e controle de sistemas e equipamentos.
A transição energética também acontece nesse trabalho cotidiano: na eficiência dos equipamentos, automação, manutenção, controle ambiental e segurança das operações. Por isso, discutir os investimentos que chegam ao Espírito Santo também significa discutir formação profissional.
Não basta atrair empreendimentos. É preciso preparar os capixabas para as oportunidades e aproximar a educação profissional das novas demandas da indústria, logística e economia de baixo carbono.
Como diretora financeira do CRT-ES, técnica em Meio Ambiente e Segurança do Trabalho, jornalista e especialista em Gestão Pública, acredito que o desenvolvimento sustentável depende da união entre planejamento, responsabilidade ambiental e valorização do conhecimento técnico.
O Espírito Santo tem vocação para crescer. Agora, temos a oportunidade de crescer da forma certa: investindo em infraestrutura, fortalecendo a transição energética, criando empregos qualificados e preparando nosso Estado para uma economia mais sustentável e inovadora.
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