WhatsApp: entenda como será o gerenciamento de contas de menores pelos pais
Será possível definir em quais grupos de WhatsApp a criança poderá participar, revisar solicitações de conversa, entre outros
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O WhatsApp passou a oferecer um novo recurso que permitirá a pais ou responsáveis acompanhar mensagens e estabelecer limites para a atividade de menores de 13 anos no aplicativo. A novidade foi anunciada na quinta-feira (12) e começará a ser testada nas próximas semanas com um grupo restrito de usuários.
Para ativar o recurso, os responsáveis precisarão estar com o próprio celular e o da criança lado a lado para realizar a vinculação das contas. Depois disso, será possível definir em quais grupos o menor poderá participar.
O WhatsApp também informa quem são os participantes e os administradores das conversas, ajudando os pais a decidir se autorizam ou não a entrada nesses grupos.
O aplicativo permite ainda revisar solicitações de conversa de desconhecidos, que são enviadas para uma pasta e são visualizadas primeiro pelos pais. Os adultos também são notificados sempre que a criança adicionar, bloquear ou denunciar outro usuário.
Por exemplo, se uma mensagem indesejada for enviada por algum contato já salvo, a conta gerenciada pelos pais pode denunciar ou bloquear o contato, assim como qualquer outro usuário do WhatsApp.
As configurações de proteção para menores de 13 anos se concentram em mensagens e ligações pelo WhatsApp. Elas são protegidas por senha e só podem ser alteradas pelos adultos.
Já as crianças não têm acesso a recursos como Meta AI, Canais e Status, nem mensagens temporárias ou de visualização única.
A plataforma afirma que as contas gerenciadas são protegidas por criptografia de ponta a ponta, assim como as contas convencionais, e que suas informações não são usadas para fins publicitários.
Especialista em Segurança Digital, Eduardo Pinheiro destaca que as mudanças implementadas no WhatsApp e em outras plataformas digitais têm como principal objetivo a adequação ao ECA Digital.
“Essa nova legislação representa uma evolução do Estatuto da Criança e do Adolescente tradicional, ampliando sua proteção para o ambiente digital, onde crianças e adolescentes também estão expostos a riscos. A partir de agora, as plataformas passam a assumir corresponsabilidade na proteção de menores no ambiente on-line”.
Exemplo positivo
Regras para uso do celular
O desempenho escolar e a conquista da medalha de bronze na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas renderam no ano passado uma recompensa ao estudante Davi Roque Vieira Tonini, de 10 anos: ele ganhou um iPhone X da família.
Mas sua mãe, a analista administrativa Enikelly de Almeida Vieira Tonini, avisa: o uso do aparelho tem regras. “Meu filho usa o WhatsApp, mas mantém contato apenas com amigos da escola, uma prima e familiares próximos, como pai e avós. Eu acompanho as conversas com frequência. Além disso, ele sempre avisa quando pretende salvar um novo contato”, contou Enikelly.
Ela revelou que utiliza um aplicativo de controle parental para monitorar o que o filho pode ou não baixar no celular.
Para ela, a supervisão é necessária e uma forma de proteção. “As crianças não têm limites se deixarmos por conta delas”.
O que eles dizem
Segurança e zelo
“A medida chega num cenário perfeito, ajudando os familiares, trazendo segurança e zelo para as crianças. Não monitorar o uso de telas, principalmente de redes sociais, deixam as crianças/adolescentes vulneráveis a todo tipo de exposição ou violência; acesso a conteúdos inapropriados para menores e que podem incentivar comportamentos perigosos, além dos impactos no desenvolvimento, como dificuldade de concentração, ansiedade, baixa tolerância ao tédio”.
Medida necessária
“É uma medida necessária. Crianças não têm maturidade neurológica para lidar sozinhas com ambientes digitais. O cérebro infantil ainda está em desenvolvimento, especialmente nas áreas responsáveis pelo controle de impulsos, regulação emocional e tomada de decisão. Ferramentas tecnológicas podem ajudar na proteção, mas não substituem a presença ativa dos pais. Saber usar uma tecnologia não significa ter maturidade para lidar com os riscos. Por isso, o papel da família é essencial: orientar, acompanhar e ajudar a criança a desenvolver responsabilidade no ambiente digital”.
Missão de proteger
“Agora os pais deixam de estar sozinhos na missão de proteger os filhos na internet. Finalmente essa responsabilidade será compartilhada com as plataformas tecnológicas e também com as escolas. As escolas não poderão mais limitar sua avaliação apenas às funcionalidades pedagógicas das ferramentas; deverão analisar se elas possuem mecanismos de proteção contra os riscos inerentes à faixa etária dos usuários menores”.
Fique por dentro
Criou contas gerenciadas pelos pais para menores de 13 anos. Os responsáveis podem:
Decidir quem pode enviar mensagens para a criança.
Controlar quais grupos ela pode participar.
Revisar solicitações de contato de desconhecidos.
Gerenciar configurações de privacidade.
Além disso, alguns recursos são limitados, como canais, status ou outras funções consideradas mais abertas.
Como ativar o recurso
O responsável precisa ter o próprio celular ao lado do dispositivo da criança durante a configuração.
O processo envolve baixar o WhatsApp no aparelho da criança, selecionar a opção “Criar uma conta gerenciada por pais” no menu, registrar e verificar o número da criança, informar a data de nascimento e escanear um QR code que vincula as duas contas.
Por fim, o responsável cria um PIN de seis dígitos que protege todas as configurações de privacidade.
Outras mudanças em vigor
TikTok
Possui o sistema “Family Pairing” (Sincronização Familiar).
Permite aos pais: vincular a conta do adolescente à conta do responsável, limitar tempo de uso, controlar mensagens diretas e filtrar conteúdo inadequado.
YouTube
Oferece o YouTube Kids e contas supervisionadas.
Os responsáveis podem: definir limites de tempo de tela, controlar tipos de vídeos recomendados e bloquear conteúdos ou canais.
Implementou contas de adolescentes com restrições automáticas, incluindo: perfil privado por padrão, limites de contato com desconhecidos e ferramentas para pais monitorarem atividades.
As medidas fazem parte do movimento das plataformas para reduzir risco de exposição a conteúdo inadequado.
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