Cresce procura por alimentação saudável, revelam lojistas
Entre os itens em alta estão os mixes de chips de frutas tropicais e de vegetais
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Sejam “superalimentos” ou outros produtos naturais, a busca por uma vida mais saudável também tem sido percebida por lojistas no Estado — e vem trazendo de volta alimentos que haviam sido “esquecidos”.
A vendedora Ayla Nutels, 25 anos, da loja Paiol Urbano, em Vila Velha, confirma o aumento na procura por esse tipo de produto.
“Há muitas pessoas de academia que vêm em busca dos nossos produtos. Mas percebemos também que há muita gente tentando mudar a rotina, em busca de uma qualidade maior de vida”, diz.
Entre os itens em alta estão os mixes de chips de frutas tropicais e de vegetais, vendidos a R$ 179,90 e
R$ 139,90 o quilo, respectivamente. Outro destaque é o psyllium, uma fibra solúvel natural derivada da casca da semente da Plantago ovata.
“O psyllium agora é o mais procurado. Seu preço médio é de R$ 6 por 100 gramas”, afirma Eveline Soares, proprietária da loja Jardim dos Grãos, em Vitória.
Ela explica que a procura por alguns produtos varia, com períodos de alta e queda. O ora-pro-nóbis, por exemplo, voltou a ganhar destaque recentemente, mas já apresenta estabilidade.
Tanto a Plantago ovata quanto o ora-pro-nóbis são exemplos de Plantas Alimentícias Não Convencionais (Pancs). Na Sow Green, o agrônomo Giliard Prucoli também produz Pancs.
“Essas plantas eram utilizadas pelos nossos ancestrais. Com o passar do tempo, a sociedade fez uma seleção porque queríamos trabalhar com menos espécies para conseguir produtividade, produzir em escala e padronizar a venda em massa. Aí as pancs acabaram menos utilizadas e esquecidas”, relata.
Segundo ele, o ora-pro-nóbis é uma das espécies que têm saído do esquecimento. A juçara é outra que vem sendo recuperada, segundo Fabiana Ruas, coordenadora de recursos naturais do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper).
“Nós já estamos com mais de 300 produtores na região de Rio Novo do Sul, seja produzindo em seus quintais, no meio do cafezal ou na borda da mata. Tem uma cadeia bem desenvolvida nessa região produzindo entre 700 e 800 toneladas da polpa do fruto”, diz.
Segundo ela, a produção tem gerado renda e possibilitado o desenvolvimento de novos produtos com a polpa, como macarrão e sorvete.
Entenda
PANC é a sigla para Plantas Alimentícias Não Convencionais. Espécies pouco consumidas no dia a dia, mas que são comestíveis e ricas em nutrientes. Muitas vezes, crescem espontaneamente em quintais e áreas rurais, sem que sejam reconhecidas como alimento.
Oportunidades no campo
Segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, há espaço crescente para o cultivo dessas espécies.
Por que?
Interesse da gastronomia e da culinária regional uso em sistemas agroecológicos atuação em diferentes nichos, como alimentação, ornamentação e paisagismo.
Quais são suas vantagens?
- Alto valor nutricional: Podem ser ricas em vitaminas, minerais e fibras.
- Fáceis de cultivar: Exigem baixo uso de tecnologia e insumos
- Resistentes: Têm maior tolerância a pragas e doenças.
- Podem gerar renda: Especialmente para a agricultura familiar
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