Quanto de proteína você precisa por dia?
Tudo o que você precisa saber para uma alimentação saudável no dia a dia
Gabriela Rebello
Gabriela Rebello é nutricionista, especialista em saúde feminina, estética, nutrição esportiva e comportamento alimentar. Colunista de A Tribuna, professora e coordenadora do curso de Nutrição em instituição de ensino superior, integra o quadro de nutricionistas do Hospital Albert Einstein na Grande Vitória, unindo ciência, prática clínica e cuidado humano.
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É só entrar em um supermercado para perceber: agora há iogurte proteico, pão proteico, cereal proteico, sorvete proteico, café proteico... Parece que, de repente, a proteína virou o ingrediente mais importante da alimentação. Mas será que todo mundo precisa consumir mais proteína? Ou estamos comprando produtos porque o rótulo convenceu a gente?
A proteína é, sim, um nutriente essencial. Ela participa da formação dos músculos, ajuda na recuperação do organismo, aumenta a saciedade e é importante em todas as fases da vida, especialmente durante o envelhecimento.
O problema é imaginar que basta escrever “proteico” na embalagem para um alimento se tornar automaticamente saudável.
Esse talvez seja o maior mito do momento. Um biscoito proteico continua sendo um biscoito. Uma sobremesa proteica pode continuar sendo uma sobremesa. Muitos desses produtos recebem proteína adicionada, mas também trazem açúcar, gorduras, aromatizantes e uma longa lista de ingredientes. Vale sempre olhar além da propaganda da frente da embalagem.
Outro ponto que merece atenção é a distribuição da proteína ao longo do dia. Muita gente passa a manhã com um café e um pão, almoça pouca proteína e tenta compensar tudo no jantar com um grande bife ou um shake de whey.
E aqui está o ouro desta coluna: o organismo aproveita melhor a proteína quando ela é distribuída entre as refeições do que quando quase toda a quantidade é consumida de uma só vez.
Isso significa que incluir ovos no café da manhã, iogurte no lanche ou uma boa fonte de proteína nas principais refeições pode ser mais interessante do que concentrar tudo à noite.
E onde entra o whey protein? Ele é um suplemento, ou seja, foi desenvolvido para complementar a alimentação quando existe necessidade. Pode ser uma excelente opção para quem tem dificuldade em atingir a quantidade de proteína apenas com alimentos, para praticantes de atividade física ou em algumas situações clínicas. Mas ele não é obrigatório e muito menos superior a uma alimentação equilibrada.
Aliás, feijão, leite, ovos, carnes, peixes, frango e até combinações de alimentos de origem vegetal fornecem proteínas de excelente qualidade.
Também vale lembrar que consumir proteína além da necessidade não acelera o emagrecimento nem faz os músculos crescerem sozinhos. Em muitos casos, apenas aumenta o consumo de calorias e pesa no bolso.
Antes de colocar mais um produto “proteico” no carrinho, faça uma pergunta simples: eu realmente preciso dele ou estou comprando apenas por causa do marketing?
A proteína merece espaço no prato, mas o equilíbrio continua sendo o ingrediente mais importante. Quando houver dúvidas sobre a quantidade ideal para você, procure orientação de um nutricionista.
Afinal, saúde não se mede pela quantidade de proteína que você compra, mas pelas escolhas inteligentes que faz todos os dias. Até a próxima semana!
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