Produção de superalimentos ganha força no Espírito Santo
Expansão inclui novos cultivos e entrada em outros estados, com foco em alimentos mais nutritivos e de maior valor no campo
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Você já deve ter lido o termo “superalimentos” em algum lugar. Ele abrange alimentos considerados altamente nutritivos, com vários benefícios para a saúde. Agricultores no Espírito Santo têm apostado nesse tipo de cultivo, e sua produção ganha força.
Um deles é o agrônomo Giliard Prucoli. A Sow Green, sua empresa, começou há mais de dois anos e, segundo ele, já acumula um crescimento superior a 700%, com filial em São Paulo e planos de expansão para outros estados.
“No sentido de 'superalimento', o que temos hoje na nossa produção, e que está crescendo muito, são os microverdes, que são mini plantas que colhemos nos primeiros dias de vida”, conta.
O termo “microverdes” pode ser utilizado para nomear hortaliças, ervas aromáticas, condimentares e até mesmo espécies silvestres.
“Existem vários estudos falando sobre controle de colesterol, diabetes, hipertensão. A planta jovem tem muito mais nutrientes do que a adulta. É pequena e tem uma concentração grande de nutrientes e aminoácidos”.
Prucoli acrescenta que começou sua produção, que inclui também outras plantas, ao perceber a demanda crescente no Espírito Santo.
“A tendência é aumentar a produção, porque hoje todo mundo está vivendo o wellness (bem-estar), ou seja, procurando produtos mais saudáveis, e a nossa prática é feita dessa forma”.
Outro “superalimento” cuja produção vem crescendo é a juçara, também conhecida como “açaí capixaba”, segundo o Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper).
Para o subsecretário de Estado de Desenvolvimento Rural, Michel Tesch, o cultivo de alimentos que oferecem uma gama maior de benefícios, a exemplo dos “superalimentos”, é uma tendência.
Segundo ele, o movimento também está ligado à busca por produtos com maior valor agregado e à abertura de novas oportunidades no campo. “Há uma demanda por alimentos que ofereçam benefícios adicionais, como antioxidantes e maior disposição. Alguns exemplos são a banana e a juçara, além do café”, diz.
Produção multiplicada
A banana é um dos “superalimentos” mencionados por nutrionistas. No Espírito Santo, são produzidas cerca de 422 mil toneladas.
Deivid Schneider, de 33 anos, é produtor em Biriricas, Domingos Martins, há mais de 15 anos e viu sua produção crescer de 10 para 100 caixas por semana, assim como a demanda por produtos direto da roça. “Como é o nosso caso”, aponta.
Ele explica que os preços variam. A caixa da banana prata costuma ficar entre R$ 50 e 70. Já a de banana nanica, em torno de R$ 40.
O que são “superalimentos”?
O termo é usado para definir alimentos com alta densidade nutricional, ou seja, ricos em vitaminas, minerais, antioxidantes e outros compostos que podem trazer benefícios à saúde.
Mas atenção!
Especialistas alertam que “superalimento” não é um termo científico e não há uma lista oficial. A classificação varia entre profissionais.
Falta de mão de obra afeta a produção
A falta de todos os tipos de mão de obra é um desafio para empresários em todo o Estado. Na agricultura não é diferente.
Vários produtores reclamam dessa situação como desafio, como Guilherme Wilson Cardoso, 67 anos, de Viana. Além de apicultor, ele tem mudas de ora-pro-nobis e cultivo de cana.
“Da cana a gente não se beneficia. Só derrubamos e o cara vem, busca e leva para a máquina”, relata. Ele acrescenta que isso ocorre porque a mão de obra está escassa. “Só trabalhamos eu e minha esposa na roça. Se não forem os proprietários encarar, não tem jeito”.
Apesar disso, diz que há incentivo para a agricultura a partir da Prefeitura de Viana. “ Aqui 70% é produtor rural. Não fosse o campo, ninguém ia comer”.
Exemplos no dia a dia
Muita qualidade
O nutricionista Caio Eduardo indicou alguns alimentos que podem ser considerados “superalimentos” por suas qualidades nutricionais.
Confira abaixo:
Nozes
- Ricas em ômega-3 e antioxidantes. Associadas à saúde cerebral e cardiovascular. A macadâmia é um exemplo. Exportação: 152,9 toneladas em 2025. Receita: US$ 1,18 milhão
Taioba
- Produção: 136 toneladas
- Preço médio: R$ 7,14/kg
- Rica em ferro, fibras, vitamina A e cálcio
Inhame
- O Espírito Santo é o maior produtor do País
- Produção: 89,3 mil toneladas
- Preço: R$ 3 a R$ 4/kg
- Ajuda na digestão e no controle do açúcar no sangue.
Spirulina
- Preço médio: R$ 12,99 (100g)
- Rica em proteínas (até 70%), ferro e vitaminas
- Produto mais caro e considerado mais exótico por lojistas. Descrito como com gosto de algas e mar. A procura por esse item tem crescido.
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