Café e o preço da volatilidade
Mercado de café entra em nova fase com mais oferta, volatilidade e exigência por estratégia e disciplina na gestão
Marcus e Matheus Magalhães
Marcus e Matheus Magalhães são Analistas do Mercado Agro
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O mercado está voltando ao normal. Só que a normalidade de agora não tem nada de calma. Ela é feita de sobressaltos e, por isso mesmo, cobra uma disciplina que o setor ainda está aprendendo a exercitar com constância.
O sinal mais importante para a próxima safra não é uma manchete isolada, mas a mudança definitiva de regime. Estamos saindo de um mercado de aperto extremo e entrando em um mercado de fluxo. A Conab mantém o norte de 66,2 milhões de sacas para 2026, uma alta de 17% sobre o ciclo anterior. É muita oferta vindo aí, e o tabuleiro precisa se ajustar a esse volume.
No ciclo passado, os preços dispararam porque o mundo vivia uma soma de vários "nãos". Não podia faltar café, não podia atrasar navio, não podia errar o clima. Quando o mercado bateu recordes no início de 2025, ele estava precificando o risco em camadas. A sensação de que segurar o café era sempre a melhor estratégia acabou se tornando uma armadilha psicológica perigosa para muita gente.
Agora, o cenário mudou, mas não necessariamente simplificou.
A logística global, que parecia dar sinais de alívio, voltou a ficar sob pressão com as novas tensões no Oriente Médio. O gargalo logístico provou ser elástico e imprevisível. Junto disso, o dólar, que chegou a recuar, retomou o fôlego e voltou a testar patamares um pouco mais altos frente ao real (mas nada comparado ao que vimos há um ano atrás). Para quem exporta, o câmbio ajuda na competitividade, mas para quem olha o custo de produção e a inflação de insumos, ele é um lembrete de que a margem é um alvo móvel.
A verdade é que uma safra maior não derruba o preço sozinha. Ela muda a régua da exigência. Em vez de premiar a coragem, o mercado passa a premiar o método. No café, método significa trabalhar com cenários e não com apostas de "tudo ou nada". Significa separar o estoque por qualidade, entender o destino de cada lote e decidir o que carregar com a mesma seriedade com que se decide plantar.
Acreditamos que, quando a oferta melhora e o susto da escassez diminui, o improviso fica muito mais caro. Quem tem café em casa precisa olhar para o próprio estoque como um ativo financeiro e um risco operacional constante. No "novo normal", a volatilidade em todas as esferas, seja política, econômica ou climática, é a única certeza.
Para atravessar esse momento, a receita exige três atitudes.
Primeiro, cadência de vendas para diluir o risco de preço. Segundo, proteção parcial sempre que a margem aparece, sem tentar ser herói para acertar o topo do mercado. E terceiro, uma disciplina férrea de custos. Agora, o mercado parou de gritar por falta de produto, mas começou a cobrar profissionalismo.
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Coluna assinada por Marcus e Matheus Magalhães