Carlos Campos Jr.: "ES está virando potência logística"
Empresário e atleta do automobilismo relembrou vitória em 1991 e falou da transformação na infraestrutura do Estado
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O Espírito Santo vive, de maneira silenciosa, uma evolução na infraestrutura, apoiada em novos portos, áreas de armazenagem e ganho de escala nas operações de comércio exterior.
E, com isso, vem se tornando, discretamente, uma potência logística, nas palavras do empresário Carlos Campos Jr., CEO da Target Trading e sócio da GDL Logística.
Fora dos negócios, ele também carrega uma ligação antiga com o Estado. Além de empresário, Carlos é automobilista, e venceu, aos 17 anos, em 1991, a prova da Fórmula Ford disputada em Vitória, no circuito das ruas da Praia e da Enseada do Suá — comparado por ele a Mônaco pelo trajeto sinuoso e de pouco espaço para ultrapassagens.
Em entrevista ao programa Histórias Empresariais, o empreendedor falou de negócios, economia e, claro, da paixão pela velocidade.
A Tribuna — A Target Trading tem 29 anos no Espírito Santo. Como surgiu a empresa?
Carlos Campos Jr. — A Target é uma trading cuja matriz fica no Espírito Santo. Começamos em 1997, muito em função dos incentivos fiscais, principalmente o Fundap. Antes disso, eu atuava na GDL, empresa da família, onde fiquei à frente da área comercial entre 1993 e 1997, quando ainda se chamava Silotec.
Foi ali que conheci o mercado de logística voltado à importação. Percebi que havia uma demanda muito grande por tradings. Muitos clientes queriam operar no Estado com a estrutura que a gente tinha, mas precisavam de uma trading. Então decidi sair da função executiva e fundar a Target.
Para o público em geral, o que é uma trading?
A trading é uma intermediária que organiza a operação e agrega benefícios. O mercado evoluiu muito nesses quase 30 anos. Hoje, existem operações por encomenda, por conta e ordem e operações próprias. No nosso caso, atuamos basicamente por encomenda.
Temos escala para negociar frete, armazenagem e serviços. Isso permite reduzir custos e oferecer uma operação mais eficiente. Ainda oferecemos gestão, sistemas próprios, controle e um ecossistema completo de comércio exterior.
Quais produtos têm mais relevância no Espírito Santo?
Veículos têm um peso muito grande. Muitas montadoras operam pelo Estado, inclusive marcas chinesas, europeias e americanas. Há ainda contêineres, químicos e uma variedade grande de cargas.
Também importamos equipamentos, como máquinas de construção civil, empilhadeiras e equipamentos de logística.
Como estão estruturadas hoje a Target e a GDL?
A Target tem sede no Espírito Santo, com escritório dentro da GDL, próximo da operação. Temos unidades em São Paulo, Pernambuco, Minas Gerais e Santa Catarina, com cerca de 80 a 90 funcionários. A GDL tem operação concentrada no Espírito Santo, com aproximadamente 700 funcionários e grande área de armazenagem.
Há espaço para expansão?
Sim. A GDL ainda tem muito espaço para crescer, tanto dentro quanto fora do Estado, mas exige investimento em estrutura. A Target, por ser uma operação de escritório, cresce mais facilmente e vem expandindo geograficamente.
O Espírito Santo vive um novo momento logístico?
Eu diria que o Estado vive um crescimento logístico silencioso. Há novos portos, estruturas de águas profundas, o Porto Central, o Imetame, melhorias no Terminal de Vila Velha. São investimentos relevantes, que vão ser importantes e até definitivos no futuro.
O Espírito Santo sempre se pautou muito nos incentivos fiscais, mas vem se preparando para ter uma estrutura logística forte.
Como a Resolução 13 (que, editada em 2012 pelo Senado, tirou efetividade do Fundap) impactou o setor?
Na época parecia que seria uma perda grande, mas as empresas se reestruturaram. As margens diminuíram, e isso levou a investimentos em estrutura, equipe e serviços. Passamos a investir mais em despachante próprio, treinamento e financiamento.
Financiamento? Como funciona isso na prática?
A gente consegue estruturar a operação com capital próprio. Pagamos o exportador, fazemos a importação, nacionalizamos, quitamos impostos e vendemos ao cliente com prazo. Funciona como alternativa ao crédito bancário.
O crescimento da empresa tem sido controlado?
Sim. Hoje buscamos faturamento com qualidade. Como financiamos operações, precisamos ter cuidado com risco. Trabalhamos com proximidade dos clientes e crescimento sustentável.
Qual o volume atual da Target?
Em 2025, movimentamos cerca de R$ 2 bilhões. É relevante, mas o foco está na qualidade.
A localização do Espírito Santo é um diferencial?
Sem dúvida. Em um raio de mil quilômetros, você alcança grande parte do PIB do Brasil. Isso torna a operação eficiente.
Vamos falar do automobilismo. O senhor começou muito jovem e já venceu em Vitória...
Sim. Em 1991, com 17 anos, ganhei uma corrida de Fórmula Ford em Vitória, em circuito de rua. Foi uma experiência marcante. Era uma geração muito boa, com pilotos que depois seguiram carreira profissional. Sempre foi uma paixão.
Chegou a sonhar com a Fórmula 1?
Todo garoto sonha. Mas é uma carreira que exige muita dedicação, investimento e uma série de fatores. Meu pai sempre dizia que aquilo era um hobby. Eu segui a carreira empresarial, mas sempre mantive essa ligação.
Quem são suas referências, no mundo empresarial e nas pistas?
No empresarial, meu pai. Pela postura, pela positividade e pelo espírito empreendedor. Ele sempre foi uma referência para mim. No automobilismo, Ayrton Senna. Para a minha geração, ele era o grande ídolo. Talento, dedicação, intensidade. Era uma Fórmula 1 diferente daquela época.
O senhor voltou a competir recentemente, certo?
Sim. Em 2023 fui apresentado à Porsche Cup e voltei a correr. É um hobby, mas exige dedicação, treino e compromisso.
Para encerrar: o que considera sua principal conquista?
Minha família. Tenho três filhos, e eles são minha maior realização.
PERFIL
- CEO e cofundador da Target Trading, com participação empresarial na GDL Logística, na qual é sócio
- Voltou a competir nas pistas em 2023, na Porsche Cup
- Outros hobbies: kitesurf
- Referência empresarial: o pai, também empresário
- Principal conquista: “Minha família. Tenho três filhos, e eles são minha maior realização”
- Pai de três filhos, uma filha formada em Economia nos EUA, um filho estudando na Espanha e um mais novo em idade escolar
- Valores pessoais: foco em disciplina, constância, gestão de risco e proximidade com clientes
CURIOSIDADES
24 horas de Le Mans
O empresário e piloto Carlos Campos Jr. vai disputar a preliminar das 24 Horas de Le Mans, na França, pela Porsche Cup Brasil. A corrida principal é uma das mais tradicionais do automobilismo mundial, uma prova de endurance em que carros competem por 24 horas seguidas. A preliminar tem cerca de uma hora, integra a programação oficial do evento e é realizada no mesmo circuito.
A IA e as profissões
Carlos Campos Jr. afirma que a inteligência artificial ainda está em fase inicial nas empresas, mas deve transformar o trabalho no comércio exterior. Segundo ele, algumas profissões tendem a desaparecer, enquanto outras vão surgir, exigindo adaptação constante. Na Target, a tecnologia já é usada para dar mais controle e informação aos clientes, mas ele alerta: quem não acompanhar essa evolução pode perder espaço no mercado.
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