Especialista do Sebrae: "É preciso acompanhar as mudanças de mercado"
Olhar atento às demandas do mercado e à atuação dos concorrentes são passos essenciais para empreendedores que buscam atrair investidores
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Número de clientes, cobertura de atendimento dentro de uma região e geração de fluxo de caixa são indicadores de sucesso que, se expressivos, chamam a atenção de grandes investidores para o negócios.
Trabalhar esses itens e manter um olhar atento às demandas do mercado e à atuação dos concorrentes são passos essenciais para empreendedores que buscam atrair esse tipo de recuso, principalmente quando o objetivo é a venda da empresa.
É o que orienta o especialista em estratégia e mercado e diretor técnico do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas no Estado (Sebrae/ES), Eurípedes Pedrinha.
A primeira etapa, segundo Pedrinha, é pensar em concorrentes ou em destacar esses tipos de indicadores junto a clubes de empresários, associações e entidades, onde há empreendedores em busca de oportunidades.
“Negócios inovadores, que nascem muito pequenos, mas que têm um potencial de crescimento em escala, precisam ter uma tese muito bem formulada. Ou seja, definir com muita clareza um problema e uma solução e demonstrar como que a solução consegue atender um número muito grande de pessoas”, complementa.
Pensar com antecedência a construção do relacionamentos com o potencial investidor foi justamente a estratégia adotada pelo empreendedor Vinícius Melo, CEO da Yooga Tecnologia, que recebeu um investimento da Gilgamesh, fundo de Nova York focado em fintechs.
Melo destaca que, embora a empresa não conhecesse antes o fundo de investimentos, eles já conheciam os números e resultados do da empresa — dinâmica que se repete em outras transações, já que investidores costumam sondar negócios em ascensão.
“O investidor estrangeiro precisa de algum nível de segurança e de respaldo. Esse investidor (com o qual conversamos) saber que outros fundos brasileiros que ele conhece também estavam na rodada de investimento (que estávamos) e ele ter pelo menos 12 meses de acompanhamento do nosso resultado sólido fez com que ele dobrasse a aposta, mesmo sem nunca ter nos conhecido pessoalmente”, salienta.
O especialista em mercado financeiro Paulo Henrique Corrêa, sócio da Valor Investimentos, destaca que fundos de private equity, costumam buscar participações em empresas para comprar.
“E as de venture capital (capital de risco), também. Principalmente nas startups, empresas de tecnologia de estágio um pouco menor avançado”, conta.
Startups são as que mais chamam a atenção
As empresas de tecnologia em estágio inicial de desenvolvimento — as chamadas startups — têm se mostrado a “galinha dos ovos de ouro” para investidores, fundos e grandes corporações que apostam na aquisição de ideias inovadoras para ampliar negócios e ganhar competitividade.
O especialista em mercado financeiro Paulo Henrique Corrêa afirma que, nos últimos três anos, empresas de tecnologia passaram a despertar interesse crescente de grandes grupos econômicos e fundos de investimento. Segundo ele, além do setor tecnológico, o segmento de rochas ornamentais também vem atraindo movimentações relevantes.
No Espírito Santo, há exemplos de empresas que nasceram no mercado local e alcançaram projeção nacional.
Casos como LeCard e PicPay ilustram esse movimento. As duas companhias expandiram suas operações de forma acelerada até serem adquiridas por grandes investidores.
Embora o ambiente de inovação siga aquecido no Estado, com atuação de aceleradoras e até participação de recursos públicos em programas de incentivo, especialistas alertam que o crescimento sustentável depende de planejamento e estruturação.
O sócio-fundador da ISH Tecnologia, Rodrigo Dessaune, afirma que a construção de uma empresa sólida exige atenção especial às áreas jurídica e contábil. Fundada em 1996, a ISH se tornou referência nacional em cibersegurança.
“Contratar os melhores advogados e contadores que conseguir pagar é essencial. Um conselho jurídico ruim ou um erro na contabilidade pode quebrar ou trazer um grande prejuízo lá na frente. Já vi alguns casos assim e tive um problema bem no início, há 20 anos”, afirmou.
O que fazer para atrair investimentos
1. Entenda o mercado
O empreendedor de uma startup precisa ter domínio sobre pontos essenciais do ecossistema de investimentos, como quais são os fundos que estão investindo no Brasil e quais caminhos pode seguir para atrair esse capital. Ter essas informações “na ponta da língua” ajuda a direcionar melhor a estratégia e demonstra preparo diante de potenciais investidores
2. Mapeie empresas
Uma estratégia é mapear empresas que já receberam investimentos, como o caso da Yooga, que teve aporte de um fundo estrangeiro, e buscar aproximação com os fundadores. Esse contato com outros empreendedores permite entender caminhos, obter indicações e acessar informações práticas.
3. Busque conexões locais
Empreendedores podem, por exemplo, procurar pessoas do ecossistema para entender melhor os fundos, seus contatos e suas teses de investimento, como no caso de quem busca saber mais sobre a Gilgamesh. De modo geral, essas informações estão disponíveis nos sites e páginas dos próprios fundos, já que os recursos captados junto a investidores são direcionados para sustentar uma tese específica.
4. Entenda foco e tese
Cada fundo tem um recorte definido de atuação. Há fundos voltados para fintechs, como a Gilgamesh, que investem globalmente, enquanto outros concentram aportes na América Latina ou em setores específicos, como saúde, IoT e inteligência artificial. Cabe ao empreendedor identificar em qual categoria está inserido para direcionar melhor suas abordagens.
5. Evite depender apenas de eventos
Em vez de apostar só em grandes eventos para encontrar investidores, o empreendedor deve mapear sua área de atuação e acompanhar de forma contínua o mercado. Isso inclui observar as rodadas de investimento dentro da sua categoria e identificar empresas e atores com os quais pode se conectar.
6. Construa relacionamento antes da necessidade
O relacionamento deve anteceder a necessidade de recursos financeiros. Estabelecer conexões com antecedência aumenta as chances de acesso a investidores no momento certo e fortalece a credibilidade do empreendedor dentro do ecossistema.
Fonte: Vinícius Melo (Yooga)
Vendida para multinacional
Após criar e expandir a SuperTicket, Leonardo Gomes atingiu o feito com a Paytime, fintech de soluções financeiras. E por iniciativa dos investidores: a multinacional Bemobi. “Vieram atrás da empresa e a gente contratou uma assessoria para tocar essa frente. Foi de magnitude muito maior.”
Seguindo a necessidade
A Mogai, empresa de tecnologia para grandes indústrias, quer ampliar a presença nos EUA para atender operações lá de indústrias que já contratam eles aqui: ArcelorMittal, ADM, Cargill e Bunge. Para isso, busca investidores estrangeiros, diz Franco Machado, CEO da empresa: “A gente tem buscado conversar com investidores de fora para a gente poder ir aonde essas empresas estão.”
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