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VOZ DO CAFÉ

O lado social da eficiência

Parceria entre Sesc Mesa Brasil e Ceasa-ES amplia distribuição e reduz desperdício

Matheus e Marcus Magalhães | 11/04/2026, 07:00 h | Atualizado em 09/04/2026, 17:31
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Marcus e Matheus Magalhães

Marcus e Matheus Magalhães são Analistas do Mercado Agro

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          Imagem ilustrativa da imagem O lado social da eficiência
Parceria transforma excedentes do campo em alimento na mesa de quem precisa |  Foto: Freepik

Quando a agricultura solidária se une a um sistema movido pelo propósito de servir, a transformação acontece. Realidades mudam e a cidadania reaparece.

Nos últimos dias, estivemos diante de uma cena que diz muito sobre o Brasil real. O Sesc Mesa Brasil mostrou que o combate à fome não depende apenas de boa vontade. Mais do que isso, depende de organização, proximidade, logística e decisão de fazer o alimento chegar a quem precisa antes que ele se perca no caminho. A nova unidade, instalada em parceria com o Banco Ceasa-ES de Alimentos, deve ampliar em cerca de 20% a capacidade de arrecadação e distribuição do programa no Espírito Santo.

Nós batemos nessa tecla, durante as edições da coluna: produção sem circulação não resolve o país. O campo pode produzir, o mercado pode negociar e a cidade pode consumir, mas, sem ponte entre essas pontas, sobra desperdício de um lado e falta do outro. É justamente aí que esta iniciativa ganha força. Ela transforma excedente em destino, perda em eficiência, descarte em dignidade.

Vale explicar, a quem não saiba, o que é a Ceasa-ES. Trata-se da central pública responsável pelo abastecimento alimentar capixaba desde 1977, criada para organizar a comercialização de hortifrutigranjeiros e aproximar produtores, comerciantes e consumidores. Em termos simples, é uma engrenagem central da comida que circula no Estado. Assim, quando um programa social se instala dentro dessa estrutura, ele ganha escala, rapidez e inteligência operacional.

Há, nisso tudo, uma lição importante para o agro e para a economia. Nós costumamos medir força produtiva por safra, exportação e faturamento. Tudo isso importa, claro. Mas a qualidade de uma cadeia também aparece na sua capacidade de reduzir perdas e devolver valor social ao que ficaria pelo caminho. No café, nos grãos, nas frutas, nas hortaliças, a lógica é a mesma: um sistema forte não é apenas o que produz muito, mas o que desperdiça menos e distribui melhor.

O Sesc Mesa Brasil já alcançou 35 municípios capixabas e beneficiou mais de 60 mil pessoas, segundo o Sesc-ES. Esses números ajudam a dimensionar o programa, mas o ponto principal está além deles. Quando o setor público e a iniciativa privada funcionam em parceria, o resultado vai além do discurso. É comida chegando, custo social menor e uma rede mais madura de solidariedade. Por fim, num país que ainda convive com a contradição entre abundância e escassez, isso deixa de ser um detalhe, mas, sim, um sinal de inteligência coletiva.

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