Login

Esqueci minha senha

Não tem conta? Acesse e saiba como!

Atualize seus dados

ASSINE
Pernambuco
arrow-icon
  • gps-icon Pernambuco
  • gps-icon Espírito Santo
Pernambuco
arrow-icon
  • gps-icon Pernambuco
  • gps-icon Espírito Santo
ASSINE
tempo 27°C VITÓRIA
User Login
Espírito Santo
arrow-icon
  • gps-icon Pernambuco
  • gps-icon Espírito Santo
Assine A Tribuna
Espírito Santo
arrow-icon
  • gps-icon Pernambuco
  • gps-icon Espírito Santo

OPINIÃO ECONÔMICA

Reforma tributária em bares e restaurantes: risco ou fake?

Levantamento da Abrasel revela alto nível de insegurança com IBS, CBS, redução de 40% das alíquotas e escolhas entre Simples e modelo híbrido

Marco Tulio Ribeiro Fialho | | Atualizado em
Opinião Econômica


          Imagem ilustrativa da imagem Reforma tributária em bares e restaurantes: risco ou fake?
Marco Tulio Ribeiro Fialho é advogado tributarista, sócio-fundador da Ribeiro Fialho Advogados e Conselheiro do CERF-ES. |  Foto: Divulgação

Uma pesquisa da Abrasel revelou um dado que merece atenção: 60,9% dos donos de bares e restaurantes não se sentem preparados para a Reforma Tributária.

As maiores dúvidas estão na formação de preço, no funcionamento do IBS e da CBS, na redução de 40% das alíquotas e na escolha entre o Simples tradicional e o novo modelo híbrido.

Não é descuido. É que, no dia a dia do setor, o imposto nunca foi prioridade. Quem toca um bar sabe onde a cabeça fica: pagar fornecedor, fechar a folha, garantir o aluguel. O tributo é aquele valor que o contador resolve no fim do mês. A reforma muda exatamente isso.

Mais do que trocar cinco tributos por dois, o IBS e a CBS, ela muda a forma de fazer negócio. A maioria dos estabelecimentos é de pequeno porte e optante pelo Simples Nacional. A boa notícia é que o Simples continua e a conta não sobe da noite para o dia. A má é que o trabalho pesado de 2026 não é de caixa, é de cadastro.

Cada item vendido precisa estar classificado corretamente, conforme o enquadramento nos treze anexos da nova lei. Num restaurante isso é delicado, porque o cardápio mistura categorias diferentes na mesma comanda.

É aí que mora o ponto que pode custar caro: a segregação. A redução de 40%, que o setor comemorou, só vale se o documento fiscal separar direito cada coisa:

Comida e bebida não alcoólica preparadas no local: entram na redução de 40%.

Bebida alcoólica: fica de fora, com alíquota cheia e ainda o possível Imposto Seletivo.

Gorjeta de até 15% repassada ao garçom: fora da base de cálculo.

Taxa de aplicativo (iFood, Rappi) que não fica com o restaurante: fora da base.

Se a nota não separar isso, a lei manda tributar a conta inteira pela alíquota cheia. Um erro de configuração na maquininha hoje vira imposto a mais amanhã.

No fundo, a decisão que vai chegar ao balcão é de preço. Com o imposto agora destacado na nota, de forma transparente, o empresário terá de escolher entre repassar a carga ao cliente ou assimilá-la na margem.

E aqui vale o alerta contra o pânico: para o pequeno restaurante do Simples que vende no balcão, a carga tende a ficar estável, e reajustar o cardápio só por causa da reforma pode ser um tiro no próprio pé, num setor de margem curta e cliente sensível a preço. O reajuste deve nascer de número real, não de medo.

Quem não é do Simples sente o outro lado da moeda. Com o recolhimento automático, parte do imposto é separada no instante do pagamento no cartão, antes de o dinheiro entrar no caixa — o que aperta o capital de giro mesmo quando a carga final não muda.

E há uma armadilha que empurra justamente o mais endividado para esse lado: o restaurante do Simples que atrasa tributos pode ser excluído do regime e, fora dele, a carga sobe de vez, no pior momento possível.

Por trás de tudo isso há uma camada jurídica que ainda vai render discussão: o alcance da redução de 40%, a vedação de crédito, o enquadramento de cada produto e a validade de tantas regras de transição tendem a chegar ao Judiciário nos próximos anos. Mas isso é assunto para outra análise.

Por ora, a mensagem ao setor é direta: a Reforma premia quem se organiza cedo. Organizar-se agora é barato; o improviso é que sai caro.

MATÉRIAS RELACIONADAS:

SUGERIMOS PARA VOCÊ:

Opinião Econômica

Opinião Econômica

ACESSAR Mais sobre o autor
Opinião Econômica

Opinião Econômica,por

Opinião Econômica

Opinião Econômica